Foi mais um trimestre de condições “mais fracas do que o esperado”, segundo definiu o CEO da AGCO, Eric Hansotia, no release de resultados do segundo trimestre de 2026, divulgado na manhã desta quinta-feira, 30 de julho, pela companhia fabricante das marcas de máquinas agrícolas Massey Verguson, Valtra e Fendt.

A última linha do relatório financeiro mostra lucro líquido de US$ 77,2 milhões no período. Comparado com o segundo trimestre de 2025, a queda é expressiva: 76% sobre os US$ 314,8 milhões reportados um ano atrás.

Na ocasião, o resultado havia sido impulsionado por ganhos não recorrentes. Agora, foi comprometido por vendas mais fracas em quase todas as regiões de atuação da empresa – a exceção foi a América do Norte.

O recuo mais expressivo veio da América Latina. As vendas na região recuaram 17% no segundo trimestre na comparação anual, caindo de US$ 330,4 milhões em 2025 para os atuais US$ 271,3 milhões. Excluindo fatores cambiais, a queda atinge 25%.

A comparação semestral segue na mesma toada, também com redução na casa de 25% das receitas na região. “Uma demanda mais fraca do setor resultou em vendas menores em todas as categorias de produtos”, pontuou a companhia sobre o desempenho na América Latina. “Essa redução decorreu, principalmente, de volumes de vendas e produção significativamente menores e de despesas de engenharia mais elevadas”.

Embora a montadora não divulgue resultados específicos sobre países, o Brasil, um dos seus principais mercados, foi mencionado diretamente no documento, mas de forma negativa.

“As vendas de máquinas no varejo brasileiro recuaram 11% no primeiro semestre de 2026 em relação ao mesmo período de 2025, refletindo uma demanda mais fraca por tratores de maior porte, parcialmente compensada por uma demanda melhor por equipamentos de pequeno e médio porte”, diz o texto.

“A rentabilidade do setor agrícola brasileiro está sob pressão devido aos elevados custos de produção — especialmente de fertilizantes importados —, e a demanda por equipamentos maiores ainda não voltou a crescer”, prossegue, sem trazer expectativas de recuperação no curto prazo.

“Espera-se que os custos de financiamento, as condições de crédito e o cenário político mais amplo continuem a restringir a demanda em 2026”.

O desempenho dá continuidade ao quadro já observado no primeiro trimestre, quando as vendas na América Latina haviam recuado 17,3% (ou 30,3% desconsiderando o câmbio).

América do Norte e Europa sustentam o resultado

No âmbito global, a receita líquida global somou US$ 2,61 bilhões, recuo de 1% na comparação anual. No acumulado do primeiro semestre, as vendas totalizaram US$ 4,95 bilhões, alta de 5,7% ante o mesmo período de 2025, graças ao desempenho positivo do primeiro trimestre.

O lucro operacional do trimestre foi de US$ 140,7 milhões, ante US$ 164 milhões um ano antes. A margem operacional ajustada ficou em 7,5%.

Enquanto a América Latina patina, as demais regiões mostraram resiliência. A América do Norte registrou alta de 19,8% nas vendas no trimestre (excluindo câmbio), impulsionada por maiores volumes de vendas de equipamentos. A margem operacional da região, no entanto, ficou negativa em 5,2%.

Na Europa e Oriente Médio (EME), as vendas recuaram 4,7% na base anual (excluindo câmbio), mas o resultado operacional ficou estável, sustentando uma margem de 15% — a mais alta entre todas as regiões.

Na região de Ásia, Pacífico e África (APA), as vendas caíram 6,4% (excluindo câmbio), com margem operacional de 7,7%.

Para o ano completo de 2026, a AGCO projetou receita líquida entre US$ 10,1 bilhões e US$ 10,2 bilhões — abaixo da faixa de US$ 10,5 bilhões a US$ 10,7 bilhões projetada no primeiro trimestre. A margem operacional ajustada esperada é de aproximadamente 7,5%, também inferior à projeção anterior de 7,5% a 8%.

O lucro por ação ajustado para o ano foi estimado entre US$ 5,50 e US$ 5,75, abaixo dos cerca de US$ 6 projetados no trimestre anterior.

Como efeito dos resultados apresentados, as ações da AGCO caíam mais de 6% na manhã de quinta-feira na Bolsa de Nova York.

Resumo

  • AGCO registrou queda de 76% no lucro líquido do segundo trimestre de 2026, com retração das vendas, especialmente na América Latina
  • O Brasil foi citado como um dos principais fatores negativos, com vendas de máquinas agrícolas em queda de 11% no semestre
  • Apesar daDona das marcas Massey Ferguson, Valtra e Fendt reduziu seu guidance para 2026, refletindo um mercado global mais desafiador