A produção de etanol de milho do Brasil quintuplicou de tamanho nos últimos seis anos e não para de crescer, o que começa a trazer também para as empresas do setor um desafio cada vez maior de manter políticas públicas que sustentem essa demanda no futuro.
O movimento anunciado nesta quinta-feira, 7 de maio, pela Inpasa, considerada a maior produtora de etanol de grãos da América Latina, comprova este novo posicionamento.
Guilherme Nolasco, que presidiu a União Nacional do Etanol de Milho (UNEM) por mais de seis anos, está assumindo a posição de diretor de relações governamentais e políticas públicas da Inpasa.
No sucinto comunicado divulgado pela empresa, Nolasco é apresentado como um executivo “com sólida experiência em relações governamentais, representação setorial e formulação de políticas públicas voltadas ao agronegócio, aos biocombustíveis, à transição energética e segurança alimentar”.
Segundo o texto, a atuação dele na Inpasa “será voltada à construção de diálogo com stakeholders estratégicos e ao fortalecimento institucional da companhia”.
“Também contribuirá para valorizar, nos mercados interno e externo, o papel do milho e do sorgo como matérias-primas de alta eficiência para a produção de biocombustíveis, DDGS (Distiller’s Dried Grains with Solubles) e óleos vegetais”, diz a nota.
A produção de etanol de milho no Brasil deve atingir 12,1 bilhões de litros na safra 2025/2026. Este volume era de 2,6 bilhões de litros em 2020.
O ritmo de crescimento vem sendo acelerado, especialmente pela construção de novas usinas pelo Brasil, sendo a Inpasa um dos principais players com a inauguração recente de sua oitava unidade industrial, desta vez em Luís Eduardo Magalhães, no Oeste da Bahia.
Atualmente, a empresa possui duas plantas no Paraguai e seis no Brasil. Duas novas usinas estão sendo construídas: em Rio Verde (GO) e Rondonópolis (MT).
Com capacidade instalada de 6,7 bilhões de litros de etanol por ano, também produz DDGS, óleo vegetal e energia renovável.
Em entrevista recente ao AgFeed, o especialista em agronegócio Marcos Fava Neves comentou a previsão de que a produção de etanol de milho no País alcance 21,8 bilhões de litros na safra 2034/2025.
Alguns analistas têm alertado sobre a necessidade de manter políticas públicas que continuem incentivando o consumo de etanol no mercado brasileiro, para que a demanda acompanhe esse aumento de oferta.
As medidas passam, por exemplo, pelo aumento gradual da mistura de etanol anidro na gasolina. Mas há também o desafio de tornar o etanol mais competitivo em regiões mais distantes do País, onde a logística e questão tributária muitas vezes só viabilizam abastecer o tanque com gasolina.
Guilherme Nolasco também participou atividade das negociações com Apex e governo para abrir mercado ao etanol e ao DDG, que recentemente começou a ser exportado para a China.
Tudo indica que estas questões, que já dominavam a pauta de Nolasco na posição de liderança do setor, agora continuarão na prioridade do executivo, porém a favor dos interesses da Inpasa.
A nota da Inpasa cita que Guilherme Nolasco esteve “à frente de iniciativas estratégicas para o fortalecimento da cadeia nacional do etanol de milho, atuou na integração entre empresas, entidades de classe e poder público, contribuindo para o avanço de agendas setoriais relevantes para o agronegócio e a bioenergia”.
A empresa destaca ainda que o executivo tem experiência na “articulação com governos federal e estaduais em pautas relacionadas ao ambiente de negócios, à competitividade do setor e ao desenvolvimento sustentável da cadeia produtiva”.
Resumo
- Guilherme Nolasco foi anunciado como novo diretor de relações governamentais e políticas públicas da Inpasa
- Executivo foi presidente da União Nacional do Etanol de Milho (UNEM) por mais de 6 anos e liderou a articulação do setor na abertura de novos mercados
- Inpasa informou que papel de Nolasco será voltado à construção de diálogo com stakeholders estratégicos e ao fortalecimento institucional