Início de ano nada fácil para a Mosaic. Mesmo com um avanço na operação de potássio, a divisão brasileira da empresa viu margens despencarem em meio à alta do enxofre, restrição de crédito e redução de volumes.
O resultado foi visto no balanço divulgado nesta segunda-feira, 11 de maio, com a divulgação de um prejuízo líquido de US$ 258 milhões no primeiro trimestre em toda a operação global, revertendo o lucro de US$ 238 milhões registrado um ano antes.
O resultado foi fortemente impactado por US$ 442 milhões (cerca de R$ 2,1 bilhões pela cotação atual) em despesas relacionadas à paralisação das unidades de Araxá e Patrocínio, em Minas Gerais.
A Mosaic inclusive anunciou no início de abril que colocou a unidade de Araxá a venda. A planta está paralisada desde dezembro.
O cenário de dificuldade no Brasil minimizou a alta do faturamento a nível global. Segundo o documento, a receita líquida de vendas somou US$ 3 bilhões no trimestre, alta de 15,4% em relação aos US$ 2,6 bilhões registrados um ano antes.
Também no consolidado global, o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação) ajustado, que ainda excluiu esses itens extraordinários, somou US$ 416 milhões no trimestre, queda de 23,5% frente ao mesmo período de 2025.
O segmento Mosaic Fertilizantes - divisão que engloba os negócios da companhia no Brasil - registrou Ebitda ajustado de US$ 79 milhões, recuo de 35% na comparação anual.
Apesar da receita estável em US$ 937 milhões, a rentabilidade da operação brasileira desabou. A margem bruta por tonelada caiu de US$ 69 para apenas US$ 22 em um ano.
Segundo a companhia, o principal fator foi a compressão das margens de distribuição no Brasil em meio às restrições de crédito no agronegócio, cenário que vem limitando compras e aumentando a competição entre distribuidoras de fertilizantes.
No balanço, a Mosaic cita que o cenário de crédito restrito prejudicaram as margens de distribuição no período, mesmo que tenham sido melhores do que no fechamento de 2025.
"As margens foram impactadas negativamente na produção de fertilizantes pelos elevados custos do enxofre, pela composição do produto e câmbio. O custo caixa de conversão do fosfato por tonelada foi em média de US$ 113, em comparação com US$ 87 no primeiro trimestre de 2025", diz a empresa.
Somado a isso, o balanço afirma que o enxofre chegou recentemente a patamares acima de US$ 1,2 mil por tonelada no mercado global, em meio a problemas logísticos e restrições de oferta.
Os volumes vendidos pela Mosaic Fertilizantes também recuaram. Em volumes, a empresa vendeu 1,6 milhão de toneladas no trimestre, uma queda frente ao 1,8 milhão visto de janeiro a março do ano passado. Os volumes de produtos produzidos no Brasil recuou, em um ano, de 700 mil para 600 mil toneladas.
Do lado positivo, o preço médio de venda dos fertilizantes avançou de US$ 452 para US$ 527 por tonelada, compensando parcialmente a piora operacional.
Em relação a Araxá, a perspectiva é que a paralisação e desmobilização da unidade possam, no longo prazo, melhorar o custo unitário dos produtos.
A Mosaic ainda citou que está avaliando "taxas de operação de produção" no segundo trimestre, e por isso, não forneceu nenhuma projeção de Ebitda para o período.
Em uma entrevista recente ao AgFeed, o country manager da empresa no País, Eduardo Monteiro, fez questão de frisar que o Brasil continua como um dos maiores focos da Mosaic.
Ele relembrou que, quando anunciou a paralisação de Araxá, fez o mesmo com a unidade Fospar, de superfosfato simples (SSP), em Paranaguá (PR). Só que diferente da operação mineira, a paranaense voltou à ativa. "Na Fospar, nós voltamos. Em Araxá, não voltamos porque a situação só se deteriorou", disse.
"O nosso compromisso com o Brasil é inabalável", afirmou. "As mudanças que nós fizemos são pontuais em termos de diversificação de portfólio, para aumentar nosso nível de retorno. Porém, nosso compromisso de longo prazo permanece, aumenta, e o nosso desafio agora é ampliar nossa participação nesse mercado".
Alta no potássio compensa baixa nos fosfatados
Fora do Brasil, o segmento global de potássio ajudou a amortecer parte da deterioração dos resultados. O Ebitda ajustado da divisão subiu de US$ 240 milhões para US$ 275 milhões no trimestre, impulsionado principalmente pela alta dos preços internacionais.
A receita do segmento avançou 17%, para US$ 667 milhões, impulsionada, segundo a empresa, por preços mais altos que compensaram custos de produção mais elevados.
O preço médio do cloreto de potássio subiu de US$ 223 para US$ 265 por tonelada, refletindo um mercado global mais apertado. Já o custo de produção de potássio (MOP) por tonelada foi de US$ 84 no primeiro trimestre, um aumento em relação aos US$ 78 do mesmo trimestre do ano anterior, impactado por uma valorização do dólar canadense e por mais despesas com royalties.
O volume de vendas do primeiro trimestre totalizou 2,2 milhões de toneladas, em comparação com 2,1 milhões de toneladas no mesmo período do ano anterior. O volume de produção do primeiro trimestre, de 2,2 milhões de toneladas, manteve-se estável em relação ao primeiro trimestre de 2025.
A Mosaic prevê custos de produção menores no potássio ao longo do ano. Nas vendas, a projeção é que o volume do segundo trimestre fique entre 1,9 milhão e 2,1 milhões de toneladas, com preços realizados de MOP na porta da mina entre US$ 260 e US$ 280 por tonelada.
No balanço, a multinacional pontuou que China e Brasil registraram importações recordes de potássio no primeiro trimestre, em meio à recomposição de estoques agrícolas.
A operação de fosfatados foi um pouco mais pressionada. Mesmo com volumes vendidos crescendo de 1,5 milhão para 1,9 milhão de toneladas de um ano para cá, o segmento sofreu com o aumento de custos de amônia e enxofre, além de paradas programadas de manutenção.
Com isso, o Ebitda ajustado da divisão caiu de US$ 276 milhões para US$ 115 milhões no trimestre.
Segundo a empresa, a combinação entre interrupções logísticas globais, custos elevados de matérias-primas e restrições nas exportações chinesas tem criado um mercado de fosfato mais volátil e pressionado.
A receita líquida do segmento até aumentou de US$ 1,1 bilhão para US$ 1,4 bilhão de janeiro a março de 2026, o problema foi um aumento de US$ 280 milhões nos custos da matérias-primas.
De acordo com a Mosaic, o impacto desses insumos no custo dos produtos vendidos foi, em média, de US$ 379 por tonelada para enxofre e US$ 626 por tonelada para amônia no primeiro trimestre de 2026.
Em volumes, foram comercializados 1,9 milhão de toneladas no primeiro trimestre deste ano, um aumento em relação aos 1,5 milhão de toneladas do mesmo período do ano anterior.
A companhia também reduziu sua projeção de investimentos para 2026, agora estimada em US$ 1,25 bilhão, refletindo "adiamento de projetos considerados menos urgentes".
Além da venda da unidade de Araxá, a empresa cita que iniciou cortes parciais de produção nas unidades de Louisiana e Bartow.
Resumo
- Mosaic reverte lucro e registra prejuízo de US$ 258 milhões após impacto de US$ 442 milhões negativos com paralisações no Brasil
- Margem da divisão brasileira despenca de US$ 69 para US$ 22 por tonelada vendida
- Do lado positivo, operação de potássio avança com preços mais altos e importações recordes de Brasil e China