Foram pouco mais de dois meses entre os rumores, o aperto de mãos e q frustração. Uma das maiores transações da pecuária brasileira nos últimos anos, a aquisição do megaconfinamento da Fazenda Conforto pela JBJ Agropecuária, está oficialmente desfeita.
A decisão foi tomada por ambas as partes exatos 55 dias depois de elas terem protocolado no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) o pedido de análise do negócio, avaliado em mais de R$ 1 bilhão, que formaria o maior projeto pecuário do País e um dos maiores do mundo.
A desistência foi comunicada em novo documento protocolado no Cade na segunda-feira, 15 de junho, pelo escritório de advocacia Cescon Barrieu. Desta vez, as partes informam que, “de forma livre, mútua e consensual, decidiram pelo encerramento definitivo das tratativas relativas à operação objeto do presente Ato de Concentração, desistindo da realização do negócio”.
Segundo apurou o AgFeed, o motivo da desistência foi originado justamente dentro do Cade. Após o despacho emitido em 5 de maio pelo superintendente geral do órgão de análise da concorrência, Alexandre Barreto de Souza, rejeitando pedido das empresas para que órgão utilizasse o rito sumário para apreciação da transação, JBJ e Conforto concordaram em dar um prazo de 40 dias para avaliar os efeitos da decisão, que encaminhava a análise do caso para o rito ordinário.
Diante da incerteza sobre prazos e mesmo de um eventual risco de o negócio sofrer restrições por parte da autarquia, tanto José Batista Júnior, o Júnior Friboi, dono da JBJ, como a família Negrão, proprietária da Fazenda Conforto, avaliaram que o melhor, agora, é seguirem com suas operações independentes.
Procurado pelo AgFeed, Sérgio Pellizzer, CEO da Conforto, confirmou a informação. “Esperamos os 40 dias e como o processo não andou, decidimos desistir da negociação”, afirmou. “A demora do Cade prejudica as operações, incluindo parceiros, fornecedores, compra de gado e muito mais”.
O sinal verde do Cade era necessário em função do negócio envolver dois gigantes da pecuária. A JBJ se declara a dona do maior confinamento de gado do Brasil, com capacidade anual de receber 540 mil animais, sendo 180 mil estáticos, em todas as suas unidades.
A empresa de Júnior Friboi, atua em todas as etapas da pecuária, contando com fazendas de cria dedicadas à seleção e produção de bezerros e bezerras das raças Nelore e Angus, fazendas de recria e confinamento.
Parte do rebanho da JBJ abastece frigoríficos de Júnior Friboi, reunidos sob a marca Prima Foods, mas a maior parcela segue para unidades da JBS, da qual a JBJ é uma das principais fornecedoras.
]A Conforto também está entre as principais fornecedoras da JBS – empresa da qual Júnior já foi CEO e acionista, tendo deixado o grupo em 2013, após vender sua participação aos irmãos Wesley e Joesley Batista.
Comandada por Pellizzer, genro do fundador da fazenda, Alexandre Negrão, falecido em 2023, a Conforto deu escala industrial à atividade de confinamento.
A propriedade, localizada em Nova Crixás (GO), tem 12 mil hectares e tem capacidade estática para receber 76 mil animais e giro anual estimado em 180 mil cabeças.
Em 2023, atingiu à marca histórica de 1,5 milhão de animais abatidos. No ano passado, faturou mais de R$ 1,2 bilhão.
Ali também funcionam uma planta de biofertilizantes, produzidos a partir dos resíduos do gado e uma fábrica de ração. A estrutura, incluída na transação, inclui silos de armazenamento de grãos, parque para geração de energia fotovoltaica, represa, 2 mil hectares com lavouras irrigadas com 16 pivôs e uma área de reserva que ocupa quase 30% da propriedade.
Resumo
- JBJ e Fazenda Conforto desistiram da venda que criaria um dos maiores projetos pecuários do mundo
- Incertezas sobre a análise do Cade e possíveis restrições regulatórias motivaram o fim das tratativas
- Empresas decidiram seguir independentes para evitar impactos operacionais, com fornecedores e parceiros