Já são 25 anos dedicados ao agronegócio na trajetória de Pedro Fernandes, um engenheiro especializado na área financeira que, quando criança, adorava frequentar a fazenda do avô.
Ao longo deste período, foram muitos ciclos de alta e baixa, além do desenvolvimento de uma área específica para o agronegócio dentro do maior banco do País – uma história que Pedro ajudou a construir.
“A primeira vez que a gente agrupou no banco os clientes de um mesmo setor para atende-los com olhar único foi no setor de açúcar e etanol, por volta de 2008/2009. Depois disso vimos que deu muito certo”, lembrou Fernandes, na conversa com o AgLíderes, o videocast do AgFeed.
Cinco anos depois, o Itaú BBA começou a atender produtores rurais (antes o foco maior era as usinas) e em 2020 agregou todas as cadeias produtivas.
Em 2026, o banco espera atingir um crescimento de pelo menos 10% na carteira agro, que no ano passado foi de R$ 135 bilhões.
Mesmo com a “tempestade perfeita” do agro, com crédito restrito e margens apertadas para os produtores, será possível então chegar aos R$ 150 bilhões? Foi o que perguntamos a ele.
“Eu acho que a gente chega lá. Temos que trabalhar muito, mas estou muito animado, a gente tem visto por exemplo no setor de açúcar e etanol, alguns grupos estão pouco alavancados e fazendo investimentos importantes, comprando novas unidades, então essa é uma oportunidade para que a gente faça transações importantes”, respondeu.
Fernandes também avalia que o ambiente de maior receio no mercado de capitais, em relação ao agronegócio, acaba sendo um fator de maior demanda pelo crédito concedido por bancos tradicionais, como o Itaú BBA.
Na conversa com o AgLíderes, ele avaliou também o cenário das recuperações judiciais no agronegócio, que ainda cresceram quase 22% no primeiro trimestre do ano, segundo a Serasa Experian.
“Eu acho que o produtor já entendeu que é um péssimo negócio (a RJ). Quem caiu nesse conto do vigário, não resolveu o problema que levou ele a alavancagem e agora ninguém empresta um centavo pra ele”, afirmou.
Na visão do executivo, o estado de Mato Grosso, que teria sido a origem das RJs de produtores, já vem demonstrando um recuo, o que mostra esta consciência atual de que os resultados não foram bons para aqueles que seguiram esse caminho.
O diretor de agronegócio do Itaú BBA se diz preocupado, no entanto, com a inadimplência entre os médios produtores, que ainda mantém um número elevado de pessoas que estão sem acesso ao custeio.
Apesar da renegociação das dívidas, viabilizada pelo Congresso Nacional e pelo governo, há uma fatia que tem que não é contemplada, segundo ele. São aqueles produtores que acessaram dinheiro por linhas que não estão no crédito rural oficial, como os débitos via CPR.
Para 2027, Pedro Fernandes prevê um cenário ainda desafiador, que não garante um crescimento na carteira agro no mesmo ritmo registrado até agora. “Os bons produtores, menos alavancados, tem diminuído a sua dívida ao longo do tempo, por isso nossa carteira só vai crescer se os clientes voltarem a acreditar, não sei se esse nível de confiança está elevado”, ponderou.
Qual a importância da governança para enfrentar esse cenário adverso? E qual deve ser o impacto da renegociação das dívidas no setor? Esses e outros assuntos você confere na entrevista completa com Pedro Fernandes no AgLíderes, disponível nos canal do AgFeed no YouTube.