O mercado de insumos biológicos retomou o ritmo de crescimento em 2025 e atingiu um novo recorde. Dados do boletim trimestral da associação CropLife Brasil, divulgados nesta terça-feira, 31 de março, mostram que o setor de bioinsumos atingiu valor de mercado de R$ 6,2 bilhões no ano passado – o maior volume da série histórica.

O resultado representa uma alta de 15,2% em relação aos R$ 5,3 bilhões registrados em 2024, quando o segmento havia sofrido uma leve retração de 2,2%.

A expansão também se refletiu no campo. A área tratada com insumos biológicos alcançou 194 milhões de hectares, avanço de 28% sobre os 151 milhões de hectares do ano anterior.

A CropLife avalia que há uma mescla de quatro fatores que ajudaram a impulsionar o crescimento: profissionalização e expansão da indústria de biológicos, manejo integrado, aumento da adoção entre os produtores e novas formulações e tecnologias.

"O produtor já usa o bioinsumo, já percebe o valor, e isso reflete no aumento de adoção e da confiança em todo o setor. Bioinsumos era uma tendência de crescimento há alguns anos, mas hoje é uma realidade no campo", avaliou Renato Gomides, gerente-executivo da CropLife Brasil, em entrevista a jornalistas na sede da entidade em São Paulo (SP).

O segmento de bioinseticidas liderou o faturamento em 2025, com R$ 2,1 bilhões, alta de 33,4% em relação a 2024.

Segundo a CropLife, o cenário tem favorecido o uso de bioinseticidas diante da crescente resistência de pragas aos inseticidas químicos, somada à sazonalidade de infestações, como a da mosca-branca, e ao avanço dos sistemas de manejo integrado de pragas nas diferentes culturas.

Na sequência aparece o mercado de bionematicidas, com R$ 1,8 bilhão em vendas, uma queda de 10,4% em relação aos R$ 2 bilhões do ano anterior.

Já os biofungicidas também registraram expansão, somando R$ 1,3 bilhão, crescimento de 41% frente aos R$ 965 milhões de 2024. Fechando a lista, o mercado de inoculantes movimentou R$ 812 milhões, avanço de 13% sobre os R$ 717 milhões do ano anterior.

Área tratada e por região

Apesar de ainda representarem o menor mercado em valor, os inoculantes lideram em área tratada, somando 77 milhões de hectares em 2025, alta de 9% em relação aos 71 milhões de hectares de 2024.

Logo após, vêm os bioinseticidas, com 47 milhões de hectares, alta de 42% na comparação anual; os bionematicidas, que somaram 44 milhões de hectares, crescimento de 60% em um ano; e os biofungicidas, que somaram 26 milhões de hectares, avanço de 37% sobre os 19 milhões de hectares de 2024.

A soja é a cultura que mais utiliza bioinsumos no Brasil, respondendo por 62% do valor de mercado, seguida por milho (22%) e cana-de-açúcar (10%). Juntas, essas culturas representam 90% do uso de bioinsumos no Brasil. A CropLife também aponta que algodão, café, citros e hortifrúti respondem por 6%.

Maior produtor de grãos no Brasil, Mato Grosso é hoje o maior consumidor de bioinsumos no País, com 24% do total, seguido pelos Estados de São Paulo (17%), Goiás (14%), Mato Grosso do Sul (7%) e Paraná (6%).

Amália Borsari, diretora de bioinsumos da CropLife, destacou ainda o avanço da adoção no Matopiba, fronteira agrícola formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, que vem ganhando relevância nos últimos anos.

"O Matopiba já representa 11% da área tratada com bioinsumos. A adoção de bioinsumos acontece de forma bastante dinamica por lá. As caracteristicas climaticas dessa regiao e também do solo fazem com que a resposta desses produtos seja mais rapida", disse.

Lei dos Bioinsumos e projeções

A diretoria da CropLife também comentou sobre a Lei dos Bioinsumos, sancionada no fim de 2024 e que ainda tem sua regulamentação pendente. De acordo com Amália Borsari, a associação já enviou uma minuta ao governo federal sobre a regulação.

"Ainda há a necessidade de o Ministério da Agricultura conciliar com outras áreas, com a pecuária, o que traz um grau de complexidade à regulação", disse.

"Mas estamos otimistas que, mediante a importância do tema, acreditamos (que a regulação) não deve demorar. Temos como meta a regulação ainda neste ano".

A CropLife afirmou também que não faz projeções sobre o mercado de bioinsumos para o ano de 2026, mas que vem percebendo uma perspectiva positiva.

“No lado da oferta de produtos, as empresas continuam investindo muito em tecnologia em pesquisa. Isso, naturalmente, indica uma demanda crescente pelos produtos”, avaliou Renato Gomides, gerente-executivo da associação, à reportagem.

Resumo

  • Mercado de bioinsumos atinge recorde de R$ 6,2 bilhões em 2025, com alta de 15,2% sobre 2024 e retomada do ritmo de crescimento após leve retração no ano anterior
  • Área tratada com insumos biológicos cresce 28% e chega a 194 milhões de hectares, refletindo maior adoção no campo
  • Bioinseticidas lideram faturamento e avanço do setor é puxado por tecnologia, manejo integrado e maior confiança dos produtores