A partir desta segunda-feira, dia 9 de fevereiro, o calendário de feiras do agronegócio brasileiro ganha ritmo com a abertura da 38ª edição do Show Rural Coopavel, em Cascavel (PR).

A expectativa da Coopavel, a cooperativa organizadora do evento, é receber entre 360 mil e 400 mil visitantes ao longo da feira, que será realizada até o dia 13 de fevereiro e contará com cerca de 600 expositores, número semelhante ao das últimas edições. O volume de negócios projetado é de cerca de R$ 6 bilhões.

Mais do que um evento regional, a feira da cooperativa paranaense costuma ser vista como uma espécie de “termômetro” nacional para setor no ano que se inicia.

Isso porque, apesar de reservarem as principais estreias de novos modelos de máquinas para a Agrishow – que acontece no fim de abril em Ribeirão Preto (SP) –, as principais empresas do agro costumam levar para Cascavel alguns novos produtos e trazem, de lá, uma amostra do apetite dos produtores rurais por aquisições.

A expectativa, na edição 2026, é positiva, reflexo de uma safra de verão com bom desenvolvimento na maioria das regiões sob influência da Coopavel. É o que demonstram alguns dos expositores, que pretendem usar a feira como plataforma de lançamento para um ciclo que, acreditam, pode marcar uma recuperação das vendas depois de pelo menos duas safras de retração.

Quem concede crédito rural, por exemplo, já se preparou para uma demanda maior. O Sicredi, instituição financeira cooperativa com maior participação nesse segmento, anunciou ter reservado R$ 2,5 bilhões para oferecer aos agricultores, com condições especiais. No ano passado, ao fnal do evento seu balanço indicava R$ 700  ilhões em negócios gerados.

No campo das máquinas agrícolas, a movimentação também indica uma perspectiva de melhora. A Massey Ferguson, marca da AGCO, promete fazer o lançamento do trator MF 8S Xtra, com avanços em eficiência operacional e agricultura de precisão, bem como as novas versões dos tratores MF 4700 e o novo modelo da série MF7700 Dyna 6, o MF 7718.

Outra montadora, a paulista Jacto, também promete lançamentos, como a tecnologia de estabilidade de barras para a linha Uniport, o novo Uniport 3030 Vortex, além do pulverizador tratorizado Advance 2000 AM24 de outros equipamentos.

A LS Tractor, focada em tratores de pequeno porte, deve fazer um pré-lançamento na feira de novos modelos da Série Plus, composta pelos tratores Plus 80 PRO, Plus 90 PRO e Plus 100 PRO, com potências de 80, 92 e 105 cv, respectivamente. Os modelos também já ganham a nova identidade visual da marca, passando a ser pintados com um tom azul mais intenso.

Nos insumos, a multinacional Basf vai promover o lançamento de novas variedades de sementes de soja para o mercado brasileiro, provenientes das marcas Credenz e SoyTech. Ambas as linhas apresentam cultivares com destaque para o cultivo na região Sul, segundo a Basf.

A Adama, por sua vez, promete apresentar o lançamento de um inseticida para o manejo de insetos sugadores na soja e no milho e apresenta um recente fungicida, o Blindado Ultra.

O bom momento da Coopavel

Em entrevistas que antecedem a abertura dos portões do evento, Dilvo Grolli, presidente da Coopavel, costuma sempre trazer uma palavra de otimismo e, desta vez, não foi diferente.

Ao conversar com o AgFeed, Grolli fez uma síntese do cenário atual do setor produtivo, que, segundo ele, atravessa um bom momento e deve se traduzir em vendas aquecidas ao longo da feira.

“O agro foi bem em 2025. Se o Brasil cresceu 2,3% no PIB, o agronegócio avançou mais de 6%. E esse crescimento de 2025 também está projetado para 2026, 2027 e 2028, com muito espaço de expansão tanto na agricultura quanto na pecuária”, disse.

Os resultados alcançados pela Coopavel no ano passado também ajudam a explicar a perspectiva favorável de Grolli. Em 2025, a cooperativa alcançou faturamento recorde de R$ 6,3 bilhões, alta de 19% em relação ao ano anterior.

No campo, o recebimento total de grãos somou 1,2 milhão de toneladas, crescimento de 23,6% frente às 975,4 mil toneladas de 2024.

O destaque foi o milho, cuja recepção cresceu 35,3%, atingindo 572,9 mil toneladas. O recebimento de trigo também apresentou comportamento positivo, com crescimento de 32,4% em relação a 2024, somando 160,5 mil toneladas. Tendência semelhante teve a soja, com 472,9 mil toneladas recebidas, alta de 9,7%.

No segmento de proteínas animais, a Coopavel abateu 66,2 milhões de aves em 2025, crescimento de 16,1% na comparação anual. A produção de ovos foi de 103,6 milhões de unidades.

Na suinocultura, houve leve recuo de 1,42% na produção de leitões, que somou 491,6 mil animais. Em contrapartida, o abate no frigorífico de suínos avançou 24%, atingindo 647,7 mil animais. Já no frigorífico de peixes, que iniciou operações no ano passado, foram abatidas 3,1 milhões de tilápias.

No lado industrial, a Coopavel teve crescimento em todos os segmentos nos quais atua, com destaque para fertilizantes e o moinho de trigo, que registraram as maiores taxas de expansão.

Na indústria de sementes, a produção passou de 423,0 milhões para 460,9 milhões de sacas, alta de 8,9% na comparação anual, após três anos consecutivos de retração.

A indústria de fertilizantes apresentou o avanço mais expressivo entre os insumos. A produção saltou de 148,4 mil para 196,9 mil toneladas, crescimento de 32,6% em relação a 2024.

No esmagamento de soja, a produção aumentou de 320,3 mil para 344,0 mil toneladas, alta de 7,4%.

A produção de rações também avançou de forma consistente. Subiu de 570,8 mil para 622,5 mil toneladas, crescimento de 9,1%, acompanhando a expansão dos segmentos de proteínas animais.

Já o moinho de trigo registrou uma das maiores variações percentuais. A produção passou de 153,0 mil para 186,7 mil toneladas, alta de 22%.

Além do faturamento recorde, a cooperativa também alcançou o maior volume de investimentos de sua história, com aportes de R$ 477,3 milhões em 2025, alta de 91% frente aos R$ 250 milhões investidos em 2024.

Para este ano, a expectativa é manter o ritmo tanto em investimentos como em faturamento. “Em 2026, queremos crescer novamente cerca de 19% em faturamento, chegando a R$ 7,5 bilhões. E nos investimentos nós queremos ficar também na casa dos R$ 477 milhões”, afirmou Grolli.

A ideia da Coopavel é continuar fazendo aporte com foco na ampliação da capacidade de armazenagem e no desenvolvimento de novas indústrias, como a de bioinsumos e a de embalagens plásticas e cartonadas.

A fábrica de bioinsumos já recebeu as autorizações necessárias do Ministério da Agricultura e Pecuária e entrou recentemente em operação. Já a indústria de embalagens terá como objetivo atender exclusivamente à demanda interna da cooperativa. “Com essa fábrica, teremos condições de produzir as embalagens que utilizamos dentro da própria Coopavel”, explicou o presidente da cooperativa.

Os dois projetos, segundo Grolli, devem consumir entre R$ 80 milhões e R$ 100 milhões em investimentos.

Paralelamente, a cooperativa segue ampliando a produção de tilápias. Atualmente, são abatidos entre 15 mil e 20 mil peixes por dia. “Estamos ampliando o frigorífico para que, nos próximos dois anos, consigamos elevar essa produção para 40 mil tilápias por dia”, afirma o presidente da Coopavel.

Hoje, toda a produção é destinada ao mercado interno, mas a possibilidade de exportação está no radar da cooperativa à medida que a capacidade produtiva avance, ressalta Grolli.

Resumo

  • Primeiro grande evento do setor em 2026, exposição organizada em Cascavel (PR) pela cooperativa Coopavel será realizada entre os dias 9 e 13 de feveirero
  • A Coopavel espera entre 360 a 400 mil visitantes circulando pela feira, que terá cerca de 600 expositores. O volume de negócios projetado é de cerca de R$ 6 bilhões
  • Cooperativa paranaense comemora maior faturamento de sua história, de mais de R$ 6 bilhões, e espera seguir crescendo ao longo de 2026, com produção robusta no campo e novos investimentos