A VLI registrou em maio a maior movimentação mensal de cargas de sua história no Corredor Sudeste, com o transporte de 1,14 bilhão de toneladas por quilômetro útil (TKU) pela Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), no trecho que conecta o Centro-Oeste ao Porto de Santos.
O resultado, compartilhado em primeira mão com o AgFeed, veio na sequência de outro recorde operacional alcançado em abril, quando a companhia atingiu a maior movimentação mensal de grãos e farelos de sua história, com 2,96 milhões de toneladas transportadas pelos corredores ferroviários Sudeste, Leste e Norte.
Segundo a empresa, os resultados refletem uma combinação de investimentos em infraestrutura, ganhos de produtividade e uma safra favorável.
"Realizamos alguns investimentos no corredor Centro-Sudeste e estamos colhendo frutos. Eles aumentam a produtividade, geram um ambiente de maior eficiência e, combinado com isso, temos um cenário de movimentação maior de grãos dos nossos clientes para este ano", afirmou o gerente de Estratégia da VLI, Jandher Carvalho.
A sequência de recordes marca uma mudança de ritmo em relação ao início de 2026. Nos três primeiros meses do ano, a VLI reportou um desempenho mais fraco.
O volume ferroviário consolidado caiu 5%, para 8,13 bilhões de TKU, segundo documentos disponíveis no site de relação com investidores da empresa. Ao mesmo tempo, a receita líquida recuou 10%, para R$ 1,87 bilhão. O lucro líquido despencou 78%, para R$ 51 milhões.
A principal pressão veio justamente da FCA, responsável pelo Corredor Sudeste e que agora bate recordes mensais. Entre janeiro e março, a ferrovia movimentou 4,136 bilhões de TKU, uma queda de 11% na comparação anual. A receita da operação recuou 19%, para R$ 632 milhões.
Já a operação da Ferrovia Norte Sul - que na concessão da VLI liga Porto Nacional (TO) a Açailândia (MA) - teve alta de 6% nos volumes para 2,1 bilhões de TKU no primeiro trimestre.
Apesar do início de ano mais difícil, a companhia afirma que os indicadores começaram a melhorar ainda em março e ganharam força ao longo do segundo trimestre.
"Temos bons números em março, abril e maio. Tem o efeito sazonal da safra, tem pico, meses que não são tão fortes na movimentação, mas vemos fazendo recordes mensais", disse Carvalho.
Segundo o gerente, parte dessa melhora decorre de investimentos realizados nos últimos anos no sistema integrado que conecta ferrovia, terminais e porto. Neste ano, a VLI concluiu a implantação de uma linha férrea adicional no Tiplam (Terminal Integrador Portuário Luiz Antonio Mesquita), localizado no Porto de Santos.
Com investimento de R$ 38 milhões e 2 km de extensão, a nova estrutura foi adaptada para ampliar em até 30% a capacidade de carregamento ferroviário de fertilizantes.
No ano passado, o terminal já havia recebido obras para o aumento do calado dos berços 2, 3 e 4, além do canal Piaçaguera, com investimento de quase R$ 35 milhões. A intervenção elevou o calado máximo (distância entre a linha de flutuação e o fundo da embarcação) de 13,35 metros para 14,1 metros, permitindo um aumento de cerca de 10% na capacidade de carga dos navios que operam no local.
"Quando você tem um sistema completo, que é o que a VLI tem, administramos melhor como fazemos o gerenciamento de diferentes cargas", prosseguiu Jhander Carvalho.
A empresa também atribui os resultados de maio à maior flexibilidade operacional em um cenário de mudanças no perfil das safras agrícolas. Segundo Carvalho, os ciclos de exportação estão se tornando menos binários - soja no primeiro semestre e milho no segundo -, exigindo maior capacidade de adaptação da logística.
"Se em março estamos no pico de safra de grãos, prioritariamente soja, abril já começa a ver a operação das usinas de açúcar, e em maio acelera", disse.
No açúcar, a empresa divulgou recentemente que renovou o contrato para transporte do adoçante produzido pela BP Bioenergy há alguns meses. Nas últimas cinco safras, a VLI transportou aproximadamente 6,4 milhões de toneladas de açúcar para a empresa, considerando cargas provenientes de nove usinas da companhia localizadas nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Goiás, além de volumes de unidades parceiras.
Nesse contexto de uma demanda de múltiplas cargas de uma vez, a empresa vê crescimento especialmente nas cargas de farelo. "Todos os meses vai ter soja ou milho, mas o farelo começa a buscar seu espaço numa curva um pouco menos sazonal", afirmou Carvalho.
Segundo ele, o volume de farelos movimentado pela companhia aumentou cerca de 50% em relação a maio do ano passado. A VLI já vinha de um ano forte em 2025.
Impulsionada por uma safra favorável de grãos, a companhia movimentou um volume recorde de 23 milhões de toneladas em suas ferrovias, alta de 16% na comparação anual.
Nos portos, o embarque de cargas atingiu 15,4 milhões de toneladas, crescimento de 14%. Os resultados permitiram que a empresa elevasse a receita líquida em 1%, para R$ 9,9 bilhões, e o lucro em 5%, para R$ 1,3 bilhão, mesmo em um ambiente de pressão sobre tarifas.
A companhia avalia que o cenário permanece positivo para o restante do ano. Segundo Carvalho, ainda há volumes expressivos de soja a serem exportados, enquanto a safra de milho deve ganhar força a partir de julho.
"O segundo semestre tem desafios adicionais. Ainda não se exportou toda a soja e safra de milho entra forte no mês que vem. Mas estamos preparados”.
Resumo
- A VLI registrou 1,14 bilhão de TKU no Corredor Sudeste em maio, o maior volume mensal da história da Ferrovia Centro-Atlântica
- A empresa prevê cenário positivo para o restante do ano, com a forte entrada da safra de milho a partir de julho
- desempenho recorde no trimestre reverte o ritmo do início do ano, quando o lucro líquido da companhia caiu 78%