A maioria dos engenheiros agrônomos de São Paulo está mais confiante com sua profissão que outras engenharias, consegue atingir uma média salarial mais alta após alguns anos de mercado e, para o futuro, enxerga perspectivas positivas para suas carreiras diante do avanço do agronegócio no país.

Esse é o resumo de uma pesquisa feita pela Quaest, a partir de uma parceria entre o Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea) e o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de São Paulo (Crea-SP), e repassada com exclusividade ao AgFeed.

O levantamento indica que 77% dos engenheiros agrônomos do estado de São Paulo avaliam positivamente a evolução de suas carreiras, ante 19% que declaram estar insatisfeitos e 4% não sabem ou não responderam à questão. A avaliação é mais positiva do que a de profissionas de outras engenharias como civil, mecânica e ambiental.

Mercado aquecido, com rápida recolocação, salários atrativos e boas condições de trabalho são fatores que contribuem para a perceção positiva dos agrônomos, diz a pesquisa.

Para Vinicius Marchese, presidente do Confea, o resultado da pesquisa é um reflexo do bom momento que vive o agro.

“O agronegócio é um dos segmentos que mais se destaca no PIB brasileiro e é também o que mais tem se transformado nos últimos anos. Quando a gente compara com outras profissões vinculadas ao sistema Confea/Crea, a agronomia se sobressai pelo nível de inovação, pela evolução tecnológica e pelo aumento de produtividade”, afirma.

Para o dirigente do conselho, esse ambiente de transformação e investimentos constantes cria um “ecossistema aquecido”, que impacta diretamente a perceção dos profissionais sobre suas carreiras. “Esse aquecimento gera satisfação, boas perspectivas e números positivos do ponto de vista econômico”, diz.

Um dos dados que mais chamam atenção na pesquisa é a taxa de empregabilidade alta entre os engenheiros no Estado de São Paulo, atingindo 91%.

O estudo não traz dados específicos sobre a empregabilidade dos agrônomos, mas Marchese diz que ela também é alta e reflete no nível de satisfação dos profissionais.

“O profissional escolhe a agronomia por vocação, por identificação com o tema. E quando ele consegue trabalhar exatamente na área que estudou, isso gera satisfação”, afirma o presidente do Confea. “Você conseguir atuar no ramo em que se formou é algo muito significativo.”

Marchesa ressalta que o momento geral do país já é de alta empregabilidade, mas, dentro das engenharias, e especialmente na agronomia, os índices são ainda mais elevados. Esse cenário, pondera o dirigente do Confea, traz um desafio adicional.

“Por um lado é muito positivo, mas também acende um alerta: faltam profissionais. Se tivéssemos mais engenheiros agrônomos formados, teríamos ainda mais gente empregada”, afirma.

A remuneração também é apontada como diferencial. De acordo com a pesquisa, engenheiros com ao menos cinco anos de experiência alcançam, em média, renda superior a 10 salários mínimos, superior ao aferido em várias profissões. A transição para faixas salariais mais altas costuma ocorrer entre 30 e 34 anos.

Marchese pondera, no entanto, que o início de carreira pode exigir paciência, sobretudo em uma geração mais imediatista.

“A engenharia tem uma curva de aprendizado. No começo, outras áreas, como o mercado financeiro, costumam oferecer remunerações mais agressivas, e muitos profissionais acabam migrando”, diz.

“Mas quem permanece na área, por vocação e propósito, percebe que, depois de cinco anos, a renda ultrapassa a média de muitas outras profissões.”

Segundo ele, o plano de carreira tende a evoluir ao longo do tempo. “Mais adiante, esse profissional muitas vezes se torna empresário, passa a empregar pessoas e consolida um crescimento consistente de renda.”

Embora o recorte detalhado da pesquisa divulgado ao AgFeed seja referente ao Estado de São Paulo, Marchese afirma que a percepção positiva não está restrita aos paulistas.

“A melhora é uniforme no Brasil inteiro. Existem características regionais diferentes, com áreas mais industriais, outras mais voltadas ao agro, mas, de forma geral, o sentimento é semelhante”, diz.

Ele acrescenta que, em alguns Estados do Norte, há inclusive uma expectativa de crescimento regional mais acelerado, enquanto em São Paulo a percepção de avanço futuro é um pouco mais moderada, ainda que positiva.

Para o presidente do Confea, apesar dos avanços, ainda há espaço para maior valorização da engenheira agrônoma - e de seus pares no País.

“Temos um caminho longo como sistema e como sociedade para entender e valorizar plenamente a importância da engenharia em todos os seus segmentos. Mas já vemos o início de um trabalho importante nessa direção, e a pesquisa mostra sinais claros dessa melhoria de percepção.”

Ao todo, a pesquisa entrevistou mais de 16 mil profissionais em São Paulo. Desses, 983 são engenheiros agrônomos, o equivalente a 6% do total.

Resumo

  • Pesquisa de Quaest, Confea e Crea-SP indica que 77% dos agrônomos paulistas estão satisfeitos com a carreira, índice superior ao de outras engenharias.
  • Mercado aquecido, bom momento do agro e rápida recolocação impulsionam o otimismo dos profissionais
  • Renda das engenharias em geral supera 10 salários mínimos após cinco anos de experiência, com avanço salarial mais forte entre 30 e 34 anos e perspectiva de crescimento contínuo ao longo da carreira