A fraqueza no mercado de biodiesel e a apreciação do real frente ao dólar foram os principais fatores que ajudaram a derrubar os resultados da Caramuru Alimentos no primeiro trimestre de 2026.

A companhia registrou queda de 69,2% em seu lucro líquido entre janeiro e março deste ano, somando R$ 35,6 milhões, ante os R$ 115,7 milhões registrados no mesmo período de 2025.

A receita líquida da empresa somou R$ 1,63 bilhão nos três primeiros meses de 2026, recuo de 7,5% na comparação anual.

De acordo com a Caramuru, o principal impacto negativo veio da divisão de biocombustíveis. A receita do segmento recuou de R$ 644,4 milhões no início de 2025 para R$ 488,1 milhões no mesmo período deste ano, queda de 24,3%.

O desempenho mais fraco dos biocombustíveis, explica a companhia, ocorreu em meio à menor demanda por diesel no início do ano, influenciada por fatores sazonais ligados ao transporte e ao agronegócio, como atraso na colheita e antecipação de compras no trimestre anterior.

A manutenção da mistura obrigatória em B15, sem avanço para B16, também limitou possível vetor adicional de demanda por biodiesel, segundo a companhia.

No trimestre, o volume vendido de biocombustíveis caiu 16,5%, enquanto o preço médio do segmento recuou 8,6%. A margem bruta da divisão encolheu de 32,1% para 11,4% no período

Considerando também as receitas de glicerina e CBios, a margem ajustada do segmento ficou em 16,8%, contra 35,8% um ano antes.

Com a queda da receita, o Ebtida (sigla para lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado da companhia somou apenas R$ 2,2 milhões entre janeiro e março deste ano, retração de 98,6% em relação aos R$ 164 milhões do primeiro trimestre de 2025. A margem Ebtida ajustada caiu de 9,3% para 0,1%.

A empresa atribuiu o desempenho à compressão dos preços de venda, à menor captura de margem no esmagamento de soja e ao ambiente mais pressionado para o biodiesel no mercado doméstico.

Além da pressão operacional, a valorização do real frente ao dólar teve impacto relevante sobre as receitas da empresa.

Isso porque a taxa média de câmbio caiu de R$ 5,84 no primeiro trimestre de 2025 para R$ 5,25 no mesmo período deste ano, afetando principalmente exportações e a formação de preços do biodiesel. Embora as vendas de biodiesel sejam realizadas no mercado interno, os preços do produto são diretamente atrelados ao câmbio, em função do alinhamento com os preços de commodities e insumos dolarizados.

De acordo com a Caramuru, o movimento provocou impacto negativo de R$ 187 milhões na receita bruta do trimestre, que somou R$ 1,6 bilhão, queda de 7,6% na comparação interanual.

Apesar do cenário mais desafiador, a Caramuru registrou crescimento de 2,8% no volume total de vendas, para 552,2 mil toneladas.

O avanço foi puxado principalmente pelas commodities diferenciadas, cujo volume vendido aumentou 26,2% no período.

A receita do segmento avançou 4,7%, para R$ 387,5 milhões, impulsionada pelo maior desempenho de proteínas concentradas de soja e farelos de maior valor agregado, ainda que limitado pela redução de 16,6% do preço médio de venda, impactado principalmente pela apreciação do real frente ao dólar no período. Com isso, a margem bruta recuou de 20,7% para 9%.

Já a receita líquida de commodities ficou praticamente estável no período, somando R$ 546,1 milhões, 0,5% a menos do que no primeiro trimestre de 2025. O resultado refletiu principalmente a queda de 1,1% nos preços de vendas, ainda que tenha havido alta de 2,6% nos volumes comercializados. A margem bruta recuou de 2,8% para 0,8%.

A divisão de produtos de consumo e outros registrou crescimento no trimestre, resultado puxado principalmente pelos preços mais altos, que subiram 9,3% no período.

Assim, a receita líquida do segmento subiu 4,8%, somando R$ 210,9 milhões, impulsionada principalmente pelo avanço das vendas de óleos de soja, milho e girassol.

A Caramuru destaca que, embora o preço desses produtos em específico tenha recuado 20,7%, houve crescimento de 59,1% nas vendas dos óleos, contribuindo para mitigar os impactos da queda das vendas.

A margem bruta do segmento, no entanto, retraiu de 22,9% para 13,3%.

A Caramuru reduziu sua dívida líquida no primeiro trimestre deste ano, passando de R$ 1,8 bilhão no início de 2025 para R$ 1,5 bilhão no mesmo período de 2026. A alavancagem ficou em 2,43 vezes o Ebitda, ante 2,8 vezes no intervalo do ano anterior. Para alongar sua dívida e fortalecer a estrutura de capital da empresa, a companhia emitiu um CRA de R$ 600 milhões em fevereiro.

Resumo

  • Caramuru registrou queda de 69,2% em seu lucro líquido no primeiro trimestre deste ano, somando R$ 35,6 milhões
  • Desempenho enfraquecido de biocombustíveis e câmbio mais valorizado explicam piora nos números
  • Companhia conseguiu reduzir dívida líquida para R$ 1,5 bilhão, ante R$ 1,8 bilhão no 1º trimestre de 2025