Donald Trump até tentou jogar contra, mas as exportações de frutas brasileiras tiveram um 2025 recorde. Dados do Secex (Secretaria de Comércio Exterior), compilados em um relatório do Itaú BBA, mostraram que os embarques nacionais do setor somaram US$ 1,4 bilhão (cerca de R$ 7,4 bilhões pela cotação atual), uma alta de 11% em um ano.
O volume chegou a 1,3 milhão de toneladas, 20% maior frente a 2024. O fruto mais exportado foi a manga, com US$ 335 milhões em vendas. Na sequência do ranking estavam melões, limões e limas, uvas e melancias.
Quanto aos destinos das frutas, a União Europeia permaneceu sendo o destino mais relevante, com 62% do total, seguido do Reino Unido (16%) e Argentina (7%).
"Mesmo em um ambiente marcado por desafios significativos, com o tarifaço implementado pelos Estados Unidos, o mercado manteve vigor, sustentado principalmente pela recuperação da produção nacional e pela forte demanda europeia, que se mostrou decisiva para mitigar perdas", avaliou o Itaú BBA em seu relatório.
A manga avançou também em volume, passando de 258 mil toneladas em 2024 para 290 mil toneladas em 2025, aumento de 13%. Apesar disso, relembrou o Itaú BBA, as tarifas aplicadas pelos EUA pressionaram o preço médio e resultaram em queda de 4% na receita.
A participação dos EUA nas exportações brasileiras de manga fechou o ano em 13%, contra 14% em 2024, apesar de o volume enviado ter sido maior, diante de uma boa safra nacional.
"A antecipação do fim da safra mexicana ampliou o espaço para a manga brasileira nos EUA, ao mesmo tempo em que os embarques para a União Europeia permaneceram firmes após o encerramento da safra espanhola", diz o relatório.
Segundo o documento, o impacto das tarifas também foi prejudicial nas uvas, no qual os EUA são um grande comprador. A participação do país norte-americano caiu de 23% para 6,7%, saindo de um total de 13,8 mil toneladas enviadas em 2024 para apenas 4,15 mil toneladas em 2025.
"Para a manga, a dificuldade de redirecionamento decorre do fato de a variedade Tommy não ter aceitação relevante em mercados como o europeu, que prioriza a variedade Palmer, além da janela específica de envios ao país. A uva, por sua vez, possui maior flexibilidade para diversificação de destinos, o que permitiu os embarques à União Europeia", avaliou o Itaú BBA.
O banco ainda relembrou que, quando as tarifas de 50% caíram para uma série de produtos, a manga estava inclusa, mas não a uva.
Em relação às outras frutas do top 5, o melão teve avanço de 16% no volume, para 283 mil toneladas, enquanto a receita cresceu 25% também em um ano. "A redução da área produtiva da Espanha abriu espaço adicional para exportações brasileiras durante a entressafra europeia".
Para o limão, o volume enviado aumentou 16%, ancorado por uma demanda mais forte da União Europeia e pela abertura de novos mercados, como Cazaquistão e Malásia. De acordo com o Itaú BBA, o Brasil se consolidou como o quinto maior exportador mundial.
A melancia registrou resultado recorde, somando 185 mil toneladas e receita de US$ 115 milhões. A menor oferta em países concorrentes, especialmente na América Central, ampliou a participação brasileira. No restante do ranking, outras frutas também apresentaram crescimento relevante em receita: mamão (29%), abacates (34%), bananas (50%) e maçãs (53%).
Olhando para o futuro, o acordo entre Mercosul e União Europeia pode dar ainda mais gás a uma relação comercial já muito sólida.
"Como a Europa é o principal destino das frutas brasileiras, o acordo é aguardado pelo setor há tempo. Diferente de outros produtos, as frutas não estarão sujeitas a cotas e terão suas tarifas eliminadas entre 4 e 10 anos", ressaltou o banco.
O fim das tarifas será diferente a depender da fruta. A uva tem sua eliminação imediata, o abacate em 4 anos enquanto que limões, limas, melões e melancias serão em sete anos e maçãs em 10 anos.
"Para a uva, a tarifa zero imediata melhora a posição brasileira, já que concorrentes não pagam tarifas. Além disso, a manutenção das tarifas para os EUA para as uvas, tende a favorecer o redirecionamento das frutas à Europa", cita o BBA.
Em 2025 o Brasil também aumentou sua importação de frutas. O avanço foi de 5%, totalizando US$ 1 bilhão, e a principal compra foi na maçã.
A fruta, contudo, teve uma queda de 9% no volume importado devido a uma safra nacional em recuperação. "Para 2026, as projeções seguem positivas, já que é esperado novo avanço na recuperação dos pomares, o que deve garantir maior disponibilidade para exportações e menor demanda por importações ao longo do ano", diz o relatório. No total, o Brasil comprou US$ 233,2 milhões em maçãs.
No restante do ranking de importação, as peras somaram US$ 158 milhões e os kiwis US$ 98,7 milhões. Na primeira, a limitação da produção nacional fez com que as compras se mantivessem praticamente estáveis frente a 2024, e nos kiwis - vindos principalmente de Chile, Grécia, Itália e Nova Zelândia, cresceram 3% em volume e 10% no valor importado, com a produção nacional insuficiente e enfrentando desafios climáticos.
Resumo
- A União Europeia concentrou 62% das exportações brasileiras de frutas, ajudando a compensar o impacto do tarifaço americano, especialmente em manga e uva
- A manga liderou o ranking com US$ 335 milhões, mas sentiu queda de 4% na receita com tarifas dos EUA; melão, limão e melancia ganharam espaço e bateram recordes
- Acordo Mercosul–UE tende a destravar crescimento adicional, com eliminação de tarifas para frutas entre imediata e 10 anos