Primavera do Leste (MT) – De olho em melhorar a logística, estando mais próxima dos pecuaristas do Vale do Araguaia e de outras regiões de Mato Grosso e alavancar sua presença no mercado de suplementos minerais, a Cargill Nutrição e Saúde Animal inaugurou, nesta quarta-feira, dia 25 de fevereiro, sua primeira fábrica de suplementos minerais para bovinos de corte no estado, em Primavera do Leste (MT).

A unidade, que foca em produtos da marca Probeef, tem capacidade de produzir até 150 mil toneladas de suplementos e está anexa à esmagadora de soja que a Cargill já possui no município.

O investimento na nova planta não foi revelado pela companhia, mas, em um primeiro momento, ao anunciar o aporte, em 2023, a empresa previa um aporte de R$ 100 milhões na estrutura.

A empresa possuía outra planta de suplementos minerais, em Goianira (GO), que atendia aos produtores locais, mas a distância de mais de 500 quilômetros entre os dois municípios dificultava o envio dos produtos.

Agora, a companhia vai conseguir atender, com a nova unidade, produtores de Mato Grosso e também de outros estados como Rondônia, Acre e Sul do Pará.

“Logística é o principal fator para a implantação da fábrica. Para suplementação de gado de corte, usamos matéria prima vegetal, retirar esse produto daqui e levar para Goianira e voltar para o cliente tem uma logística brutal”, explicou Tiago Zarpelon, líder comercial de Bovinos de Corte da companhia, em entrevista a jornalistas.

A Cargill optou por montar uma planta greenfield – ou seja, construída do zero – ao invés de adquirir uma fábrica, mesmo inserida em um mercado concorrido: são pelo menos 30 empresas operando no ramo de nutrição animal só em Mato Grosso.

“Acreditamos que fazia mais sentido uma fábrica do zero do que adquirir uma outra. As opções que existiam no mercado não tinham fit cultural conosco”, afirma Celso Mello, vice-presidente de nutrição e saúde animal para América do Sul na Cargill.

Com a nova fábrica, a Cargill conseguirá atender à crescente demanda por suplementação mineral entre pecuaristas que vem tecnificando sua produção e também agregar a produção de grãos.

“É o caso, por exemplo, do sal proteinado, que é o sal que o produtor já usa, mas com proteína, seja uréia ou farelo de soja”, diz. A instalação da planta de Primavera do Leste representa um passo relevante da companhia para alavancar sua presença no mercado de suplementos minerais para pecuária de corte, no qual entrou em 2017.

Até então, a empresa concentrava suas operações principalmente na nutrição para confinamentos. Mesmo com relativamente pouco tempo de atuação nesse novo nicho, a Cargill vem consolidando presença no mercado de suplementação mineral.

No ano passado, por exemplo, a companhia conseguiu ter um crescimento nesse mercado em um momento em que os concorrentes apresentaram retração, conta Tiago Zarpelon. “No ano passado, fomos meio na contramão do mercado e crescemos bem”, disse, ainda que sem revelar números exatos.

Atualmente, os executivos da companhia estimam que a Cargill possui 5% do mercado de suplementos minerais para pecuária e pretende acelerar esse percentual de market share a partir da nova planta e de outros investimentos.

“Estamos entre os cinco maiores do mercado, entre o terceiro e o quinto lugar. Em dois anos a gente tem que estar em terceiro mesmo. E a ideia é sermos os líderes em algum momento”, afirma Celso Mello.

O momento atual é de crescimento da área de bovinos de cortes como um todo, segundo o executivo. “O negócio de bovinos de corte cresceu dois dígitos em volume de vendas em relação ao ano anterior”, diz. Para 2026, a ideia é manter o ritmo de crescimento.

“Humildemente, a gente tem que crescer dois dígitos de novo”, projeta o executivo. Para Zarpelon, a potencial virada do ciclo da pecuária contribui para a perspectiva positiva para o ano.

“A gente já vê sinais fortes da virada do ciclo e isso acaba trazendo maior rentabilidade para a cria, que é um setor que a gente acredita muito, que é de onde começa todo o sistema, e a gente acredita que seja um ano positivo”, diz.

Integração da Mig-Plus

Do ponto de vista estratégico, a instalação da fábrica em Mato Grosso chama a atenção por se diferenciar do plano adotado pela Cargill no Rio Grande do Sul no ano passado.

Em julho de 2025, a companhia anunciou, por valor não revelado, a aquisição da empresa Mig-Plus há dois anos para intensificar sua presença no mercado de nutrição para suinocultura.

A gaúcha Mig-Plus está no mercado desde 1991, tem força no mercado de nutrição para suínos e vinha crescendo nos últimos anos, com planos de expansão para o Paraguai, como mostrou o AgFeed em agosto de 2024. A integração da companhia tem sido positiva, diz Celso Mello.

“Tivemos uma grata surpresa. Ainda estamos conhecendo as pessoas e reconhecendo a área, mas a chegada da Mig-Plus está sendo até acima da nossa expectativa”, afirma.

A ideia da Cargill é de complementar a operação da empresa gaúcha com a da multinacional, explica Mello. Por esse motivo, segundo ele, a Cargill optou por manter as operações e as marcas separadas.

"O modelo de negócio deles é diferente do nosso. E há uma complementaridade. As duas têm suas vantagens e características. Não faz sentido a gente abafar uma empresa em detrimento da outra”, diz.

Ao todo, – já considerando a fábrica de Primavera do Leste e também as duas unidades da Mig Plus em Casca (RS) – a Cargill possui nove plantas no Brasil e mais uma na Argentina.

Nas fábricas de Primavera do Leste e Goianira, a operação é voltada para suplementação mineral. Em Itapira (SP), são produzidos premixes e núcleos para as quatro espécies, assim como em Toledo (PR).

Também no Paraná, a Cargill possui duas duas fábricas de ração voltadas exclusivamente para suínos. Ainda na região Sul, a companhia possui uma unidade em Chapecó (SC), que produz núcleos e premixes para as quatro espécies.

O repórter viajou a convite da Cargill Nutrição e Saúde Animal

Resumo

  • A Cargill inaugurou em Primavera do Leste (MT) sua primeira fábrica de suplementos minerais para bovinos de corte no estado, com capacidade para 150 mil toneladas e foco em ganhar escala no Centro-Oeste e no Vale do Araguaia
  • A nova planta aproxima a produção dos pecuaristas e reduz custos logísticos, mirando ampliar o market share — hoje estimado em 5% — em um mercado com ao menos 30 concorrentes só em Mato Grosso
  • De olho na virada do ciclo da pecuária e em crescimento de dois dígitos, a companhia aposta na expansão orgânica no Centro-Oeste e na complementaridade com a operação da Mig-Plus, adquirida para reforçar sua presença em nutrição animal no Sul

Unidade foca em produtos da marca Probeef, possui capacidade de produzir até 150 mil toneladas de suplementos e está anexa à esmagadora de soja que a Cargill já possui no municipio.