A estratégia do governo paranaense de buscar recursos alternativos para financiar o agronegócio do estado acaba de conquistar mais um parceiro de peso.

Nesta terça-feira, 24 de fevereiro, a MBRF anunciou que realizou um investimento de R$ 300 milhões no Fundo de Investimento Agrícola do Paraná (FIDC Paraná), que recebeu outros R$ 75 milhões da Fomento Paraná, complementando o montante que deve ser usado no financiamento da cadeia de aves e suínos no Estado.

O fundo é o terceiro do tipo a ser colocado em operação no Paraná, cumprindo os objetivos da primeira chamada, anunciada pelo governo paranaense em dezembro de 2024. A concorrência definiu a Suno como gestora dos fundos, com assessoria da Zera.Ag.

Na ocasião, o governador Ratinho Jr. Colocou como meta a captação entre R$ 1 bilhão e R$ 2 bilhões em três fundos. Mais tarde, em 2025, ampliou essa meta para até R$ 14 bilhões, ao fazer o lançamento de mais quatro chamadas.

A proposta dos fundos é justamente combinar recursos públicos e privados na estruturação de um modelo de crédito que permita a oferta de crédito com juros abaixo de mercado para investimentos no agronegócio.

Em todos os fundos, segundo o edital, a Fomento Paraná participa com 14% a 20% dos recursos, sendo o restante aportado pelo mercado de capitais ou por agroindústrias. No caso do novo fundo, a estrutura fechada foi de 80% da MBRF, na cota subordinada, e 20% da estatal, na cota senior.

Segundo comunicado divulgado pela companhia de alimentos, a iniciativa “prevê investimentos tanto na expansão e fortalecimento da base de produtores integrados, quanto nas unidades produtivas da companhia”.

Assim, 70% do montante deve ser destinado à integração e os outros 30%, direcionados a projetos para ganhos de eficiência, produtividade e competitividade nas unidades da companhia no Estado.

“Este investimento reforça a solidez da nossa cadeia produtiva no Paraná e amplia nossa contribuição para o desenvolvimento da região”, disse Miguel Gularte, CEO da MBRF, através do comunicado.

Já o governador Ratinho Junior destacou que o modelo de financiamento do setor através dos FIDCs “ajuda a alavancar novos investimentos no agronegócio, potencializa o nosso PIB e fortalece a posição do estado como supermercado do mundo”.

O Paraná foi pioneiro no desenvolvimento desse sistema, hoje replicado em outros estados, como São Paulo. Segundo o presidente da Fomento Paraná, Claudio Stabile, os FIDCS tem sido uma “alternativa funcional” para impulsionar o desenvolvimento do setor, “que vinha sendo limitado em sua capacidade de crescimento por causa das altas taxas de juros".

“Neste momento, o recurso atende principalmente cooperados e integrados, mas os benefícios devem se espraiar pela cadeia produtiva ao longo do tempo, gerando novos negócios”, apontou.

Resumo

  • MBRF aporta R$ 300 milhões no FIDC Paraná, que fecha fundo de R$ 375 milhões com recursos da Fomento Paraná
  • Recursos financiarão produtores das cadeias de aves e suínos e investimentos na modernização de plantas da empresa no estado
  • Fundo é o terceiro dentro da estratégia do governo de combinar capital público e privado para impulsionar investimentos o agro paranaense