Não é novidade que o Brasil é um dos mercados mais relevantes do mundo para fabricantes de insumos agrícolas. Algumas empresas começam a se movimentar para aproveitar o aumento projetado da demanda e explorar o potencial ainda existente no agronegócio local.
É o caso da multinacional portuguesa Ascenza. A empresa, que atua no Brasil desde 2017, acaba de fazer uma transição no comando das operações no País e planeja um crescimento de dois dígitos para os próximos anos.
“O nosso planejamento é promover um crescimento de 10% ao ano nos próximos cinco anos. Conseguimos uma expansão de 18% em 2025 e acreditamos num ritmo consistente, sem muitos altos e baixos, até para trazer tranquilidade aos nossos investidores”, afirma Hugo Centurion, que desde a semana passada é o novo diretor da Ascenza Brasil.
Ele substitui Renato Francischelli, que continua na empresa para finalizar a transição e dar apoio ao novo diretor.
A Ascenza usa um modelo de produção diferente da maioria das empresas do setor. A operação brasileira importa da matriz os componentes ativos e até mesmo fórmulas prontas. No caso dos ativos, o laboratório local faz a formulação de acordo com as características de cada região e de cada cultura.
Além de grãos e algodão, a Ascenza atua também com defensivos para produtores de cana, café, cítricos e hortifruti, com foco nas maiores regiões produtoras.
“Temos uma atuação forte no Sudeste, com café, cana e laranja, principalmente. Claro que no Centro-Oeste, focados em grãos. E também um pouco no Nordeste, com frutas e hortaliças”, explica Centurion.
Foco no pequeno produtor
Para conseguir atingir o objetivo de crescer a um ritmo de dois dígitos por ano em um segmento tão competitivo, o novo diretor da Ascenza Brasil tem algumas estratégias que pretende colocar em prática.
A primeira delas é dar maior atenção aos pequenos produtores. “É um público muito carente, pouco atendido pela indústria. Principalmente em hortaliças e frutas, culturas que são predominantemente de pequeno porte”.
Centurion conta que a Ascenza atua para atender as necessidades de culturas importantes, mas com menos escala, como couve-flor e morango, por exemplo.
“Muitas vezes, temos fórmulas que podem ser aplicadas para essas culturas, mas não estão registradas no Ministério da Agricultura. Fazemos o registro, e disponibilizamos o produto no mercado”, conta.
Outra particularidade está nas embalagens. “O pequeno produtor não precisa de um galão de 20 litros de defensivo, por exemplo. Nós temos embalagens a partir de um litro, exatamente para atender esse público”.
Oos lançamentos são outro ponto para impulsionar o crescimento da Ascenza no Brasil. Este ano, a companhia trabalha para colocar no mercado um novo produto voltado para quem produz café.
“Estamos em fase de registro no Ministério, que deve estar aprovado até junho. A partir do segundo semestre, começamos a fase de pré-vendas, e pretendemos estar com essa novidade disponível até o fim de 2026”, afirma Centurion.
Resumo
- A fabricante de defensivos agrícolas Ascenza, empresa portuguesa, que está no Brasil desde 2017, prevê crescer 10% ao ano.
- O engenheiro agrônomo Hugo Centurion acaba de assumir como novo diretor da Ascenza Brasil e destaca foco no pequeno produtor como estratégia para expandir as vendas.
- Plano da empresa prevê o lançamento de novos produtores, entre eles uma solução para o café, que está em fase de registro junto ao Ministério da Agricultura.