Nada mudará na operação da dsm-firmenich nos próximos meses. Pelo menos até o acordo de venda de 2,2 bilhões de euros com a gestora CVC sair do papel, a operação continuará "sem nenhuma alteração", sem mudança na rota de investimentos e estratégia de negócios.

Essa é a avaliação de Luiz Fernando Magalhães, presidente de Nutrição e Saúde Animal da dsm-firmenich para a América Latina, que conversou com o AgFeed na manhã desta terça-feira, 10 de fevereiro, em meio ao evento organizado pela empresa para divulgar o Censo de Confinamento 2025.

Na véspera, a empresa havia anunciado que vendeu seus negócios de nutrição e saúde animal para a gestora CVC, em transação avaliada em 2,2 bilhões de euros (cerca de R$ 13,6 bilhões), que ainda prevê que a dsm-firmenich mantenha uma participação acionária de 20% nas duas novas empresas que serão formadas com a compra.

"Até o final da concretização do negócio a gente continua focado em fazer o negócio da agropecuária crescer no Brasil, um país que tem papel mundial na alimentação. Continuaremos perto dos nossos clientes com foco, equipe focada e como sempre fizemos no mercado, não há nada que o cliente precise se preocupar", disse Magalhães.

Magalhães se mostrou animado com o movimento, citando que essa nova fase é motivo de "orgulho e positividade". "Para nós é importante pois define claramente a continuidade da estratégia que estamos adotando e a CVC Capital Partners é um fundo com presença global. Sem dúvida, um excelente aliado para fazer esse crescimento", acrescentou.

Na prática, a operação só "muda de mãos", em sua avaliação. O presidente da unidade ainda citou que a operação é um grande ganho para as três empresas envolvidas: a dsm-firmenich, a CVC e a nova companhia de nutrição animal criada com a aquisição. A expectativa é que o negócio seja concretizado até o final de 2026.

A continuidade nos negócios é explicada pelo perfil do comprador. Quando a venda foi especulada pela primeira vez no mercado, no início de 2025, a agência Bloomberg apontou, dentre os possíveis compradores da unidade, fundos como o CVC mas também concorrentes diretos no segmento como a ADM, Nutreco e Cargill.

Geralmente quando há esse tipo de incorporação, as empresas pregam uma mensagem de "sinergias", que, na prática, envolvem uma junção da operação e, em alguns casos, fechamento de unidades em meio a um processo tratado como "otimização".

"Não foi uma empresa que já está nesse negócio, e sim um fundo de investimento o comprador. E a gente já tem uma estratégia hoje que dá sucesso em termos de resultado. O que vai acontecer para o futuro, é como em qualquer empresa: a gente passa por variações ao longo do tempo", disse o presidente.

O comunicado divulgado na véspera pela companhia citou que a unidade de nutrição e saúde animal trouxe 3,5 bilhões de euros (algo próximo a R$ 21,6 bilhões pela cotação atual) em vendas para a dsm-firmenich em 2025.

Na prática, a área de nutrição e saúde animal da dsm-firmenich será dividida em duas empresas com sede na Suíça. A primeira, a Solutions Company, focará em soluções de performance, premix (mistura de nutrientes para ração) e serviços de precisão. A outra será a Essential Products Company, e abrangirá o portfólio de vitaminas, carotenoides e ingredientes de aroma.

Magalhães conta que, apesar da separação dos negócios, as operações já eram distintas dentro da dsm-firmenich. "São modelos de negócios diferentes. Você tem a área de soluções, que está focado em inovação e serviços de precisão, que agregam valor para o negócio dos nossos clientes. A outra área é a de produtos essenciais, e essa área vai continuar tendo a dsm-firmenich como cliente, atendendo o mercado humano", contou.

Apesar disso, ressaltou que os dois negócios permanecerão dentro do guarda-chuva de um único dono. "Pra mim, são só benefícios. São enfoques de ações estratégias diferenciadas para cada um dos negócios".

Focar em segmentos de saúde e nutrição humana é exatamente a justificativa da dsm-firmenich para realizar a venda.

No ano passado, a empresa já havia vendido a Feed Enzymes, subsidiária focada na produção de enzimas para saúde e nutrição animal, por 1,5 bilhão de euros, para a Novonesis.

"O novo movimento marca a etapa estratégica final para a dsm-firmenich tornar-se uma empresa totalmente focada no consumidor, atuante em nutrição, saúde e beleza. O valor total da empresa da ANH, incluindo a venda anterior das atividades de Feed Enzymes, representa 3,7 bilhões de euros", disse a companhia no comunicado publicado nesta segunda.

O ano que prossegue - em meio ao rito burocrático nos órgãos regulatórios para que o negócio seja confirmado - é animador para a dsm-firmenich. Segundo Luiz Magalhães, há uma "expectativa positiva" para a operação brasileira e latina.

"Há um mercado que tem uma demanda forte e vai continuar com essa demanda forte, não só dentro da América Latina, mas globalmente. Hoje há um equilíbrio muito grande, principalmente na carne de vaca, entre demanda e oferta", citou.

Mesmo com um cenário geopolítico incerto, principalmente com salvaguardas chinesas à carne bovina nacional, ele acredita em uma redistribuição de destinos.

Resumo

  • a dsm-firmenich vendeu sua unidade de nutrição e saúde animal para a gestora CVC Capital Partners por 2,2 bilhões, em anúncio feito na véspera
  • Mensagem é de continuidade da operação, que faturou 3,5 bilhões de euros globalmente no ano passado
  • No Brasil e América Latina, presidente da unidade prevê ano positivo, mesmo com salvaguardas chinesas