Conversar com o empresário Pelerson Penido Dalla Vechia, conhecido como “Peleco”, em tempos desafiadores para o agro como agora, é uma espécie de dose de esperança, com sinais de que há luz no fim do túnel.
E é fácil entender o motivo. Com fatos e dados - e muito trabalho e pesquisa de campo -, ele assumiu uma fazenda que estava 80% degradada há 20 anos e transformou-a em exemplo global de agropecuária sustentável, não apenas pela questão ambiental, mas também pela rentabilidade do negócio.
Ele começou a trabalhar nas áreas rurais da família quando tinha 14 anos de idade e acompanhava seu avô, Pelerson Soares Penido, empreiteiro que foi um dos desbravadores do Centro-Oeste brasileiro.
Por algumas décadas a Fazenda Roncador foi considerada a maior do Brasil, com 157 mil hectares.
Mas tamanho não é documento. Era preciso adotar um sistema mais sustentável, que priorizasse saúde do solo e perspectivas de produtividade alta no longo prazo, além de viabilidade financeira.
No início dos anos 2000, Peleco assumiu o comando da Roncador e decidiu investir na transformação do sistema produtivo. Primeiro, foi recuperando as pastagens e tornando a pecuária mais intensiva e tecnológica.
Na sequência, começou a plantar soja e milho, o que seria o início do que hoje é o maior orgulho da empresa, a Integração Lavoura e Pecuária (ILP), que trouxe mais ganhos e mais sustentabilidade à fazenda.
“Fomos entrando nesse ciclo de aspiral ascendente e positiva em todos os aspectos. Comecei a medir e olhar para os indicadores, para mitigar risco e saber para onde está indo. Fazia projeção de venda de três anos pra frente”, contou Peleco, na entrevista ao AgLíderes, o videocast do AgFeed.
Há cerca de 5 anos, houve uma partilha de bens na família Penido e as terras foram divididas. Peleco ficou com o Grupo Roncador, que inclui 54 mil hectares da fazenda original, de Mato Grosso.
A empresa possui também áreas próprias e arrendadas em São Paulo e MT, o que totaliza quase 90 mil hectares dedicados à pecuária, agricultura e preservação de mata nativa. Na Roncador, por exemplo, 47% estão preservados.
No ano passado, o grupo abateu 54 mil cabeças de gado e produziu 1,3 milhão de sacas de soja, além de investir em outras frentes, como uma mineradora de calcário agrícola, calcítico e dolomítico.
“A produção era de 300 mil toneladas (na mineração), hoje está em 1,6 milhão e a projeção é chegar em 2,5 milhões”, afirmou.
Mais do que números, porém, Pelerson Penido defende uma maior consciência de todos em relação ao planeta e às pessoas. Ele diz que carbono no solo, na empresa, “é indicador de gestão”, porque sabe que o benefício para os resultados financeiros é uma consequência.
Um exemplo prático: em reportagem publicada pelo AgFeed em 2023, Peleco contou da “sopa de floresta”, uma iniciativa de buscar substratos das áreas de mata nativa para melhorar a qualidade do solo para a agropecuária.
Nos últimos anos, essas ações de agricultura regenerativa só crescem. Agora, da sua mineradora sai um pó de rocha que ele chamou de “silicálcio”, que também é aplicado nas lavouras. A sopa de floresta com o pó de rocha virou um condicionador de solo e o resultado tem sido uma redução drástica na necessidade de fertilizantes tradicionais (aqueles que dependem da importação no Brasil).
Há 3 anos, quando houve uma forte quebra na safra de Mato Grosso, o resultado ficou mais evidente.
“As áreas não maduras tiveram 47 sacas por hectare de produtividade na soja e as áreas do sistema regenerativo produziram 65 sacas, num ano que todos produziram muito pouco”, ressaltou Peleco.
Na entrevista a seguir, o CEO do Grupo Roncador conta que vem mantendo no mínimo R$ 40 milhões de investimentos por ano e está pronto para fazer novas expansões, mas destaca que os juros altos vêm desacelerando o ritmo desses investimentos.
Qual será a opinião de Pelerson sobre o mercado de carbono? E as margens, será que também caíram no Grupo Roncador?
As respostas para estas e outras perguntas estão no episódio completo do AgLíderes, disponive nas plataformas YouTube e Spotify. Clique e assista.