A Nutrien, multinacional canadense de fertilizantes, começou 2026 surfando uma onda favorável para os adubos em nível global. Com isso, registrou lucro maior, volumes recordes em potássio e melhora operacional em praticamente todas as divisões no primeiro trimestre.

Mas nem isso foi suficiente para agradar o mercado. As ações da companhia caíam mais de 7% na Bolsa de Nova York nesta terça-feira, 6 de maio, na manhã seguninte à divulgação do balanço, pressionadas por um resultado abaixo das expectativas de analistas, mesmo em um cenário operacional considerado positivo para o setor.

No trimestre, a Nutrien registrou lucro líquido de US$ 139 milhões, mais de sete vezes acima dos US$ 19 milhões registrados no mesmo período do ano passado.

O Ebitda ajustado da companhia somou US$ 1,1 bilhão entre janeiro e março, avanço de 20% na comparação anual. A receita líquida alcançou US$ 6 bilhões, crescimento de 19% no mesmo intervalo comparativo.

O desempenho veio apoiado principalmente pelo avanço especialmente do potássio, num momento em que o mercado global opera com estoques apertados e demanda aquecida em regiões importantes como Brasil, Estados Unidos e Índia.

Na divisão, a Nutrien registrou o maior volume de vendas de sua história para um um primeiro trimestre, com 3,5 milhões de toneladas comercializadas, alta de 3% em relação ao mesmo período do ano passado.

Os embarques foram sustentados pela recomposição global de estoques e pela demanda aquecida em mercados offshore, especialmente na América Latina e Ásia, informou a empresa.

A América Latina teve peso importante nesse avanço. Segundo a companhia, a região respondeu por 41% das vendas da Canpotex (joint venture de exportação de potássio da Nutrien), ante 31% um ano antes.

Além do maior volume, os preços também ajudaram. O preço médio líquido realizado do potássio subiu de US$ 219 para US$ 264 por tonelada. Com isso, o Ebitda ajustado da divisão saltou de US$ 446 milhões para US$ 578 milhões no período.

A empresa afirmou ainda que ampliou a produção de potássio nas minas canadenses e avançou nos projetos de automação, mantendo o custo operacional controlável abaixo de US$ 60 por tonelada. O indicador ficou em US$ 59 por tonelada no trimestre, ante US$ 60 um ano antes.

Na divisão de nitrogênio, o Ebitda ajustado avançou 19%, para US$ 482 milhões. A melhora veio principalmente dos preços globais mais elevados do elemento.

O preço médio líquido realizado no segmento subiu de US$ 337 para US$ 381 por tonelada, puxado por ureia, amônia e nitratos.

Os volumes totais, porém, recuaram de 2,47 milhões para 2,34 milhões de toneladas, refletindo a paralisação da unidade de Trinidad e o encerramento da planta de New Madrid, feito ao fim de 2025. Parte desse impacto foi compensada pelo aumento das vendas de nitratos e sulfatos após melhorias operacionais e eliminação de gargalos produtivos.

A Nutrien informou que o nível operacional das plantas norte-americanas de amônia ficou em 92%, levemente abaixo dos 98% do ano passado, mas dentro do planejado pela empresa.

Já a divisão de fosfato teve um trimestre mais pressionado. O Ebitda ajustado caiu 7%, para US$ 57 milhões, apesar do avanço de 35% na receita líquida, que alcançou US$ 485 milhões.

Segundo a Nutrien, o segmento sofreu principalmente com o aumento dos custos de enxofre, matéria-prima importante para produção de fosfatados. O custo por tonelada subiu de US$ 700 para US$ 726. Por outro lado, o volume total vendido aumentou de 500 mil para 658 mil toneladas.

No unidade de varejo, braço responsável pela distribuição de insumos e serviços aos produtores, a Nutrien teve um dos maiores crescimentos relativos do trimestre.

O Ebitda ajustado da divisão mais que dobrou, saltando de US$ 46 milhões para US$ 108 milhões. A receita líquida cresceu 18%, para US$ 3,64 bilhões.

A companhia atribuiu o desempenho ao maior volume de vendas de fertilizantes, defensivos e sementes, especialmente nos Estados Unidos e na Austrália, além de margens maiores em produtos proprietários.

Nos EUA, a empresa afirmou que o plantio começou mais cedo neste ano, acelerando a demanda por insumos agrícolas já no primeiro trimestre.

Já no Brasil, a Nutrien destacou que o milho safrinha sustentou a demanda por insumos e afirmou que produtores priorizaram compras de potássio ao longo do período. Mesmo com o mercado reagindo mal ao balanço, a companhia manteve todas as projeções para 2026.

A Nutrien segue prevendo embarques globais de potássio entre 74 milhões e 77 milhões de toneladas neste ano, sustentados por fundamentos que a empresa classifica como “apertados” na oferta global.

A companhia afirmou esperar que esses fundamentos se mantenham dessa forma ao longo de 2026, com tendências de demanda capazes de “testar as capacidades operacionais e da cadeia global de suprimentos”.

Parte dessa leitura passa justamente pela América Latina. A Nutrien vê continuidade da demanda no Brasil ao longo do ano, apoiada pela necessidade de reposição de nutrientes do solo após a safra recorde de 2025.

A empresa manteve também a projeção das vendas próprias de potássio entre 14,1 milhões e 14,8 milhões de toneladas em 2026. Para nitrogênio, a expectativa segue entre 9,2 milhões e 9,7 milhões de toneladas, enquanto fosfato deve ficar entre 2,4 milhões e 2,6 milhões de toneladas.

No varejo, a Nutrien reiterou guidance de Ebitda ajustado entre US$ 1,75 bilhão e US$ 1,95 bilhão no ano.

A companhia também afirmou que pretende investir entre US$ 2 bilhões e US$ 2,1 bilhões em 2026, incluindo cerca de US$ 400 milhões direcionados para automação de minas de potássio, expansão de projetos de nitrogênio e capacidades digitais no varejo.

A Nutrien afirmou que segue avançando na revisão de alternativas estratégicas para a divisão de fosfato, a unidade de nitrogênio em Trinidad e o negócio de varejo no Brasil.

Resumo

  • Em um ano, lucro da Nutrien saltou de US$ 19 milhões para US$ 139 milhões, com receita de US$ 6 bi
  • Potássio impulsiona resultado e bate recorde com 3,5 milhões de toneladas vendidas de janeiro a março
  • Mesmo com balanço forte, ações caem mais de 7% após resultado frustrar analistas