Enquanto avança com a divisão de seus negócios de proteção de cultivos e sementes, que deve ser concluída até o segundo semestre de 2026, a multinacional de insumos agrícolas Corteva vive um momento positivo, embalada por crescimento de lucro e vendas ao longo de 2025 e um desempenho robusto em seus principais indicadores financeiros.

Os números foram divulgados pela companhia na terça-feira, dia 3 de fevereiro, e abrangem tanto os dados do quarto trimestre de 2025 como do acumulado do ano.

Se os dados do ano como um todo foram positivos para a Corteva, os números dos três meses finais de 2025 vieram mais negativos em função da sazonalidade do período.

Entre outubro e dezembro do ano passado, as vendas líquidas da companhia recuaram 2%, totalizando US$ 3,91 milhões. O Ebitda (sigla para Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) operacional contraiu 15% em relação ao mesmo período de 2024, totalizando US$ 446 milhões. Houve prejuízo de US$ 549 milhões no trimestre.

Os volumes diminuíram 5% em relação ao ano anterior, especialmente devido às mudanças sazonais tanto em proteção de cultivos quanto em sementes.

Na área de proteção de cultivos, as vendas recuaram 2% na comparação anual, impactadas negativamente principalmente por uma mudança sazonal na América do Norte, que deslocou parte da demanda para o primeiro trimestre de 2026, além do cronograma de consumo de fungicidas na América Latina.

Já o volume de sementes caiu 8% em relação ao ano anterior, reflexo sobretudo dessas mesmas mudanças sazonais na América do Norte e do calendário da demanda por fungicidas na América Latina.

O desempenho também foi influenciado por ajustes logísticos, como a otimização do frete, atrasos provocados por condições climáticas e o adiamento de algumas entregas na América do Norte para o primeiro trimestre de 2026, em razão da otimização logística e de atrasos relacionados ao clima. Outro fator que contribuiu foi o adiantamento de entregas na América Latina para o terceiro trimestre de 2025, antes da temporada de safrinha.

No ano, os resultados deixaram um saldo positivo. Em 2025, a Corteva registrou crescimento de 3% em suas vendas líquidas, atingindo US$ 17,4 bilhões. O Ebtida operacional foi de US$ 3,85 bilhões, alta de 14% em relação ao ano anterior. O lucro líquido da companhia foi de US$ 1,0 bilhão, ante US$ 907 milhões no ano anterior, alta de 10,2%.

Houve crescimento tanto nas vendas de sementes quanto na área de proteção de cultivos.

Nas sementes, as vendas cresceram 4% no acumulado do ano, totalizando US$ 9,8 bilhões.

A região que mais cresceu foi Ásia-Pacífico, com alta de 11%, totalizando US$ 453 bilhões, seguida pela América Latina, que cresceu 6%, atingindo US$ 1,6 bilhão, e América do Norte, com alta de 4%, alcançando US$ 6,2 bilhões. Já na região EMEA, houve recuo de 1%, com as vendas fechando em US$ 1,5 bilhão.

Houve ganhos de preços em todas as regiões, segundo a Corteva, o que contribuiu para o resultado positivo.

O volume cresceu 2% no período, ainda que parcialmente compensado por um impacto cambial desfavorável de 1%.

A Corteva diz que o crescimento do volume foi impulsionado principalmente pelo aumento da área cultivada com milho e pelos ganhos de participação de mercado na América do Norte e no Brasil, ainda que parcialmente compensados pela menor área cultivada com soja na América do Norte.

O Ebitda operacional do segmento foi de US$ 2,64 bilhões no ano, aumento de 19% em relação ao mesmo período de 2024.

Para explicar o resultado, a companhia diz que a execução comercial e os ganhos de participação de mercado na América do Norte e no Brasil, o mix de produtos, a redução da despesa líquida com royalties e as ações contínuas de redução de custos e aumento de produtividade mais do que compensaram o aumento da remuneração, das despesas com P&D, das dívidas incobráveis, das despesas de vendas e o impacto desfavorável da variação cambial.

Na área de proteção de cultivos, também houve incremento. As vendas líquidas da divisão totalizaram US$ 7,50 bilhões, alta de 2% em relação a 2024. Houve crescimento de 5% no volume, ainda que parcialmente compensado por queda de 2% nos preços e impacto desfavorável de 1%.

O aumento no volume, segundo a Corteva, foi impulsionado pela demanda por novos produtos, herbicidas e produtos biológicos. Já a queda nos preços está relacionada, de acordo com a companhia, principalmente à dinâmica competitiva do mercado na América Latina, parcialmente compensada pelos aumentos de preços na América do Norte. Os impactos cambiais desfavoráveis foram liderados pela lira turca e pelo real.

As vendas líquidas foram lideradas pela América do Norte, onde houve alta de 5%, totalizando US$ 2,7 bilhões, seguida por América Latina, com alta de 3%, atingindo US$ 2,3 bilhões, e estabilidade na região EMEA, chegando a US$ 1,550 bilhão. Já na região Ásia-Pacífico, as vendas recuaram 6%, totalizando US$ 886 milhões.

O Ebitda operacional do segmento foi de US$ 1,35 bilhão no ano, alta de 6% em relação ao mesmo período do ano anterior.

A Corteva diz que a deflação de matérias-primas, a economia de produtividade e o crescimento do volume mais do que compensaram o impacto desfavorável da variação cambial, da pressão sobre os preços e do aumento da remuneração e das despesas com inadimplência em vendas, gerais e administrativas.

“Os nossos sólidos resultados no segundo semestre e no ano completo refletem a procura contínua pelos nossos produtos diferenciados, tecnologias e execução disciplinada em toda a empresa", disse o CEO da empresa, Chuck Magro, no comunicado com os resultados.

Para 2026, a companhia prevê que seu Ebitda operacional se mantenha entre US$ 4,0 bilhões e US$ 4,2 bilhões, o que representa crescimento de 7% no ponto médio da faixa. O lucro por ação deve ficar entre US$ 3,45 e US$ 3,70, também com avanço de 7%.

Para a agricultura global, a Corteva projeta um cenário misto. A expectativa é de forte demanda e produção robusta nas safras, mas com os preços das commodities ainda pressionados e margens dos produtores em níveis apertados.

Em 2025, a Corteva considera que a área global de cultivo de milho avançou, movimento puxado principalmente pela América do Norte, onde a relação econômica do cereal em comparação à soja se mostrou mais favorável.

Com a demanda em nível recorde, a empresa avalia que eventuais mudanças na área plantada de milho para soja nos Estados Unidos em 2026 devem ser administráveis.

Na América Latina, a companhia observa que a área plantada também cresceu, em patamar de um dígito médio e, como a produção seguiu elevada, o mercado seguiu bem abastecido..

Em relação a impactos adicionais das tarifas globais previstos para 2026, a estimativa atual da companhia é de cerca de US$ 80 milhões, montante que já está incorporado às projeções financeiras para o período.

Nova Corteva

A companhia trouxe também mais informações sobre o processo de separação de seus negócios, anunciado em outubro passado, com a criação da New Corteva, que concentrará o negócio de proteção de cultivos, e da SpinCo, voltada ao segmento de sementes.

A conclusão da separação dos negócios está prevista para acontecer no segundo semestre deste ano.

Na primeira metade de 2026, a Corteva diz que pretende anunciar quem será o seu novo CEO, assim como os principais executivos de ambas as empresas. A companhia também diz que o nome oficial e a identidade da marca SpinCo serão lançados em breve.

Resumo

  • No acumulado de 2025, a Corteva teve desempenho positivo, com alta de 3% nas vendas líquidas para US$ 17,4 bilhões e crescimento de 14% no Ebitda operacional, com ganhos em sementes e proteção de cultivos, além de ganhos de participação de mercado no Brasil e na América do Norte
  • Para 2026, a companhia projeta novo avanço de resultados e mantém o plano de separação dos negócios em duas empresas, com expectativa de crescimento de 7% no Ebitda operacional e no lucro por ação e conclusão do processo no segundo semestre