O segmento de fertilizantes agrícolas no Brasil tem passado por turbulências constantes, principalmente desde a invasão da Ucrânia pela Rússia, em 2022. Muitas distribuidoras passaram por dificuldades, pediram Recuperação Judicial e fecharam unidades desde então.
A Autem Trade Company nasceu em 2016, antes do início deste ciclo mais desafiador. E tenta estabelecer alguns diferenciais para conseguir manter os negócios rodando. Um deles é um investimento de R$ 30 milhões em uma unidade de armazenamento na zona portuária de Paranaguá (PR).
“Temos dois parceiros nesse investimento. O dono do terreno, que não fica ao lado do porto, mas ainda é na região considerada zona portuária, o que facilita na documentação e na logística, e também uma empresa do setor de transportes”, explica Rodrigo Moratelli, gerente comercial da Autem.
A previsão é que o armazém fique pronto ainda neste primeiro semestre, com uma capacidade de receber até 75 mil toneladas de fertilizantes que desembarcam no Porto de Paranaguá.
“Não será uma unidade só para a Autem. Nós vamos prestar serviços para outras grandes distribuidoras que importam fertilizantes. Vamos investir muito na qualidade, que é inclusive uma carência de quem descarrega em Paranaguá”, diz o executivo.
Por isso, Moratelli afirma que precisará de um aporte extra para finalizar o armazém. “Vamos precisar de mais R$ 7 milhões, aproximadamente. Temos conversado com bancos para abertura de uma linha de crédito, mas os juros estão muito caros. Então, abrimos conversas também com potenciais investidores”.
O gerente comercial da Autem explica que o problema da distribuição de fertilizantes no Brasil hoje é o estreitamento da janela de importação, por conta da postergação da decisão de compra por parte do produtor.
“Com os problemas climáticos e de preços, as empresas também estão postergando ao máximo essa importação de fertilizantes. Isso provoca um gargalo nos portos. Em Paranaguá, a espera já chegou a 90 dias”, diz Moratelli.
A estratégia é “fugir” desse gargalo com o novo armazém. “Nós queremos que o produtor tenha acesso aos fertilizantes quando precisar. Com uma unidade próxima ao porto, teremos menos quebra de produtos, e um padrão próprio de qualidade”.
Mais volume, faturamento incerto
Com essa unidade de armazenamento, a Autem pretende aumentar seu volume vendido de 220 mil toneladas em 2025 para 280 mil toneladas em 2026. No ano passado, a empresa teve faturamento de R$ 600 milhões. Para este ano, em termos de receitas, Moratelli não demonstra tanto otimismo.
“Existem muitas incertezas no radar. Não me parece que o governo destinará muitos recursos ao agronegócio em um ano eleitoral. Os juros continuam altos. Podemos ver aí mais recuperações judiciais. Então, repetir o resultado de 2025 já seria bom”.
A Autem começou atendendo pequenas empresas que atuam como misturadoras no interior do país, que muitas vezes não são atendidas pelas grandes distribuidoras.
Hoje, a companhia tem oito unidades de distribuição em oito estados diferentes, além da sede em Curitiba.
Outra aposta da empresa está nos escritórios instalados no exterior. Uma nas Ilhas Virgens Britânicas e outro na Zona Econômica de Ras Al Khaimah, nos Emirados Árabes Unidos.
“A ideia com esses escritórios é fazer a comercialização diretamente não só para o Brasil, mas para outros países também. É uma forma de diversificar receitas”, explica Moratelli.
Resumo
- Autem investe R$ 30 milhões em unidade na zona portuária de Paranaguá, com capacidade para até 75 mil toneladas de fertilizantes
- Empresa quer elevar o volume distribuído de 220 mil para 280 mil toneladas em 2026, apesar do cenário adverso do setor
- Estratégia inclui logística mais eficiente, serviços a terceiros e diversificação de receitas com escritórios no exterior