O secretário da Agricultura de São Paulo, Guilherme Piai, confirmou que, “em breve” e ainda em 2025, o governo paulista iniciará o processo de venda de áreas dos institutos de pesquisa agropecuária do Estado. Segundo ele, a primeira delas será a Unidade de Pesquisa e Desenvolvimento em Agricultura Ecológica, em São Roque.

Com 436,4 mil metros quadrados e valor estimado de R$ 107,431 milhões pelo Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp), o centro foi o primeiro das 25 unidades de pesquisas da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA) na mira do governo para fazer caixa.

“Agora vai ser feita a audiência com a comunidade científica, dia 10 de abril. Estou seguindo os passos normais de áreas ociosas, áreas que só dão dor de cabeça, que não dão retorno nenhum para o Estado e onde não tem pesquisa”, disse Piai após participar de um painel no Cana Summit, em Brasília (DF).

De acordo com o secretário, a área seguinte a ser vendida seria a da Unidade de Pesquisa e Desenvolvimento de Gália, no município na região central do Estado de São Paulo, “e outras áreas que são 100% improdutivas”.

Pressionado por pesquisadores e representantes do agronegócio, Piai afirmou que suspendeu a venda da Fazenda Santa Elisa, em Campinas (SP), centro de pesquisa referência em várias áreas agrícolas ligado ao Instituto Agronômico (IAC), e do Centro Avançado de Pesquisa e Desenvolvimento de Engenharia e Automação, em Jundiaí.

Na Fazenda Santa Elisa, a Secretaria de Agricultura destacou duas áreas, em laudo encaminhado à Assembleia Legislativa, um croqui com um mapa da unidade, com 6,92 milhões de metros quadrados.

Sobre a Santa Elisa, Piai afirmou que a área separada é menos de 4% do total da fazenda e que seria mentira a existência de pesquisas ou mesmo de um banco de germoplasma de café.

“Não tem pesquisa ali, não tem banco de germoplasma nenhum ali, é mentira. Não tem nenhum documento oficial e técnico sobre isso, mas a gente já retirou esse assunto de pauta, porque criam-se narrativas”, afirmou.

No entanto, em documento encaminhado à Assembleia Legislativa do Estado, da área total da Santa Elisa, do Instituto Agronômico (IAC), duas foram destacadas para a avaliação e possível venda: uma com 190 mil metros quadrados e outra 130 mil metros quadrados, respectivamente.

A maior fica às margens da rodovia Dom Pedro I, anexa a um centro empresarial e com predominância de pastagem.

Na área menor, às margens de uma avenida e de uma rodovia de Campinas, está o banco de germoplasma de café, com variedades consideradas raras ou extintas de seu habitat, um campo de estudos do uso com macaúba para a fabricação de biocombustíveis, além de uma coleção de bambus.

O próprio IAC informou ter apresentado justificativas técnicas sobre a relevância de manter essas áreas para a pesquisa, com informações e descrições sobre as coleções que existem na área e a importância desses materiais para a cafeicultura nacional e o programa de melhoramento genético de macaúba.

Já o centro de pesquisa em Jundiaí é referência mundial em estudos e desenvolvimento de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) para a agricultura. No entanto, a sede está em uma região altamente valorizada, ao lado do aeroporto local e no entroncamento de rodovias como a dos Bandeirantes.

De acordo com o secretário, no entanto, o que barra a venda do centro, por enquanto, é o fato de estar em uma área tombada. “Tem uma lei municipal que tombou e ainda não está no nosso radar, mas pode ser que seja vendida sim. Nós não vamos ficar apegados a patrimônio ocioso”, disse Piai

O secretário afirmou que o governo deve encaminhar um projeto de lei à Assembleia Legislativa para destinar 20% da receita com a venda das áreas para as pesquisas agrícolas e à valorização de carreiras da área. Os detalhes do projeto devem ser anunciados na Agrishow, em Ribeirão Preto, de 28 de abril a 3 de maio.

Sede da Agrishow, Ribeirão Preto também é casa do Núcleo Regional de Pesquisa do Instituto de Zootecnia, outra área nobre e de alto valor imobiliário incluída no processo de avaliação.

“Vamos colocar dinheiro no caixa, inclusive, para melhorar o salário dos pesquisadores em São Paulo”, concluiu.

A venda dessas áreas está autorizada pela lei estadual nº 16.338, de 2016, aprovada e sancionada pelo então governador Geraldo Alckmin. No entanto, o processo de vendas não foi adiante nos anos seguintes, e só foi desengavetado no mandato do atual governador, Tarcísio de Freitas.