Desde o final de fevereiro, quando houve a escalada do conflito no Irã, envolvendo Estados Unidos e Israel, exportadores se mostravam preocupados com os efeitos sobre a logística no mercado internacional.

Para o setor de proteína animal, os números até agora, no entanto, mostram que a tendência de crescimento das exportações foi mantida.

Dados divulgados pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) nesta sexta-feira, 5 de junho, mostram que houve novo recorde histórico nas exportações de carne de frango, totalizando US$ 1,009 bilhão no mês de maio.

Na comparação com o mesmo período do ano passado, houve um avanço de 36,1%. Em volume, os embarques somaram 509,9 mil toneladas - maior resultado já registrado para um mês de maio, segundo a entidade.

Trata-se de um aumento de 29,6% sobre maio do ano passado, um período que teve uma base menor em função do registro (já superado) de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP).

No acumulado do ano, a receita com exportações de frango subiu 11,3%, atingindo US$ 4,714 bilhões.

A China permaneceu na liderança das importações, com 48,3 mil toneladas embarcadas (+34,7%), seguida por Japão, com 43,2 mil toneladas (+53,9%), União Europeia, com 40,2 mil toneladas (+61,6%), Arábia Saudita, com 39,1 mil toneladas (+27,5%) e Emirados Árabes Unidos, com 32,3 mil toneladas (+1,2%).

O Paraná manteve a liderança nacional entre os estados exportadores de carne de frango, com 213,9 mil toneladas embarcadas em maio (+35,1%), seguido por Santa Catarina, com 113,9 mil toneladas (+39,7%).

“Os resultados foram conquistados em um ambiente marcado por incertezas logísticas globais e pelos impactos decorrentes das tensões no Oriente Médio, especialmente nas rotas marítimas associadas ao Estreito de Ormuz”, disse em nota o presidente da ABPA, Ricardo Santin.

Segundo ele, “o Brasil ampliou significativamente sua presença em mercados estratégicos e de valor agregado, como Japão, União Europeia, Coreia do Sul e China”.

“Ao mesmo tempo mantivemos forte presença no Oriente Médio e ampliamos oportunidades em mercados emergentes. Isso demonstra a diversificação da pauta exportadora brasileira e a competitividade da nossa cadeia produtiva”, ressaltou.

Japão compra mais carne suína

Nas exportações brasileiras de carne suína também houve um resultado considerado o maior já registrado para um mês de maio, considerando todos os produtos, entre in natura e processados, com total de 129,4 mil toneladas.

O volume supera em 9% os embarques do mesmo período de 2025. A receita subiu menos, 3,8%, alcançando US$ 302,1 milhões.

No acumulado dos cinco primeiros meses do ano, os embarques de carne suína do Brasil chegaram a 661,7 mil toneladas, número 13,1% maior em relação ao mesmo período de 2025. Em receita, o crescimento acumulado alcança 11,9%.

“Esses números são muito importantes, trazem a fortaleza da nossa suinocultura, que tem uma diversificação de mercados. Nesse mês, os grandes compradores foram as Filipinas, mas cresceu o Japão, o Chile, o México, também com um bom desempenho da China”, afirmou Ricardo Santin.

Embora o maior volume ainda tenho sido das Filipinas, com 27,2 mil toneladas, houve queda nas importações do país, de 3,8%.

O destaque foi mesmo o Japão em função do aumento de 83,2% nas compras de carne suína brasileira, atingindo 15,2 mil toneladas só em maio.

“A diversificação de novos mercados, como por exemplo na Costa do Marfim e na Geórgia, que aumentaram junto com a Coreia, ajudou a fazer essas quase 130 mil toneladas”, lembrou Santin.

Santa Catarina manteve a liderança nacional, com 62,5 mil toneladas embarcadas em maio (+4,9%), seguida por Rio Grande do Sul, com 32,7 mil toneladas (+19,5%) e Paraná, com 18,3 mil toneladas, o que representou queda de 4,8%.

O presidente da ABPA lembrou que a recente notícia do reconhecimento do Brasil pela China como área livre de febre aftosa sem vacinação tende a beneficiar o setor.

“Só no Rio Grande do Sul, oito plantas habilitadas junto com a de Mato Grosso vão ampliar para poder vender carne suína com osso e miúdos externos, o que pode trazer mais de 100 milhões de dólares a mais na balança comercial”, destacou.

Uniao Europeia em risco

O Brasil é maior exportador global de carne de frango e o terceiro nos embarques de produtos suínos. O País vem crescendo com a conquista de novos mercados, mas ainda tem uma parcela de vendas para União Europeia, como citamos nesta reportagem.

Nesta sexta-feira, 5 de junho, o bloco europeu publicou em seu Diário Oficial o novo regulamento de execução sobre a aplicação de restrições ao uso de medicamentos antimicrobianos.

Nesta confirmação publicada agora, o Brasil permanece fora da lista de países autorizados a exportar carnes e derivados para consumo humano para o bloco a partir de 3 de setembro deste ano.

A medida havia sido anunciada em 12 de maio, com previsão de entrar em vigor no mês de setembro. Naquele momento, o governo brasileiro já iniciou negociações para esclarecer os métodos adotados no País e evitar o eventual bloqueio das exportações de diversos produtos de proteína animal, inclusive carnes bovina, suína e de frango.

O AgFeed procurou representantes da indústria e do governo, que disseram que por ora não vão se manifestar, considerando o texto publicado hoje como apenas uma confirmação do que já havia sido anunciado.

O documento unifica regras previstas em atos anteriores e atualiza a lista de países que não deram garantias de controle sobre a ausência de antimicrobianos nos produtos exportados ao Velho Continente.

Nas manifestações anteriores, entidades como ABPA e Abiec (que representa os exportadores de carne bovina) indicaram que o Brasil já cumpre as regras solicitas pela EU e que um eventual impedimento às exportações só vai ocorrer caso o País não apresente garantias e adequações solicitadas até a data que foi estabelecida.

Resumo

  • Exportações brasileiras de carne de frango bateram recorde histórico em maio, superando US$ 1 bilhão em receita mesmo em meio às tensões no Oriente Médio
  • Em carne suína, os embarques também atingiram o maior volume já registrado para um mês de maio, com destaque para o salto de 83% nas compras do Japão.
  • O setor monitora o risco de restrições da União Europeia, que manteve o Brasil fora da lista de países autorizados a exportar proteína animal ao bloco a partir de setembro.