A segunda safra, aquela que durante anos foi conhecida como safrinha, deve resultar em colheitas de milho menos fartas do que no ano passado. Essa [e a perspectiva desenhada pela Agroconsult, uma das principais consultorias brasileiras na área de grãos, às vésperas do início de uma nova etapa de seu Rally da Safra.
As equipes do projeto devem pegar a estrada a partir do início da próxima semana, mas nesta quinta-feira, 7 de maio, a Agroconsult já fez uma primeira prévia do que espera confirmar em campo: produtividades mais baixas, com contrastes importantes entre as principais regiões cultivadas.
A previsão pré-Rally da consultora indica uma produção de 112,1 milhões de toneladas de milho na segunda safra, cerca de 10% a menos que as 123,9 milhões de toneladas do ciclo recorde de 2024/2025. Somando com a safra de verão, a produção total de grão no País estimada é de 140,5 milhões de toneladas, abaixo, portanto, das 151 milhões de toneladas do ano passado.
As quedas previstas resultam do atraso do plantio em algumas regiões agrícolas, assim como da irregularidade das chuvas em outras. É em torno desses pontos que a Agroconsult enxerga contrastes.
O excesso de chuvas em fevereiro e março em Goiás, por exemplo, estendeu o ciclo da soja, prejudicou o ritmo de colheita da oleaginosa e, assim, impactou a implantação das lavouras de milho. Por conta disso, 46% delas acabaram sendo semeadas fora da janela ideal, o que a consultoria classifica como um calendário de “alto risco”.
Já no Oeste e Médio-Norte de Mato Grosso, o quadro é de baixo risco, com cerca de 95% do plantio sendo realizado no momento mais adequado.
Quando se observa o clima, as mesmas regiões que apresentam risco mais elevado por conta da semeadura tardia foram aquelas que sofreram com estiagens mais longas, de até 30 dias, no mês de abril.
Com isso, a Agroconsult acredita que a atual safra apresenta uma menor proporção de lavouras consolidadas com alto potencial produtivo do que na temporada passada.
Mas uma vez, há diferenças expressivas entre diferentes regiões agrícolas, mesmo dentro de um mesmo estado. Goiás e Mato Grosso do Sul, por exemplo, apresentam, neste momento, apenas 39% das lavouras classificadas como de alto potencial. No ano passado, foram 62% e 53%, respectivamente.
Minas Gerais tem apenas 25% das áreas com essa avaliação, contra 46% em 2025. Em Mato Grosso, por sua vez, as cindições são bem mais favoráveis, com o índice positivo atingindo 80%.
“O comportamento das chuvas em maio será decisivo para consolidar o potencial das lavouras, e as avaliações de campo tornam-se essenciais para aprofundar as análises e ajustar nossos números até o final de junho, quando encerraremos a etapa milho”, afirma André Debastiani, coordenador do Rally.
Assim, avalia que existe espaço para ajustes nos dados, que agora serão verificados in loco pelos times técnicos da expedição.
A produtividade média estimada hoje pela Agroconsult é de 101,9 sacas de milho por hectare. É uma queda significativa em relação às 114,4 sacas registradas no ano passado.
Essa redução é generalizada, atingindo todos os principais estados produtores, com exceção de São Paulo. Registre-se que a base de comparação é alta, já que a safra passada atingiu índices recordes.
Com problemas tanto com a janela de plantio quanto na estigem em abril, Goiás é o estado onde deve ocorrer a maior redução de produtividade – 90 sacas por hectare, contra 127 do ano passado. Para oMato Grosso do Sul, a projeção é de 90,5 sacas, contra 102 no ciclo anterior, e no Paraná, 92,5 sacas por hectare, ante 104,5 na safra passada.
Com condições melhores, Mato Grosso tem estimativa de 123 sacas por hectare, mas também abaixo das 131,9 sacas obtidas no ciclo 2024/2025.
A produção menor da segunda safra se dará apesar de uma leve alta, de 1,5%, na área plantada, que a Agroconsult estima em 18,3 milhões de hectares. Mato Grosso, Paraná e Mato Grosso do Sul ampliaram os cultivos em cerca de 4%. Goiás e Minas Gerais reduziram em torno de 5%.
“O crescimento poderia ser ainda maior, não fosse a prorrogação do calendário de plantio, que levou muitos produtores a alterarem seu planejamento de semeadura, para não entrar numa janela de risco muito grande”, diz Debastiani.
Resumo
- Agroconsult projeta produção de 112,1 milhões de toneladas de milho na segunda safra 2026, 10% abaixo do ciclo anterior
- Plantio tardio e estiagens em abril reduziram o potencial produtivo em estados como Goiás, Mato Grosso do Sul e Paraná
- Mato Grosso mantém cenário mais favorável, enquanto chuvas em maio serão decisivas para confirmar o tamanho da safra