Se o agronegócio precisa de resiliência, Sheilla Albuquerque conhece bem o sentido da palavra. O primeiro contato com o setor foi quando ela era menor aprendiz, com apenas 14 anos, ao ingressar numa multinacional do setor de agroquímicos.
Entre a Dow e a Corteva, liderou uma verdadeira revolução no mercado de sementes de milho. Mas em 2022 veio o maior teste da carreira - virar CEO de uma companhia do agro listada na bolsa (a AgroGalaxy, com IPO recente), exatamente no momento em que o “ciclo virou”, com a queda nos preços das commodities e um cenário de margens piorando para todos os elos da cadeia.
Hoje ela lidera uma empresa que cresceu dois dígitos na última safra e promete repetir o bom desempenho no próximo ciclo. Mas bem antes disso, Sheilla Albuquerque teve a coragem de contar ao mercado ter enfrentado um processo de burnout, que ela descreveu como sua pior “quebra de safra”, em um dos quadros especiais do videocast AgLíderes, do AgFeed.
O aprendizado ficou e ela saiu fortalecida. Como CEO da Vitalforce, uma indústria de insumos biológicos, ela se diz “inspirada” e apaixonada pela essência do setor, onde “a natureza cura a natureza”.
A empresa pertence à família Trecenti, do interior de São Paulo, que já investiu em negócios que ficaram gigantes, em setores como celulose e rerrefino de óleo.
Desde 2023, o grupo apostou no mercado de insumos agrícolas ao comprar a Vitalforce que já atuava em nutrição de plantas, mas o foco maior agora é a crescente demanda por biológicos.
“Há quem diga que em 2035 os biológicos podem alcançar 50% do que é hoje o mercado de químicos”, lembrou Sheilla, na entrevista.
No Brasil, a estimativa é de que o setor tenha movimentado R$ 7 bilhões na safra 2025/2026. Para o próximo ciclo, a CEO da Vitalforce acredita em 15% de crescimento.
Na empresa que hoje comanda a prioridade tem sido levar informação e “ciência” para os produtores, especialmente médios e pequenos, segundo ela.
A executiva defende um conceito de agricultura sistêmica, onde há uma combinação entre defensivos biológicos, químicos e outras tecnologias, com foco em mais sustentabilidade e menor custo ao produtor.
“Temos a ambição de estar entre as 5 maiores daqui a 10 anos. É um capital mais paciente se comparado a minha experiencia anterior”, disse Sheilla, ao destacar a diferença entre o grupo familiar que comanda a Vitalforce e a firma de private equity Aqua Capital, onde ela trabalhou anos atrás.
Hoje a Vitalforce estaria entre as 30 maiores num mercado que conta com pelo menos 200 empresas.
Uma das apostas para o futuro da companhia é a tecnologia do RNAi, onde é possível, por exemplo, decodificar o dna de um inseto para combate-lo de forma mais eficaz. A expectativa é contar com produto para lagarta do cartucho, uma dor de cabeça no milho e outras culturas, no prazo de dois anos.
Apesar do setor de biológicos seguir crescendo em meio ao cenário de preços agrícolas mais baixos, a CEO admite que o segmento também sofre com a "crise de crédito" ou "crise de confiança" que se instalou no setor, com aumento da inadimplência.
Em outro trecho do AgLíderes, Sheilla Albuquerque ressalta que as mulheres “têm uma contribuição de longo prazo a fazer” e admite que ainda hoje segue sendo um desafio no agro ter mais mulheres conquistando de forma permanente as posições de liderança.
Como o aumento nas recuperações judiciais afetou os negócios da Vitalforce? E quais são os planos de investimento da empresa? As respostas para estas e outras perguntas estão no episódio completo, que você assiste nos canais do AgFeed no YouTube e no Spotify.