Cascavel (PR) - Na tarde desta quarta-feira, dia 11 de fevereiro, o sino tocou algumas vezes no estande da Syngenta na Show Rural, feira de insumos e máquinas agrícolas realizada pela cooperativa Coopavel em Cascavel (PR) ao longo desta semana.
Cada toque simboliza uma venda fechada. E embala, com um ambiente favorável de negócios, os planos da companhia de acelerar, nos próximos anos, a expansão de sua área de biológicos.
Em entrevista ao AgFeed, Igor Lyra, head de produtos biológicos e seedcare da Syngenta, diz que a companhia vem dobrando de faturamento nesse segmento desde que a divisão foi criada, há três anos, e projeta aumentar em quase 30% o tamanho do portfólio até 2030. "Queremos ser a número 1 em biológicos", resume Lyra.
O dado chama atenção porque o avanço ocorre justamente em um momento de redução do ritmo de crescimento do mercado de biológicos.
Ainda que em expansão, o segmento perdeu parte do ímpeto observado nos anos anteriores: na safra 2024/2025, o mercado de biodefensivos cresceu 18%, alcançando R$ 4,35 bilhões, segundo levantamento da Kynetec Brasil.
"Em 2025, especificamente, crescemos três vezes em relação ao que o mercado cresceu", disse Lyra. "Mas ainda é um negócio relativamente pequeno ainda na companhia. Estamos em um momento ainda de tracionar os negócios."
Para trazer opções diversas aos produtores, a companhia se prepara para ampliar seu portfólio de produtos até 2030, passando de cerca de 47 itens para 60, diz Lyra.
Só neste ano a Syngenta pretende lançar três novos produtos com foco na eficiência de utilização de nutrientes por parte das plantas. No ano passado, também foram lançados três produtos.
Esses itens, de acordo com Lyra, estão em linha com o sentimento atual do produtor.
"Num momento de crise, o fertilizante é caro. A gente não está falando para ele reduzir o adubo, não é isso, mas assegurar que a planta vai otimizar o adubo", diz.
O ritmo de crescimento projetado está apoiado tanto no tamanho do mercado quanto no apetite por investimento. “O mercado é grande, ele cabe. Não é criar um mercado que não existe”, afirmou.
Ao mesmo tempo, ressaltou que a companhia vem direcionando recursos relevantes para inovação. “Biológicos estão no mesmo nível de investimento que os grandes lançamentos da companhia. Tem investimento alto para isso.”
Não à toa, a companhia fez um aporte milionário, de pelo menos R$ 65 milhões, ao lançar, no segundo semestre de 2024, um centro de tecnologia e engenharia de produtos em Paulínia (SP), a primeira estrutura do gênero na América Latina
Até então, a companhia tinha estruturas desse tipo nos Estados Unidos, Suíça, Inglaterra, China, Índia e Cingapura.
A companhia informou, à época, que conseguiria ampliar em 35% a capacidade de produção, abrangendo o desenvolvimento de formulações, tecnologia de aplicação, engenharia de embalagem e de processos.
O centro de tecnologia brasileiro proporcionou ainda o desenvolvimento de produtos em Paulínia que antes eram importados e agora poderão ser fabricados, das primeiras análises ao produto final, no interior paulista.
A vantagem para a Syngenta é que toda a inovação que produz é assimilada rapidamente pelo produtor, que cada vez mais vem aceitando trabalhar com insumos biológicos
"A gente tem dados positivos de produtos nossos gerando 11 sacas a mais de produtividade por hectare”, afirma Lyra. “Ou seja, o agricultor já entende que funciona. Essa discussão de se funciona ou não funciona, acho que já passou."
Ainda que tenha o objetivo de ser líder em biológicos, a companhia não pretende fazer novas aquisições para alcançar a liderança nesse segmento após abocanhar alguns grandes nomes do setor.
Em 2020, a empresa comprou a italiana Valagro, nome conhecido do mercado, para se embrenhar no mundo dos biológicos. Já no ano passado, comprou a startup Intrinsyx Bio, dos Estados Unidos, e também fez a aquisição do repositório de compostos naturais e linhagens genéticas da Novartis para uso agrícola.
“Não é o momento de compras. A ideia nossa é otimizar agora o que a gente tem de investimento, já que investimentos bastante. A hora é de dar celeridade ao que a gente já fez para poder capturar esse valor que existe”, diz.
Resumo
- A Syngenta projeta ampliar em quase 30% seu portfólio de biológicos até 2030 e quer se tornar líder do segmento no Brasil
- Mesmo com desaceleração do mercado, a empresa afirma ter crescido três vezes mais que o setor em 2025, com foco em eficiência nutricional
- A estratégia inclui forte investimento em inovação, como o centro tecnológico de R$ 65 milhões em Paulínia (SP), que amplia a produção e o desenvolvimento local