Se a produção de tilápia cresceu quase 150% nos últimos dez anos, quem vende insumos para esta atividade também vai surfando na mesma onda. É o caso da indústria de ração animal, que vem desenvolvendo tecnologias específicas para a piscicultura.

A multinacional ADM, conhecida pela liderança global na comercialização de grãos, mantém no Brasil um total de 8 plantas para fabricar rações, nos estados de São Paulo, Paraná, Mato Grosso, Goiás, Pernambuco, Rio Grande do Sul e Rondônia.

Todas as fábricas produzem ração para diferentes espécies, como aves, suínos, bovinos de leite e corte, mas uma clientela em especial vem ganhando cada vez mais espaço: a piscicultura.

“O segmento cresce ano a ano e a nossa participação de mercado também cresce ano a ano. O peixe, nos últimos dez anos, está entre os principais negócios da ADM”, disse Ricardo Garcia, gerente de aquicultura da ADM, em entrevista ao AgFeed.

A conversa ocorreu durante a Aquishow 2026, em Uberlândia (MG), que terminou nesta quinta-feira, 11 de junho, reunindo grandes empresas envolvidas na cadeia aquícola.

Segundo a Garcia, há uma certa sazonalidade, com diferenças ao longo do ano, mas as vendas para os clientes da piscicultura chegam a representar mais de 50% da receita da empresa no segmento.

Mas sendo o Brasil o maior exportador de frango, a demanda para avicultura não deveria ser infinitamente maior? É a pergunta que fizemos para o executivo da ADM.

“É um modelo de negócio diferente”, respondeu ele.  “Suinocultura e avicultura estão muito vinculadas a integrações (com os frigoríficos). Então, o produtor já recebe a ração dessa empresa integradora. O peixe também tem um nicho de mercado grande em integração. Mas existe uma parcela gigante ainda do mercado de piscicultura que é o produtor independente”.

A explicação faz sentido. Cooperativas e grandes indústrias de aves e suínos costumam ter fábricas próprias de ração, o que no peixe agora começa a ocorrer também, mas ainda em ritmo lento.

O executivo explica que a proporção de produtores independentes na piscicultura é muito maior do que nas outras atividades.

Ele garante que, mesmo assim, os clientes da ADM vão desde aqueles que consome “50 mil sacos de ração até as key accounts, de 50 mil sacos”, ou seja, há pequenos produtores de peixes e também grandes empresas do setor.

As vendas de ração para a piscicultura em 2025, na ADM, aumentaram “entre 5% e 7%, um percentual que vem sendo mantido nos últimos anos e que também é previsto para 2026, segundo Garcia. “Acreditamos que sim porque está sendo um ano promissor, com grandes desafios, mas as perspectivas para o segmento são boas”.

Os “desafios” que o executivo menciona estão relacionados à dificuldade na exportação, em alguns casos e, principalmente, ao aumento nas importações de tilápia do Vietnã, como mostrou o AgFeed.

Por enquanto, o executivo diz que a ADM consegue absorver o crescimento na demanda apenas com a capacidade ociosa que as fábricas ainda têm, apenas ajustando turnos e investindo em equipamentos para melhorar a produtividade.

Será que o peixe, um dia, será para o Brasil, o “novo frango”? Ele confia que há potencial.

“Acredito muito que a proteína vinda do peixe vai competir com outras espécies,  pela qualidade nutricional, pelo fomento também que vem sendo feito, com grandes empresas, grandes grupos e cooperativas trabalhando muito forte nesse segmento. E a capacidade que o Brasil tem de produzir peixe é ainda gigante”, analisou ele.

Na Aquishow, a ADM anunciou uma mudança em seu portfólio. A marca Laguna, voltada a regiões produtoras de peixes nativos e carnívoros, passou a se chamar Nutripiscis. Segundo a empresa, a mudança faz parte da estratégia de oferecer soluções nutricionais mais completas, “com tecnologias adaptadas aos diferentes sistemas de produção e a todas as espécies de peixe”.

“O nosso portfólio atende desde um produtor mais extensivo até um produtor mais intensivo”, ressaltou Garcia.

A ADM possui centros de pesquisa de aquicultura no Brasil e também no Vietnã, o que permite uma troca de experiências no desenvolvimento das tecnologias.

Resumo

  • Multinacional ADM revela que piscicultura já responde por mais de 50% das vendas de rações da empresa no Brasil
  • Receita com a ração para peixes na companhia vem crescendo entre 5% e 7% ao ano, com boas perspectivas para 2026
  • Durante a Aquishow 2026, ADM anunciou que a marca Laguna passou a se chamar Nutripiscis, agora englobando produtos de nutrição para todos os tipos de peixe