O desempenho da companhia de insumos biológicos Vittia no quarto trimestre de 2025 resume, em grande medida, o que foi o ano para a empresa, que viveu sob margens pressionadas, vendas crescendo de forma moderada e rentabilidade enfraquecida.
E de certa forma, o resultado da Vittia, a única de capital aberto listada na B3 focada no mercado de insumos biológicos, ajuda a entender melhor um pouco a conjuntura desse segmento como um todo, mais fraca do que na comparação com o começo da década.
Entre outubro e dezembro do ano passado, a receita líquida avançou 0,9% na comparação com o mesmo período de 2024. O Ebitda ajustado (sigla para lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), porém, recuou 25,6%, para R$ 45,6 milhões, enquanto o lucro líquido ajustado caiu 30,8%, totalizando R$ 32,1 milhões.
No acumulado de 2025, os números também vieram mais fracos. A companhia registrou receita líquida de R$ 820 milhões, alta de 4,2% em relação aos R$ 787,6 milhões do ano anterior. Já o Ebitda ajustado caiu 13,6%, passando de R$ 133,2 milhões para R$ 115,2 milhões. Com isso, a margem Ebitda recuou 2,9 pontos percentuais, de 16,9% para 14,0%. O lucro líquido ajustado, por sua vez, foi de R$ 60,2 milhões em 2025, queda de 20% em relação aos R$ 75,3 milhões de 2024.
De acordo com a Vittia, em mensagem da administração que acompanha os resultados, “a racionalidade nas decisões de compra ao longo da cadeia de insumos tornou-se
ainda mais evidente, reforçando a importância da disciplina operacional, da eficiência na gestão de capital e da proximidade com o produtor como pilares essenciais de competitividade”.
Entre as linhas de receita, o destaque positivo ficou com os fertilizantes de solo. No quarto trimestre, a categoria registrou avanço de 74,7%, com receita de R$ 79 milhões, ante R$ 45,2 milhões um ano antes. No acumulado do ano, a alta foi de 43,2%, alcançando R$ 263,5 milhões. A margem bruta desse segmento também melhorou, passando de 2,6% para 8,5%.
Nas demais linhas, contudo, o desempenho foi mais fraco. Em fertilizantes foliares, as vendas caíram 19% no quarto trimestre, para R$ 86,2 milhões. No ano, a retração foi de 12,4%, totalizando R$ 281 milhões. A margem bruta da categoria recuou de 25,8% para 21,3%, uma queda de 4,7 pontos percentuais.
Já na linha de soluções biológicas e naturais, as receitas operacionais líquidas diminuíram 10,7% no quarto trimestre, passando de R$ 104 milhões para R$ 92,8 milhões. No acumulado do ano, a queda foi de 2,3%, para R$ 275,3 milhões. A margem bruta desse segmento também recuou na comparação anual, de 63,3% para 58,6%.
As despesas gerais e administrativas da companhia apresentaram leve crescimento no ano, passando de R$ 177,5 milhões para R$ 179,9 milhões, alta de 1,3%. A Vittia diz que a alta menos acentuada se deve às iniciativas de racionalização e otimização de custos implementadas em 2024, cujos efeitos se mantiveram ao longo de 2025
No âmbito financeiro, a dívida líquida da companhia era de R$ 125,6 milhões no fim de 2025, 13,4% a menos do que no encerramento de 2024. A relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado permaneceu estável em 1,09 vez.
A XP Investimentos já esperava que a Vittia apresentasse números fracos no balanço. Em relatório assinado pelos analistas Leonardo Alencar, Pedro Fonseca e Samuel Isaak, a casa destaca que o crescimento da receita foi impulsionado principalmente pelos fertilizantes de solo, uma categoria de menor valor agregado.
Segundo os analistas, também chamou atenção a deterioração generalizada das margens brutas, com destaque para a divisão de soluções biológicas, cuja margem teria caído cerca de 10 pontos percentuais na comparação anual.
Mesmo com um lucro bruto acima do esperado – em 2025, foi de R$ 243,3 milhões, queda de 8,3% e, no quarto trimestre, foi de R$ 82,7 milhões, queda de 12,3% – a XP avalia que o efeito positivo foi compensado por despesas de vendas superiores às projeções.
No lado positivo, a casa destaca que a companhia registrou um consumo de caixa (cash burn) de R$ 7 milhões, melhor do que os R$ 17 milhões projetados pela corretora, devido a despesas financeiras menores que o previsto, embora, na avaliação da XP, isso ainda não seja suficiente para sustentar um otimismo estrutural maior no curto prazo.
Além disso, os analistas afirmam que a empresa continua gerindo sua política de crédito de forma eficaz, sem deterioração relevante do portfólio, apesar do enfraquecimento contínuo dos balanços dos produtores. “Na nossa visão, manter essa disciplina será crucial para atravessar o ambiente atual do setor”, afirmam.
Apesar dos resultados mais fracos, os investidores reagiram positivamente. As ações da Vittia na B3 acumulavam alta de 1,75% às 12h desta sexta-feira, dia 13 de março, cotadas a R$ 4,06. No ano, porém, os papéis ainda registram queda de 23,1%.
Resumo
- A Vittia teve crescimento modesto de receita em 2025, somando R$ 820 milhões, mas registrou queda relevante de Ebitda e lucro líquido
- O avanço das vendas foi puxado principalmente pelos fertilizantes de solo, categoria de menor valor agregado
- Analistas da XP destacam compressão generalizada das margens, mas apontam como positivo o menor consumo de caixa