Por muito tempo, a aviação executiva no Brasil esteve concentrada nos grandes centros financeiros, como São Paulo e Rio de Janeiro. Mas essa lógica já começou a mudar.

Hoje, uma parte importante do crescimento do setor passa, inevitavelmente, pelo interior do País. Segundo a Associação Brasileira de Aviação Geral (Abag), Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Distrito Federal representam o segundo maior mercado, atrás só do Sudeste.

Dados do IBGE mostram que o Centro-Oeste já responde por 10,6% do PIB brasileiro, e as projeções são ainda mais relevantes. Um estudo da Tendências indica que, entre 2026 e 2034, a região deve crescer, em média, 2,8% ao ano, acima da média nacional estimada em 2,3%.

Isso significa que estamos falando de uma região que ganha protagonismo de forma consistente, sustentada por fundamentos sólidos.

Esse crescimento tem origem clara: o agronegócio. O PIB do setor chegou a R$ 3,2 trilhões em 2025, com crescimento de 12,2% e participação de 25,13% na economia nacional, segundo a CEPEA/CNA. Esse avanço, aliado à expansão da indústria e de serviços de maior valor agregado, vem transformando o Centro-Oeste em um polo estratégico de negócios e logística.

São empresas mais capitalizadas, cadeias produtivas mais complexas e uma demanda crescente por eficiência no deslocamento.

Isso significa que aeroportos que antes tinham um fluxo majoritariamente sazonal ou voltado à aviação geral passaram a receber uma demanda mais qualificada de voos executivos, conectando cidades médias a grandes centros de decisão e financiamento.

E é exatamente aí que a aviação executiva compartilhada se insere.

Ao contrário do modelo tradicional, que exige a aquisição de uma aeronave própria, o compartilhamento permite que executivos e empresas tenham acesso a esse tipo de mobilidade de forma mais eficiente, flexível e racional do ponto de vista financeiro.

Em regiões onde as distâncias são grandes e a infraestrutura aérea comercial nem sempre atende às necessidades do dia a dia, essa solução se torna ainda mais relevante. Além disso, a expansão da aviação executiva compartilhada também revela uma mudança de mentalidade entre empresários e executivos da região. Cada vez mais, o foco deixa de ser “possuir uma aeronave” e passa a ser “otimizar o uso do tempo”.

Como CEO de uma empresa que nasceu com a proposta de democratizar o acesso à aviação executiva por meio do compartilhamento, posso dizer que o Centro-Oeste se tornou uma peça central na nossa estratégia de expansão. Não por acaso, escolhemos estabelecer uma base operacional no Aeroporto Internacional Santa Genoveva, em Goiânia.

A partir dela, conseguimos atender com rapidez destinos estratégicos em Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal, reduzindo o tempo total de viagem e oferecendo previsibilidade para agendas cada vez mais complexas.

Em setores em que uma decisão tomada algumas horas antes pode impactar safra, preço ou logística, a capacidade de ir e voltar no mesmo dia, visitar mais de uma operação e manter a rotina executiva em andamento torna-se uma vantagem competitiva concreta.

É esse ganho de produtividade, e não apenas o conforto, que tem colocado a aviação executiva compartilhada no centro da estratégia de mobilidade corporativa do Centro-Oeste. O tempo passa a ser um ativo estratégico, especialmente para quem opera em múltiplas cidades, fazendas, plantas industriais ou centros logísticos.

Quando olhamos para o futuro do setor, o Centro-Oeste não é apenas uma frente de expansão. É uma prioridade. A região reúne crescimento econômico, demanda reprimida e uma necessidade real de soluções mais eficientes de mobilidade. E, nesse contexto, acreditamos que a aviação executiva compartilhada tem um papel fundamental a desempenhar.

Rogério Andrade é CEO da Avantto.