A multinacional de fertilizantes Mosaic já havia previsto um fechamento de ano difícil há cerca de um mês, quando divulgou sua prévia de resultados. Na época, chegou a citar inclusive uma "deterioração" do mercado brasileiro de fertilizantes".

Dito e feito: a empresa registrou prejuízo líquido de US$ 519 milhões no quarto trimestre de 2025, revertendo um lucro líquido de US$ 169 milhões no ano anterior.

No balanço, o CEO, Bruce Bodine, citou que o quarto trimestre negativo foi reflexo de uma "demanda postergada e os custos mais altos de matérias-primas", mas reforçou uma recuperação na demanda nos próximos meses.

Para além da dificuldade operacional, o prejuízo do quarto trimestre ainda foi impactado por um impairment das operações de mineração de potássio em Carlsbad, nos EUA, que foi vendida, além de imobilização de ativos no Brasil.

Em dezembro, a empresa anunciou que paralisou a produção do fertilizante superfosfato simples (SSP) em suas unidades de Fospar, em Paranaguá (PR), e Araxá (MG). A decisão foi tomada, de acordo com a própria Mosaic, em função do aumento recente e significativo nos preços do enxofre, insumo utilizado no processo produtivo.

Apesar disso, fechou o ano com um resultado positivo e muito melhor do que o visto em 2024. No balanço divulgado no final da terça-feira, 24 de fevereiro, a empresa informou que teve lucro líquido de US$ 541 milhões de janeiro a dezembro de 2025, um avanço de mais de três vezes frente aos US$ 175 milhões registrados no ano anterior.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação) ajustado em 2025 totalizou US$ 2,4 bilhões, um aumento de 10% em relação a 2024.

"O número foi impulsionado por preços e volumes de vendas mais altos no segmento de Potássio, expansão de margem na operação brasileira (Mosaic Fertilizantes) e melhoria das margens na Índia e na China", disse a empresa.

As vendas líquidas da Mosaic somaram US$ 3 bilhões no quarto trimestre e US$ 12,1 bilhões no acumulado de 2025, aumentos de 7,1% e 9%, respectivamente, na comparação com o mesmo período e com o ano completo de 2024.

Do lado negativo, citou vendas menores no segmento de fosfato. Outro fator que impulsionou os resultados para cima foi um "programa de captura de valor", que trouxe US$ 150 milhões aos resultados no ano passado. A Mosaic aponta que conseguiu custos mais baixos de rocha misturada, vendeu mais coprodutos e reduziu o descarte.

A operação brasileira somou vendas de US$ 4,8 bilhões, uma alta frente aos US$ 4,4 bilhões de 2024, reflexo direto de preços mais altos. O balanço informa que o volume vendido foi igual - 9 milhões de toneladas -, mas com uma margem bruta por tonelada 22% maior em um ano, passando de US$ 45 para US$ 55.

Essa margem chegou a apenas US$ 10 no último trimestre, muito abaixo da média anual, e ajuda a explicar a foto difícil do fechamento do ano.

"Os volumes de vendas do quarto trimestre e a margem de distribuição por tonelada foram impactados pela intensificação da concorrência e pelo aperto nas condições de crédito. A Mosaic continuou a adotar práticas prudentes de gestão de riscos e a priorizar as vendas para clientes com perfis de crédito sólidos", diz a empresa.

A empresa reforçou que interrompeu a produção nas unidades brasileiras pelo aumento do enxofre, e citou que esse é um fator que pode prejudicar as margens de produção em 2026. Segundo a Mosaic, as plantas - Fospar e Araxá - representam 30% da produção da companhia no País.

"Continuamos avlaiando os planos de produção à medida que as condições desse mercado evoluam", afirmou. Apesar do final de ano difícil, a empresa citou que o share de mercado continuou estável no Brasil.

A empresa também informou que espera que o volume de vendas do primeiro trimestre deste ano fique abaixo do anotado no ano passado, ainda reflexo dos desafios de crédito e da redução da produção de enxofre. A companhia espera que o Ebitda ajustado desse primeiro trimestre fique abaixo de US$ 50 milhões na operação nacional.

Olhando para as operações globais, o segmento de fosfatados somou US$ 4,6 bilhões em vendas, leve alta em um ano, enquanto que a operação de potássio trouxe US$ 2,7 bilhões ao resultado, também mostrando leve alta.

Para esse primeiro trimestre, a projeção é vendas entre 1,7 milhão e 1,9 milhão de toneladas no fosfato e entre 2 milhões e 2,2 milhões de toneladas no potássio.

Em Nova Iorque, os investidores reagem mal ao quarto trimestre da empresa, e a ação negociada na NYSE recua 6% nesta tarde. O lucro por ação reportado no último trimestre de 2025 - de 22 centavos por ação - foi menos da metade do esperado pelos analistas em Wall Street.

Resumo

  • A Mosaic reverteu lucro de US$ 169 milhões e registrou prejuízo de US$ 519 milhões no 4º trimestre, pressionada por impairment nos EUA, paralisações no Brasil e margens menores na distribuição
  • No acumulado de 2025, porém, o lucro líquido triplicou para US$ 541 milhões, com Ebitda ajustado de US$ 2,4 bilhões, impulsionado por preços e volumes mais fortes em potássio e expansão de margens no Brasil
  • A operação brasileira vendeu 9 milhões de toneladas, com margem bruta média 22% maior no ano, mas fechou o último trimestre com apenas US$ 10 por tonelada e perspectiva fraca para o início de 2026