Do petróleo, para os derivados e fertilizantes. E dos adubos, para outras empresas de grãos. A trajetória da LW Soluções Metálicas, do Rio Grande do Sul, vem ganhando novos contornos com a maior demanda das indústrias do agronegócio.
A empresa foi fundada em 2010 pelo “quase gaúcho” Luiz Weber – chegou a Rio Grande (RS) com três anos de idade –, que durante um tempo atuou em projetos de engenharia no Rio de Janeiro, onde nasceu, atendendo demandas do setor de petróleo e naval.
Ao longo do tempo, com clientes e relacionamentos no Porto de Rio Grande, fez seu primeiro orçamento para um terminal de soja, para a CCGL (Cooperativa Central Gaúcha).
“Foi ali que profissionalizamos a empresa, que ainda tinha time reduzido, para tocar esse projeto específico, e resolvemos montar a sede em Rio Grande”, contou Luiz Weber, que segue como CEO da LW, em entrevista exclusiva ao AgFeed.
A decisão foi tomada em função da demanda de outras empresas da indústria portuária, principalmente fertilizantes.
Os serviços que no começo eram mais restritos à engenharia, foram sendo ampliados para montagem de armazéns e outras estruturas industriais metálicas, mecânica industrial e manutenção.
Em 2021, foi montada primeira fábrica da LW em Rio Grande, com 500 metros quadrados.
“Com a CCGL a gente trabalha até hoje e a cada ano fomos pegando mais obras, mais trabalhos. Hoje a gente tem 530 funcionários atuando dentro da própria Termasa (um dos maiores terminais de Rio Grande), da Yara Fertilizantes, da Mosaic, fora de Rio Grande, em Paranaguá, no Pará e Rio de Janeiro”, revelou.
Há também uma certa diversificação para outros segmentos. Weber diz que a LW foi responsável pela montagem da estação Santo Amaro, no projeto de obras do metrô de São Paulo.
Apesar disso, o agronegócio representa atualmente entre 60% e 70% da receita, puxado principalmente pela demanda do setor de fertilizantes, incluindo Yara, Mosaic e Fospar (em Paranaguá).
A expectativa da LW é faturar em 2026 pelo menos R$ 200 milhões, o que significa dobrar de tamanho em relação ao ano anterior. O saldo de 100%, segundo Weber, também havia sido registrado em 2025, acompanhando os projetos dos clientes do agro.
Mas se o crescimento das entregas de adubos no Brasil tem crescido sempre menos de 10%, qual a razão para esse salto da empresa?
O CEO diz que as preocupações geopolíticas, com desafios na logística, como o ocorrido este ano no Estreito de Ormuz, tem feito a indústria de fertilizante, por exemplo, investir mais na sua capacidade de armazenagem.
Os projetos da LW são de menor escala, se comparados a estruturas maiores, oferecidas por empresas como a Kepler Weber. Porém, algumas vezes são acionados para trabalhar em conjunto em projetos destas companhias de maior porte.
“No fertilizante há uma demanda constante de manutenção. Toda estrutura metálica, no meio do fertilizante, tem vida útil muito baixa. Tem todo o transporte da matéria-prima, os equipamentos lá dentro, são metálicos. Então a gente está bastante envolvido nessas manutenções anuais”, afirmou Weber.
Nova sede industrial, rumo aos R$ 600 milhões de receita
Na visão da LW, um outro segmento deve dar sustentação aos negócios a partir de agora: os biocombustíveis. E não apenas pela possibilidade de atender grupos que investem em novas esmagadoras e produtoras de biodiesel.
Luiz Weber diz observar novos investimentos em terminais de soja na região de Rio Grande em função da Refinaria Riograndense, empresa que tem como acionistas Petrobras, Braskem e Ultrapar.
O projeto da “Biorrefinaria Riograndense” tem investimento estimado em mais de R$ 5 bilhões. O local já processou óleo de soja durante um período de testes.
Caso seja confirmado o investimento – a decisão é aguardada para este ano - o plano é produzir biocombustíveis avançados como combustível sustentável de aviação (SAF) e diesel verde (HVO).
Empresas como Bianchini, Bunge e CCGL estariam fazendo investimentos no Termasa, segundo ele.
Neste cenário, a previsão da LW é alcançar uma receita de R$ 600 milhões até 2029. Deste total, cerca de R$ 400 milhões viriam de clientes ligados ao agronegócio.
Para atender a demanda crescente, a empresa está investindo em uma nova sede industrial, com aporte de R$ 14 milhões.
“A gente já está importando alguns equipamentos da China para a fábrica nova e implantando tecnologia para ser feita pela própria universidade de Rio Grande (FURG) para automatizar processos”, ressaltou.
Para a nova fábrica, foi adquirida uma área de 20 mil metros, no Distrito Industrial de Rio Grande. Na estrutura atual da empresa, são produzidos, em média, 150 toneladas por mês de estruturas metálicas. Com a nova sede, o volume vai subir para 400 toneladas mensais.
Em paralelo aos projetos no Sul, a LW tem olhado para oportunidades no Centro-Oeste. A empresa já executou obras em Sinop (MT) para um cliente de fertilizantes, além de fornecer materiais para a planta da Arauco, Inocência (MS).
A expectativa é de que a retomada da produção na fábrica de fertilizantes nitrogenados da Petrobras, em Três Lagoas (MS), também traga nova possibilidade de contratos.
Resumo
- A LW, de estruturas metálicas, prevê dobrar a receita pelo segundo ano consecutivo, com maior demanda do agronegócio
- Indústrias de fertilizantes e tradings de grãos já representam 70% dos negócios da empresa, que projeta faturar R$ 600 milhões em 2029
- Companhia está investindo em nova sede fabril para atender demanda que tende a crescer com a produção de biocombustíveis na Refinaria Riograndense