A taxa Selic elevada até jogou contra, mas o crédito rural privado fechou 2025 em alta. De acordo com dados do Boletim de Finanças Privadas do Agro, do Ministério da Agricultura e Pecuária, a soma dos estoques de CPRs, LCAs, CDCAs, CRAs e Fiagros encerrou 2025 em R$ 1,41 trilhão.

O número mostra um avanço de 16% em um ano. O documento mostra alta em todos os tipos de título de dívida, sendo que o aumento mais acelerado se deu nas CPRs, que cresceram 18% em uma no e atingiram R$ 562,9 bilhões.

Foram 398 mil certificados com um ticket médio de R$ 1,4 milhão, alta de 2,3% em um ano. O crescimento acelerado das CPRs está ligado a uma mudança de percepção do mercado sobre o instrumento.

Em artigo recente publicado no AgFeed, Luiz Cláudio Caffagni e Amauri de Oliveira escrevaram que, embora as CPRs já sejam amplamente utilizadas como lastro de outros títulos (LCAs, CRAs, CDCAs e Fiagros), o mercado passou a enxergar valor crescente na própria CPR, principalmente na modalidade com liquidação financeira.

Na prática, esse tipo de CPR é capaz de conectar diretamente produtores e investidores com mais eficiência e menos intermediação. A combinação da Lei do Agro com as normas da CVM “elevou a CPR-F a um novo patamar”, disseram os especialistas no artigo. Só no ano passado, duas gigantes do setor florestal testaram o humor do mercado com esse tipo de operação.

A Klabin captou R$ 1,5 bilhão e a Suzano R$ 2 bilhões em operações que eliminaram, por exemplo, securitizadoras da jogada.

Apesar do avanço, o título de dívida com maior representatividade no bolo ao final de 2025 foi a LCA, que avançaram 16% em um ano e somam R$ 600,15 bilhões em estoques. Do total, R$ 360,09 bilhões foram reaplicados no financiamento rural, 39% mais do que um ano antes.

Os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs), por sua vez, subiram 17%, para um estoque de R$ 178,39 bilhões em dezembro.

Em uma reportagem do AgFeed publicada no início do ano, especialistas comentaram que o avanço dos CRAs está ligado a uma "corrida" nas emissões diante de um receio novamente de mudanças tributárias a partir deste ano.

Esse movimento trouxe emissões multibilionárias ao longo do ano, como a Seara que emitiu R$ 3,75 bilhões numa emissão com vencimentos em até 50 anos. Além dela, a Minerva e a BRF captaram mais de R$ 2 bilhões cada ao longo do ano.

Já o estoque dos Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCA) recuou 16%, a R$ 31,86 bilhões ao fim de dezembro.

Nos Fiagros, o boletim leva em consideração o patrimônio dos fundos até março de 2025 devido à nova regulamentação proposta pela CVM. Até lá, o patrimônio líquido desses veículos era de R$ 43,1 bilhões.

Resumo

  • A soma de CPRs, LCAs, CRAs, CDCAs e Fiagros fechou 2025 em R$ 1,41 trilhão, com crescimento generalizado e aceleração mais forte nas CPRs
  • LCAs seguem como o maior estoque do mercado, com R$ 600 bilhões, enquanto CRAs avançaram com emissões bilionárias e CDCAs recuaram no ano
  • As CPRs chegaram a R$ 562,9 bilhões, com 398 mil certificados e ticket médio de R$ 1,4 milhão, impulsionadas pela CPR-F e por operações diretas de grandes grupos