Números fracos, anúncios fortes. Nos últimos trimestres, tem sido essa a rotina na divulgação dos resultados da FMC Corporation, uma das maiores companhias americanas de insumos agrícolas, com forte presença no Brasil.

No final de outubro passado, por exemplo, diante de uma queda de quase 50% em sua receita líquida e de um prejuízo de mais de US$ 500 milhões no terceiro trimestre de 2025, a empresa anunciou uma ampla troca de comando, com a saída do brasileiro Ronaldo Pereira do posto de presidente global da companhia.

Passados pouco mais de três meses, coube ao novo CEO, Pierre Brondeau, publicar outro documento com indicadores ruins e com uma manchete explosiva no release de resultados: “FMC Corporation define prioridades para 2026 e anuncia que explora opções estratégicas, incluindo, mas não limitando, a venda da companhia”.

O texto que segue informa que o Conselho de Administração da FMC, também presidido por Brondeau, autorizou a avaliação de uma série de alternativas e que essa possível venda está entre elas.

O objetivo dessas ações seria, segundo o documento, “desbloquear o valor para os acionistas e garantir que seu crescimento e portfólios principais estejam melhor posicionados para o sucesso a longo prazo”.

O valor de mercado da FMC é estimado atualmente em cerca de US$ 2 bilhões. Considerando a cotação de suas ações, negociadas na Bolsa de Nova York, isso representa cerca de 50% menos do que há um ano.

A “revisão estratégica” da companhia estaria, segundo o documento, em estágio preliminar, o que não garante que conduza a qualquer tipo de transação ao final desse processo.

"Nosso foco em 2026 é executar nossas prioridades operacionais, que incluem fortalecer o balanço patrimonial e melhorar a competitividade geral de nosso portfólio", disse Brondeau no comunicado.

Entre essas prioridades está o fortalecimento do balanço patrimonial através da redução de US$ 1 bilhão em dívidas através da venda de ativos e acordos de licenciamento.

Alguns desses movimentos já foram iniciados. No ano passado, a companhia havia anunciado a venda de sua unidade de negócios comerciais na Índia .

Além disso, a FMC afirma estar buscando “aprimorar a competitividade do portfólio principal da empresa e gerenciar a transição pós-patente do princípio ativo Rynaxypyr”, um de seus principais produtos.

Outros quatro princípios ativos lançados mais recentemente são vistos como estratégicos no atual momento. A companhia diz que eles são “únicos e transformadores” e que pretende continuar avançando na sua comercialização. Ao mesmo tempo, admite uma eventual negociação dessas patentes com outras empresas.

Os resultados que precipitaram as declarações são, mas uma vez, negativos. No total do ano, a FMC reportou receita de US$ 3,47 bilhões, uma queda de 18% em comparação com 2024. Olhando apenas o quarto trimestre, a redução foi de 12% em relação ao mesmo período de 2024, fechando em US$ 1,08 bilhão.

Segundo a companhia, a queda nas vendas foi impulsionada por um declínio de 6% nos preços, em grande parte em função da pressão por margens em negociações com distribuidores.

Houve até um pequeno aumento de volumes comercializados, de 1%, impulsionado, de acordo com a FMC, pelo aumento da demanda por novos ingredientes ativos e pela expansão do acesso ao mercado no Brasil.

Na última linha do balanço, a empresa contabilizou um prejuízo líquido anual de US$ 2,24 bilhões. Isso representou uma redução de US$ 2,58 bilhões em relação ao ano anterior, atribuída a uma “baixa contábil do ágio e por encargos e ajustes registrados em conexão com os negócios ‘mantidos para venda’ na Índia” .

O Ebitda ajustado para o ano completo foi 7% inferior ao de 2024, marcando US$ 843 milhões. A FMC informou que os custo favorável dos produtos vendidos e o crescimento de novos ingredientes ativos foram “mais do que compensados” pela queda nos preços, pela descontinuação das operações na Índia a partir do segundo semestre de 2025 e pelo impacto negativo da variação cambial.

Para 2026, o quadro não é animador. A previsão de receita indicada no guidance divulgado pela companhia é de US$ 3,60 bilhões a US$ 3,80 bilhões. Isso, significa uma queda de 5% no ponto médio em comparação com o ano anterior. O Ebitda ajustado deverá ficar entre US$ 670 milhões e US$ 730 milhões, queda de 17%.

Resumo

  • A FMC confirmou que estuda “opções estratégicas”, incluindo a possível venda da empresa ou de ativos
  • A decisão vem após resultados fracos, com queda de receita, prejuízo bilionário e redução do valor de mercado
  • Para 2026, a companhia projeta novo recuo de receita e Ebitda, reforçando a pressão sobre a administração