Ken Seltz, CEO da Nutrien, terminou a quarta-feira de cinzas com motivos de sobra para comemorar. A companhia canadense de insumos agrícolas apresentou números bastante positivos no fechamento do ano de 2025, com perspectiva de continuidade do momento favorável ao longo de 2026.

A Nutrien teve um lucro líquido de US$ 2,2 bilhões, alta de impressionantes 228% frente aos US$ 700 milhões aferidos em 2024. As vendas da companhia cresceram 4%, passando de US$ 25,9 bilhões em 2024 para US$ 26,8 bilhões em 2025. O Ebitda (sigla para Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado subiu 13%, chegando a US$ 6,0 bilhões, ante US$ 5,3 bilhões.

Houve aumento no volume de vendas na maioria dos segmentos da companhia. Nos produtos com potássio, a alta foi de 20%, chegando a US$ 3,5 bilhões. O Ebitda ajustado foi de US$ 2,2 bilhões, alta de 22% em relação ao ano anterior, sob benefício de preços mais altos e também de volume maior de vendas.

No segmento de nitrogenados, as vendas cresceram 17%, somando US$ 4,1 bilhões. O Ebitda ajustado cresceu 14%, atingindo US$ 2,1 bilhões, em função de preços mais altos, ainda que parcialmente compensado devido à redução de lucros com ações da Profertil.

Na área de fosfatados, a alta nas vendas foi de 5%, alcançando US$ 1,7 bilhão. O Ebitda ajustado recuou 1%, chegando a US$ 382 milhões, sob impacto do aumento do enxofre, custos de produção e volumes de vendas mais baixos.

No segmento varejista, houve queda de 1% nas venda, totalizando US$ 17,6 bilhões. O Ebitda ajustado da área subiu 2%, somando US$ 1,7 bilhão, em função de redução devido à redução das despesas operacionais, maior margem bruta de produtos próprios e ações estratégicas relacionadas ao Brasil.

Ao longo do ano passado, a Nutrien fez alterações em suas estruturas após apresentar resultados bastante fracos no fechamento de 2024.

Em dezembro passado, a companhia conseguiu concluir a venda de sua participação de 50% na fabricante de fertilizantes nitrogenados argentina Profertil, por aproximadamente US$ 600 milhões, com a transação finalizada em dezembro de 2025. Os compradores foram a Adecoagro e a Associação de Cooperativas Argentinas.

Em paralelo, a Nutrien também desmobilizou ativos no Brasil. Ainda no começo do ano passado, a empresa começou a trabalhar para a venda de suas cinco fábricas no país e, desde então, conseguiu vender pelo menos três desses ativos.

A primeira negociação envolveu a unidade de mistura e armazenagem de fertilizantes em Itapetininga (SP), vendida ao Grupo Equilíbrio em julho do ano passado. Mais recentemente, no começo deste ano, as plantas de Araxá (MG) e Cristalina (GO) foram adquiridas pela mineira Terrena Agronegócios, dando sequência ao processo.

“2025 foi um ano decisivo para nossa empresa, com desempenho excepcional em todos os nossos segmentos operacionais e uma redução nos custos e despesas de capital que superou nossas metas. Além de gerar crescimento estrutural do fluxo de caixa livre, tomamos medidas decisivas para otimizar nosso portfólio, fortalecer nosso balanço patrimonial e aumentar o retorno de caixa para os acionistas”, comentou Ken Seltz.

Projeções para 2026

A companhia também trouxe suas projeções para 2026. A Nutrien projeta vender entre 14,1 milhões e 14,8 milhões de toneladas de potássio em 2026, volume alinhado à expectativa de remessas globais da companhia.

Para fosfatados, a previsão varia de 2,4 milhões a 2,6 milhões de toneladas, refletindo ganhos de confiabilidade já capturados com projetos de expansão, otimização de produtos em nitrogênio e automação de minas na divisão de potássio.

No segmento de nitrogenados, a empresa estima vendas entre 9,2 milhões e 9,7 milhões de toneladas, considerando a ausência de produção nas unidades de Trinidad e Nova Madrid.

Ainda assim, a companhia avalia que os volumes permanecem consistentes com as taxas históricas, com perspectiva de crescimento de um dígito alto nos produtos próprios.

No varejo, a Nutrien prevê Ebtida ajustado entre US$ 1,75 bilhão e US$ 1,95 bilhão, sustentado por expansão estrutural das operações, melhora de margens brutas e avanço de um dígito médio nas vendas de nutrientes para culturas na América do Norte, além de condições climáticas mais favoráveis.

A empresa projeta ainda investir entre US$ 2 bilhões e US$ 2,1 bilhões, números em linha com 2025. Desse total, cerca de US$ 400 milhões serão destinados a produtos proprietários, otimização da rede e capacidades digitais no varejo, com foco em projetos de revitalização de baixo custo.

“Ao entrarmos em 2026, nossas prioridades permanecem inalteradas e esperamos consolidar nosso bom momento, apoiados por fundamentos sólidos do mercado de potássio, uma melhoria na margem de nitrogênio e maiores lucros no varejo. Estou entusiasmado com o extraordinário potencial da Nutrien, enquanto continuamos a posicionar a empresa para crescimento e resiliência a longo prazo”, projeta Ken Seltz, o CEO.

Projeções agrícolas e de consumo de fertilizantes

Como de costume, a Nutrien também trouxe projeções no lado agrícola e de consumo de fertilizantes.

A companhia espera que a área cultivada nos Estados Unidos continue em nível semelhante ao de 2025, com projeções de plantio de milho entre 94 e 96 milhões de acres e de soja entre 84 e 86 milhões de acres.

A projeção de área, combinada com uma temporada de aplicação de fertilizantes mais concentrada no outono de 2025, deverá impulsionar o aumento da demanda por insumos agrícolas por parte dos produtores americanos no primeiro semestre de 2026, diz a companhia.

Para o Brasil, a Nutrien espera novo recorde de produção de soja em 2026, com aumento também de 3% a 5% no plantio de milho safrinha.

O crescimento da área plantada deverá sustentar a demanda por insumos agrícolas no país, mas as dificuldades dos produtores brasileiros de acesso a crédito deverão resultar em compras just-in-time e uma contínua migração para produtos com menor teor de nitrogênio e fosfato, afirma a companhia.

A Nutrien também trouxe perspectivas específicas para o mercado de fertilizantes. A companhia lembra que as remessas globais de potássio somaram cerca de 74,5 milhões de toneladas em 2025, puxadas sobretudo pela forte demanda do Sudeste Asiático.

A expectativa da companhia é de um quarto ano consecutivo de crescimento em 2026, com volumes entre 74 milhões e 77 milhões de toneladas. Segundo a Nutrien, esse movimento é sustentado pela necessidade de recomposição de nutrientes do solo após uma safra recorde, pela maior atratividade relativa de preços e pelos baixos estoques em mercados estratégicos, como China e Brasil.

Com a demanda pressionando a capacidade operacional e logística disponível, a avaliação da Nutrien é de que os fundamentos devem permanecer firmes ao longo do ano.

No mercado de nitrogenados, a tendência é de crescimento alinhado às médias históricas, impulsionado pela expansão do consumo em regiões agrícolas dinâmicas, como Ásia e América Latina.

A oferta global de amônia deve seguir apertada, na avaliação da Nutrien, diante de atrasos em novos projetos e paralisações industriais. Já a ureia, de acordo com a companhia, ganhou força no primeiro trimestre de 2026, apoiada pela demanda sazonal robusta na Índia, América do Norte e Brasil, além de incertezas geopolíticas que impactam a oferta.

Os fosfatados, por sua vez, encerraram o quarto trimestre de 2025 em queda, refletindo demanda mais fraca diante de menor competitividade frente ao potássio e ao nitrogênio. O cenário, porém, mudou no início de 2026, com recuperação dos preços em meio a restrições de exportação impostas pela China e à elevação dos custos de produção.

Resumo

  • A Nutrien fechou 2025 com lucro líquido de US$ 2,2 bilhões, avanço de 228%, vendas de US$ 26,8 bilhões e Ebitda ajustado de US$ 6 bilhões, com crescimento puxado principalmente por potássio e nitrogenados
  • A companhia também acelerou a reorganização do portfólio, vendeu a participação na Profertil por cerca de US$ 600 milhões e avançou na desmobilização de ativos no Brasil, com a alienação de três fábricas
  • Para 2026, companhia projeta aumento de volumes em nutrientes, Ebitda mais robusto no varejo e capex de mais de US$ 2 bilhões