Virou rotina observar balanços de empresas do setor sucroenergético do Centro-Sul e observar características comuns: moagem menor devido a problemas climáticos, uma produtividade menor nos canaviais e consequentes receitas e lucros menores.
Na Zilor, tradicional grupo paulista do setor, o roteiro foi um pouco diferente. Os números divulgados nesta quarta-feira, 25 de fevereiro, pela empresa, referentes ao terceiro trimestre da safra 2025/2026 (período de outubro a dezembro), mostram que suas usinas moeram mais e produziram mais açúcar e etanol, apesar de sofrer com quedas no TCH (toneladas de cana por hectare) e no ATR (açúcar total recuperável).
No acumulado da safra, contudo, há avanço em todos os indicadores financeiros e operacionais - com exceção da produtividade.
No recorte dos três meses, a Zilor registrou um prejuízo líquido de R$ 32 milhões, revertendo um lucro do mesmo período no ano anterior. A receita foi na contramão e avançou 8,2% em um ano, somando R$ 940,5 milhões. A margem líquida ficou negativa em 3,5%.
O resultado foi pressionado principalmente pela variação negativa do valor justo do ativo biológico, que teve efeito devedor de R$ 36,6 milhões, além de despesas financeiras de R$ 140,5 milhões no período.
A reavaliação da cana colhida no campo refletiu uma queda de 5,7% no ATR e de 5,2% no TCH, impactado por geadas e condições climáticas adversas. Na prática, essa menor produtividade reduz o valor contábil estimado do açúcar ainda a ser produzido.
O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação) do período foi de R$ 338 milhões, alta de 19,5% em um ano.
No acumulado de nove meses da safra, o cenário é mais positivo. A empresa soma um lucro líquido de R$ 405 milhões, um avanço de mais de três vezes frente ao que havia anotado no mesmo intervalo (de abril a dezembro) em 2024. A receita líquida já atinge R$ 2,73 bilhões, alta de 15,4% em um ano. A margem líquida é positiva em 14,8% no acumulado do ano.
A moagem de cana-de-açúcar atingiu no período 12,7 milhões de toneladas, recorde histórico e uma alta de 20,1% em um momento em que grandes players do setor - como Raízen, Jalles e São Martinho - mostram recuo no processamento.
A produção de açúcar da empresa - sendo maioria bruto e destinado à exportação - soma 799,3 mil toneladas no acumulado da safra, um avanço de 16,4% em um ano. Só no terceiro trimestre, a produção foi de 152,1 mil toneladas, alta de 11%.
A empresa pontuou no balanço que o incremento nos volumes se dá pela aquisição da Usina Salto Botelho, anunciada em outubro de 2024, em um negócio de R$ 600 milhões. A unidade foi comprada da gestora americana Amerra.
"A contribuição de açúcar da unidade foi de 22,2 mil toneladas no trimestre e 110,1 mil toneladas no acumulado do ano. Desconsiderando esse efeito, teríamos redução da produção total de 4,6% no trimestre e um incremento de 0,3% no ano até agora", diz a Zilor em seu balanço.
No etanol, a produção foi de 549,1 milhões de litros no acumulado da safra, sendo 137,9 milhões de litros só de outubro a dezembro. Os números mostram avanços respectivos de 16% na safra e de 48,3% no trimestre.
"A produção de etanol apresentou incremento devido a maior moagem nos períodos, que se estendeu até o mês de dezembro. O avanço de 16% no acumulado dos nove meses da safra está relacionado a mudança de mix para o etanol para captura de maiores oportunidades de preços. O etanol hidratado foi priorizado em razão da maior demanda de mercado, atendendo os compromissos com a Copersucar", diz a companhia no balanço.
Dessa forma, o mix está em 46,5% para o adoçante e 53,5% para o biocombustível na safra. Em release, o CEO da empresa, Andre Inserra, citou que a safra consolidou um "ciclo de expansão sustentado por eficiência, disciplina operacional e visão de longo prazo".
A companhia encerrou dezembro com uma alavncagem de 1,35 vez, uma queda frente ao patamar de 1,96 vez de um ano antes. A dívida líquida da empresa recuou 14,6% em um ano, e atingiu R$ 1,77 bilhão.
“Mesmo diante de um cenário marcado por desafios climáticos e maior volatilidade de mercado, seguimos entregando resultados consistentes. A diversificação geográfica dos polos produtivos foi decisiva para equilibrar os impactos climáticos regionais”, completou o CEO, na nota.
A empresa possui duas usinas próximas a Bauru e Lençóis Paulista - unidades Barra Grande e São José - e outras duas próximas a Presidente Prudente - Salto Botelho e Quatá. A distância entre os polos é superior à 250 quilômetros.
Resumo
- No 3º trimestre da safra 2025/26, a Zilor registrou prejuízo de R$ 32 milhões, apesar de receita 8,2% maior e Ebitda 19,5% superior
- No acumulado do ano, contudo, a companhia soma lucro de R$ 405 milhões e receita de R$ 2,73 bilhões, com moagem recorde de 12,7 milhões de toneladas (+20,1%) e avanço de 16,4% na produção de açúcar
- Parte do crescimento veio da aquisição da Usina Salto Botelho, enquanto o mix mais voltado ao etanol (53,5%) e a redução da alavancagem para 1,35x reforçaram a melhora operacional no ano