A combinação entre preços de insumos mais altos e uma produtividade possivelmente menor na safra 2026/2027 pode pressionar os resultados da SLC Agrícola nos próximos anos.

A perspectiva é do Citi, que divulgou nesta quinta-feira, 11 de junho, um relatório sobre a empresa onde reduz a perspectiva de preço-alvo da ação da companhia da família Logemann até o final do ano, bem como reduz suas estimativas com o Ebitda, receita e lucro da mesma para 2026 e 2027.

Antes, o analista Gabriel Barra, que assina o relatório, projetava que a ação encerrasse o ano em R$ 19,50, um avanço de 33% frente ao preço negociado há pouco na B3, de R$ 14,58. Agora, ele espera que a ação seja cotada em R$ 15 em dezembro, praticamente estável. Por volta das 12h30 da quinta, a ação SLCE3 recuava pouco mais de 2% no pregão.

A recomendação do banco segue a mesma: uma posição neutra - não recomenda para os investidores nem a compra nem a venda do papel.

Barra cita que incorporou os resultados do primeiro trimestre da empresa, os impactos de preços mais altos de fertilizantes e os impactos do El Niño possivelmente forte que se aproxima para ajustar seus modelos, e cita que agora prevê uma "geração de fluxo de caixa livre limitada nos próximos dois anos".

O analista projeta agora uma receita líquida da empresa neste ano em R$ 9,4 bilhões, um Ebitda ajustado em R$ 2,88 bi e um lucro líquido de R$ 820 milhões, resultados 1%, 2% e 12% menores frente ao que projetava antes, respectivamente.

Para 2027, prevê quedas no Ebitda e no lucro ainda mais acentuadas. O Ebitda antes projetado de R$ 3 bilhões agora é de R$ 2,8 bi, e o lucro líquido para o próximo ano esperado de R$ 1 bilhão deu lugar a uma projeção de pouco mais de R$ 730 milhões.

No curto prazo, o El Niño é quem dita os próximos passos. Segundo as últimas projeções da NOAA, o fenômeno deve ocorrer nas próximas semanas e se intensificar ao longo do ano, com seu pico entre agosto de 2026 e fevereiro de 2027 - contemplando todo o ciclo da soja.

Na prática, o inverno (de junho a agosto) pode ser mais úmido, contrariando a seca tradicional na região Centro-Sul, o que prejudica as colheitas de inverno da safra 2025/2026.

Só que junto da chuva vem uma temperatura elevada - ondas de calor seguidas de chuvas e tempestades na região central. Na primavera, o que se espera é um El Niño clássico: chuvas reduzidas na região Norte e mais precipitação no Sul.

"Com isso, consideramos um impacto negativo de 5% em relação ao ano anterior na produtividade da próxima safra. Observamos que a SLC pode ser mais impactada pelo evento, visto que o El Niño deve ser mais intenso durante o mesmo período de plantio e desenvolvimento das primeiras safras (soja e algodão)", disse Barra, do Citi.

Do lado positivo, destacou os investimentos recentes da empresa em irrigação e também na diversificação geográfica das operações. Ambos são fatores que podem mitigar o impacto, afirma.

"A empresa opera em oito estados do País, sendo o Mato Grosso o mais relevante, com cerca de 315 mil hectares, cerca de 38% do total plantado. Somado a isso, a empresa aumentou a área plantada irrigada para 35,7 mil hectares, uma alta frente aos 24,4 mil hectares da safra 23/24. Portanto, consideramos a SLC menos vulnerável aos impactos climáticos", continuou o analista.

Ainda sob uma ótica mais otimista, cita que passou a identificar o que chamou de "risco interessante de alta" nos preços dos grãos e algodão. Segundo ele, isso se deve à possibilidade dessas cotações ultrapassarem as projeções iniciais, considerando principalmente preços mais elevados do poliéster e os custos de produção de grãos, principalmente em relação aos fertilizantes.

O custo de produção é outro aspecto a se observar, de acordo com Barra. Ele projeta que a SLC tenha custos por hectare 5% maiores na próxima safra.

"Prevemos que a empresa será impactada pelo efeito inflacionário em custos importantes, como mão de obra, preços mais altos do diesel e dos fertilizantes nitrogenados, parcialmente compensados ​​pela desvalorização cambial no período", diz.

Apesar disso, cita que a SLC Agrícola conseguiu adquirir defensivos agrícolas, fosfatos e fertilizantes potássicos a preços semelhantes aos do ano anterior, em dólares americanos.

Ao final do primeiro trimestre, em março, a SLC já havia adquirido 100% do volume de fosfatos, 85% de potássio e 74% do pacote de defensivos agrícolas.

Em relação aos fertilizantes nitrogenados, que ainda não haviam sido adquiridos, Barra, do Citi, acredita que a SLC esteja aguardando uma leve queda nos preços para adquirir os volumes necessários para a próxima safra, diante de um cenário de preços caindo devido ao retorno da China ao mercado de exportação de ureia.

"O cenário de preços elevados pode levar a uma leve redução na demanda por ureia ou fazer com que os produtores priorizem o uso de sulfato de amônio, numa tentativa de preservar as margens de lucro", calcula.

No potássio, a SLC disse na época que iria avaliar os solos das fazendas para verificar resíduos do fertilizante, a fim de evitar novas compras desnecessárias. Com isso, o patamar atual poderá, no fim das contas, ser o final.

Resumo

  • Citi reduziu o preço-alvo da SLC de R$ 19,50 para R$ 15 e manteve recomendação neutra para as ações
  • Banco cortou estimativas para 2026 e 2027 e prevê pressão sobre margens com custos por hectare 5% maiores na próxima safra
  • Analista estima impacto de 5% na produtividade da safra 2026/27 com El Niño, embora irrigação e diversificação geográfica possam amenizar perdas