Enquanto busca, na Justiça do Paraná, abrir caminhos para manter sua proposta de reestruturação de dívidas através de uma recuperação extrajudicial, a rede de distribuição de insumos deu mais um passo na execução de seu plano de reduzir sua atuação na área de originação de grãos.
Nesse sentido, a companhia acaba de fechar mais um acordo com uma cooperativa paranaense em torno de suas unidades de recebimento e armazenagem de grãos.
A parceira desta vez é a Cocamar, de Maringá, que passará a operar, em regime de arrendamento, sete estruturas que pertencem à Belagrícola localizadas no estado de São Paulo.
Segundo apurou o AgFeed, o cotrato entre as duas partes envolve as unidades de recebimento nos municípios de Nantes, Iepê, Cruzália, Assis, Cândido Mota, Palmital e Ribeirão do Sul.
A intenção de avançar com a estratégia de menor exposição ao negócio de grãos foi confirmada pelo novo CEO da Belagrícola, Eron Martins, em entrevista exclusiva ao AgFeed, a única concedida por ele desde que assumiu o comando da rede, em 23 de fevereiro.
Martins havia antecipado na ocasião que havia negociações em torno dos ativos localizados em São Paulo, seguindo a mesma lógica de outras transações realizadas no mês passado, em que 19 unidades da empresa no Paraná foram objeto de contratos de prestação de serviços entre a Belagrícola e as cooperativas Coamo e Lar.
O que muda desta vez é que, ao invés de prestar serviços de recebimento e armazenagem, a Belagrícola repassa a operação à Cocamar, que por sua vez ficará responsável por esses serviços no caso dos grãos oriundos de operações de barter e contratos já firmados com produtores rurais com a empresa.
A Cocamar assumirá ainda a operação de duas outras unidades nos municípios de Sertaneja e Santa Mariana, no Paraná. Elas eram arrendadas pela Belagrícola junto à Granosul, mas seguindo a nova orientação do grupo, foram devolvidas ao proprietário, que por sua vez fez nova operação de arrendamento, agora para a cooperativa de Maringá.
O AgFeed também apurou que, apesar de deixar de operar as unidades de recebimento, a Belagrícola manterá, em endereços diferentes, a comercialização de insumos e a assistência técnica aos produtores rurais nas cidades paulistas, assim como em Sertaneja, no Paraná.
A tendência é que, independentemente do modelo adotado – prestação de serviços ou arrendamento – a Belagrícola se desfaça dos ativos de armazenagem, como forma de buscar capital necessário para o cumprimento das obrigações previstas no plano de recuperação extrajudicial apresentado aos credores.
As próprias cooperativas seriam as potenciais compradoras dessas estruturas – as conversas já foram iniciadas, paralelamente às parcerias já estabelecidas.
A Belagrícola também manteve – enquanto recorre da decisão da justiça paranaense de barrar a proposta de RE do grupo e determinar que ele opte entre a conversão em um processo de recuperação judicial ou a sua divisão em REs individuais para cada uma de suas empresas – a busca por adesões ao plano.
A intenção de Martins era protocolar esses apoios ainda esta semana, já que a Belagrícola já teria obtido a anuência dos credores detentores de mais de 50% dos R$ 2,2 bilhões que formam a dívida listada pela companhia no processo.
A decisão judicial, entretanto, retardou essa ação. Agora, os advogados da empresa trabalham na elaboração do recurso, usando como base a jurisprudência criada em caso semelhante, em que a Lavoro conseguiu reverter decisão que também havia determinado a interrupção de sua RE.