Todos já nos deparamos, em algum momento, com melões vendidos em feiras e mercados envoltos em uma redinha. Mas poucos sabem que, por trás dessa redinha, existe um grupo empresarial que é uma grande produtora da fruta no Nordeste, a ponto de recentemente captar recursos no mercado de capitais.

A Itaueira Agropecuária, que é dona da marca REI Alimentos, começou produzindo caju no Piauí, no começo da década de 1980. O melão só começou a ser produzido em 1999, e durante o século XXI, se tornou o carro-chefe do grupo familiar.

Em conversa com o AgFeed, José Luis Prado, diretor administrativo e financeiro da Itaueira, afirma que depois de atingir R$ 480 milhões em faturamento no ano de 2024, a estimativa é de que as receitas passaram de R$ 500 milhões no ano passado.

“A Itaueira vive um momento de consolidação de um ciclo robusto de investimentos no ano passado. Para 2026, o objetivo é priorizar geração de caixa e rentabilidade para navegar em um ambiente de juros altos e ter base para um ciclo de crescimento operacional a partir de 2027”, afirma Prado.

José Luís faz parte da família fundadora da Itaueira, que iniciou suas atividades em 1983 com o fundador Carlos Prado.

Outro membro da família, que hoje é conselheiro da Itaueira, foi o responsável pela adoção das redinhas que envolvem os melões produzidos pelo grupo.

José Roberto Prado notou que, nas colheitas iniciais, os melões eram pequenos. Isso dificultou a comercialização, porque os clientes achavam que a fruta havia sido colhida muito cedo, e portanto não teria sabor.

Ele então teve a ideia de vender duas ou três unidades embaladas em uma rede e com rótulo da marca do grupo. A partir daí, as vendas aumentaram e os consumidores perceberam que o sabor era melhor que o da concorrência. Então, a fruta da Itaueira passou a ser conhecida como “melão da redinha”.

Hoje, além da marca Rei, a Itaueira é detentora das marcas Dunort e Cepi. As frutas são produzidas em três unidades no Piauí, Ceará e Bahia. Uma nova unidade no Ceará, em Morada Nova, passou a produzir no ano passado.

“Agora, possuímos produções em 3 regiões distintas, garantindo maior qualidade, fugindo das chuvas e reduzindo significativamente a possibilidade de rupturas no fornecimento aos varejistas e consumidores”, afirma José Luis Prado.

O grupo tem cerca de 20 mil hectares de terras próprias, das quais 3 mil hectares são destinados à produção de melão e melancia. No ano passado, o grupo vendeu 85 mil toneladas dessas duas frutas. A Itaueira produz também pimentão, mel, sucos e camarão.

“Estamos otimistas com a cultura de camarão, que tem sinergias operacionais com o melão e chegará ao varejo em breve sob a marca Rei. Também consolidamos a produção de pimentões coloridos em estufas de alta tecnologia”, conta o diretor da Itaueira.

Chegada na Faria Lima

A necessidade de recursos para os investimentos em novas áreas e na diversificação da produção colocaram a Itaueira na rota do mercado de capitais.

Recentemente, a Itaueira fez duas emissões que resultaram na captação total de R$ 150 milhões. Deste total, R$ 100 milhões vieram de Notas Promissórias Comerciais, operação coordenada pela Caixa Econômica Federal.

Outros R$ 50 milhões vieram em forma de Cédula de Produto Rural Financeira (CPR-F), operação que foi coordenada pelo Itaú BBA, e que foi a primeira emissão pública da companhia.

“O objetivo central foi o alongamento do perfil da dívida, criando um colchão de liquidez que nos dá total segurança para operar, independente da volatilidade bancária tradicional ou do cenário macroeconômico de 2026”, diz Prado.

A empresa inclusive fez o toque de campainha que abriu as negociações do mercado no último dia 12 de janeiro.

Prado revela que as operações têm prazo de cinco anos para liquidação, com carência para iniciar os pagamentos aos investidores. A empresa começa a amortizar a dívida na CPR-F a partir de outubro deste ano.

O executivo afirma que a maior parte da produção é destinada ao mercado doméstico. Nas exportações, a Itaueira está em processo de retomada e, atualmente, tenta entender a dinâmica de cada mercado para tentar se consolidar. O melão Rei chega principalmente na União Europeia, Reino Unido, Canadá e Oriente Médio.

Resumo

  • Itaueira supera R$ 500 milhões em faturamento e consolida ciclo de investimentos no Nordeste
  • Empresa capta R$ 150 milhões no mercado de capitais para alongar dívidas e reforçar liquidez
  • Novo crescimento operacional é esperado a partir de 2027, com expansão produtiva e portfólio diversificado