Impulsionada por mais vendas no mercado externo, a MBRF iniciou seu primeiro ano fiscal após a fusão entre BRF e Marfrig com motivos para comemorar.

O lucro líquido da companhia atingiu R$ 111 milhões de janeiro a março deste ano, uma alta de 26% em um ano. O resultado foi impactado por uma rentabilidade maior com as vendas externas, já que a receita líquida consolidada veio em linha com o visto no ano passado, em R$ 39,5 bilhões.

O número é composto por R$ 12,4 bilhões do mercado externo, montante que mostra alta de 4,1% em um ano, e R$ 27 bilhões do mercado interno, que caiu 1,9%. Em volumes, foram 1,2 milhão de toneladas no mercado interno (baixa de 4,6%) e 729 mil toneladas no mercado externo (crescimento de 2,7%).

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação) ajustado ficou em R$ 3,09 bilhões, queda de 3,2% no comparativo anual, com margem Ebitda de 7,8%.

De acordo com a companhia, houve um retorno de embarques para a União Europeia com a retomada do sistema de pre-listing, além dos carregamentos de frango rumo a China, que saíram principalmente do Rio Grande do Sul. A MBRF pontuou que, em março, bateu recorde nas exportações diretas de aves e suínos, com avanço de 43% para a Europa e de 18% para a Ásia.

A julgar pelo noticiário, a análise imediata é que a empresa não deve repetir o bom desempenho no exterior daqui para frente.

Além da guerra no Oriente Médio, que parece sem data para acabar, a União Europeia retirou o Brasil da lista de países que cumprem as regras europeias de utilização de antimicrobianos e a China impôs um teto para as compras de carne bovina.

Nada disso abala a MBRF. No Oriente Médio, o CEO da empresa, Miguel Gularte, relembrou que a presença de décadas da Sadia na região fez com que fossem criadas rotas alternativas de abastecimento por lá.

Somado a isso, a companhia moveu, em 2024, seus estoques de distribuição para lá na intenção de driblar casos da doença de Newcastle, que atingiu o Sul do país com um caso em uma granja comercial naquele ano.

Em relação a uma possível interrupção nas vendas de carne de frango para a União Europeia, a percepção da empresa é que o Brasil cumpre os requisitos para exportação, e que os próximos meses devem ser marcados por uma agenda do Ministério da Agricultura e Pecuária em "validar processos".

"A expectativa nossa é que, concluído esse processo, o Brasil volte a essa lista. Mostrando que o o produto brasileiro é seguro e tem condições, seguramente o País estará de volta antes da suspensão ocorrer na prática", disse Gularte.

Já em relação às salvaguardas da China, a estratégia passa por aproveitar da estrutura da empresa em outros países do continente latino-americano. Na perspectiva de Gularte, a cota de carne brasileira que vai rumo à China deve ser atingida até meados de junho.

"A demanda por carne bovina no mundo é alta em todas as geografias, e pensando na China, temos operação no Uruguai e Argentina que tem condição de capitalizar o atendimento através dessas plantas. Uma vez terminando a cota brasileira, continuaremos na China por esses países", disse o CEO.

Ele ainda ressaltou que a MBRF é líder de share no abate no Uruguai, com 28% do mercado.

Receita em alta nas carnes. Em baixa no frango

Na divisão por operação, 46% da receita líquida de R$ 39,4 bilhões foi resultado da operação de carnes na América do Norte, 16% da América do Sul e 38% da BRF.

No norte da América, a companhia voltou a sentir a pressão do ciclo pecuário americano. A receita líquida da unidade somou R$ 18,3 bilhões no trimestre, praticamente metade de todo o faturamento consolidado da MBRF, mas o Ebitda ajustado ficou em apenas US$ 10 milhões (cerca de R$ 50 milhões), uma alta 71%, com margem Ebitda de 0,3%.

Tim Klein, CEO da National Beef, relembra que cenário segue apertado para a indústria bovina nos EUA, que convive com uma oferta historicamente restrita de gado e um consequente custos elevados de matéria-prima.

"As condições do mercado continuam impactadas por essa oferta muito pequena. Mesmo a boa demanda não é suficiente para compensar o custo alto do boi. Até temos algumas vantagens em relação aos concorrentes, que sofreram com greves, mas todo nosso esforço está em maximizar essa rentabilidade", disse.

Já a América do Sul apresentou um desempenho mais equilibrado. A operação, que inclui Brasil, Uruguai, Argentina e Paraguai, registrou receita líquida de R$ 6,15 bilhões, avanço de 23,1%, com Ebitda ajustado de R$ 616 milhões, crescimento de 34,9% e margem de 10%.

Das 271 mil toneladas que foram vendidas na operação, 115 mil foram para o mercado externo, trazendo uma alta de 27,9% em um ano. O montante do mercado interno foi 1,9% menor na comparação anual.

Mesmo pressionada, a BRF continuou sendo a operação mais rentável do grupo. A divisão registrou receita líquida de R$ 14,9 bilhões, queda de 3,2% com Ebitda ajustado de R$ 2,47 bilhões (queda de 10%) e margem de 16,6%.

O volume bateu 1,2 milhão de toneladas, pequena baixa de 2% no consolidado. 650 mil toneladas do total ficaram no mercado interno e 555 mil toneladas para outros países. Respectivamente, uma queda de 5,5% e um leve aumento de 0,9%.

Segundo a companhia, o trimestre foi marcado por forte desempenho comercial no Oriente Médio durante o Ramadã, período tradicionalmente mais forte para consumo halal. A companhia também destacou crescimento na Turquia, onde campanhas focadas em produtos processados ajudaram a elevar vendas e ampliar presença de mercado.

Resumo

  • Lucro líquido da MBRF cresceu 26%, para R$ 111 milhões, mesmo com Ebitda ajustado em leve queda
  • Exportações de aves e suínos bateram recorde em março, com alta de 43% para Europa e 18% para Ásia
  • BRF seguiu como operação mais rentável do grupo, com margem Ebitda de 16,6% no trimestre