O mercado global de defensivos segue com dificuldades. Os primeiros balanços das multinacionais, referentes ao primeiro trimestre, mostram que o caminho será longo e tortuoso até voltar ao crescimento

Nesta quarta-feira, 29 de abril, a americana FMC divulgou seus números do período e mostrou um desempenho misto: de um lado superou suas próprias projeções operacionais, mas ainda mostra um negócio pressionado na linha final.

A companhia registrou receita de US$ 759 milhões, queda de 4% na comparação anual. Excluindo a operação da Índia, que está em processo de venda, o recuo é o mesmo

Assim como no caso da Basf, que divulgou seus números mais cedo, o problema não foi volume. A FMC até vendeu mais em algumas regiões, com volumes subindo 2%, puxados por América do Norte e EMEA (Europa, Oriente Médio e África).

O peso veio dos preços, que recuaram 6%. No balanço, a empresa cita que reduziu preços para parceiros de diamidas acompanhando uma reprecificação de alguns produtos da marca Rynaxypyr, além de mencionar um mercado mais competitivo para "produtos tradicionais", com destaque para a América Latina.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, amortização, deprecição) ajustado ficou em US$ 72 milhões, acima do topo do guidance, mas ainda assim representa uma queda de 40% frente ao mesmo período do ano passado. A FMC diz ainda que sofreu com custos desfavoráveis de matérias-primas.

O impacto mais forte aparece na última linha do balanço. A FMC saiu de um prejuízo de US$ 15,5 milhões no primeiro trimestre de 2025 para uma perda de US$ 281 milhões agora - uma deterioração de US$ 266 milhões.

A pressão também aparece nas margens. O lucro bruto caiu de US$ 316 milhões para US$ 246 milhões, refletindo o efeito combinado de preços mais baixos e aumento de custos.

A explicação, contudo, não está ancorada na operação pura. A empresa cita que foi fortemente impactada por efeitos fiscais, especialmente ajustes em ativos tributários, que sozinhos somaram mais de US$ 120 milhões, além de outros ajustes que levaram o impacto total a mais de US$ 136 milhões.

Além disso, a FMC acelerou seu processo de reestruturação. Os chamados “itens especiais” dispararam de cerca de US$ 18 milhões para quase US$ 95 milhões, puxados principalmente pelo Project Foundation, que inclui fechamento de operações, baixa de ativos e custos de desligamento.

Apesar disso, o cenário segue pressionado no operacional. A América Latina foi um dos principais pontos negativos, segundo o documento, com receita caindo de US$ 207 milhões para US$ 177 milhões, refletindo justamente o ambiente mais competitivo e de preços mais baixos, dinâmica semelhante à vista no restante do setor.

Enquanto América do Norte e EMEA cresceram, a Ásia desabou em vendas, com receita caindo de US$ 125 milhões para US$ 81 milhões.

Outro ponto de atenção está no caixa. A FMC consumiu US$ 601 milhões nas operações no trimestre, levando o fluxo de caixa livre a um patamar negativo em US$ 628 milhões, uma piora de US$ 32 milhões em relação ao ano anterior e reflexo direto da queda no Ebitda e dos desembolsos com reestruturação.

Por outro lado, há alguns sinais de que o reajuste na operação tem dado resultado. As vendas de novos ingredientes ativos mais que dobraram na comparação anual, e a divisão de Plant Health cresceu 6%, mostrando onde a empresa aposta para recompor margens no médio prazo.

Mesmo com o trimestre com receita em queda e prejuízo ampliado, a FMC manteve suas projeções para o ano, indicando uma receita entre US$ 3,6 bilhões e US$ 3,8 bilhões e Ebitda ajustado entre US$ 670 milhões e US$ 730 milhões. Ainda assim, quedas relevantes frente a 2025.

A empresa espera baixa de 17% no EBITDA e de 41% no lucro por ação em 2026, sinalizando que a recuperação completa ainda está distante.

Resumo

  • Receita da FMC caiu 4%, a US$ 759 milhões, com preços 6% menores, compensando alta nos volumes do trimestre
  • Prejuízo saltou para US$ 281 milhões, impactado por efeitos fiscais e reestruturação
  • Guidance projeta queda no lucro e Ebitda para o acumulado do ano, mas não teve alteração com resultados divulgados