A duas semanas da divulgação de seus resultados para o terceiro trimestre, prevista para o próximo dia 29, a FMC Corporation já deu o tom de que as notícias não serão boas para os seus acionistas.
Em um comunicado divulgado na manhã desta quinta-feira, a companhia americana de defensivos químicos abandonou o discurso de recuperação que vinha adotando nos últimos meses e optou por um choque de realidade, ao informar que revisou drasticamente para baixo suas expectativas para o período compreendido entre julho e setembro deste ano.
Além disso, a FMC anunciou um pacote abrangente de ações comerciais com o objetivo de reduzir os estoques em mão dos distribuidores e tornar seus produtos mais competitivos em um mercado retraído, com produtores menos economizando cada possível centavo.
A receita do trimestre agora é projetada em apenas US$ 65 milhões a US$ 125 milhões, com Ebitda ajustado negativo de US$ 565 milhões a US$ 510 milhões. Os números incluem um impacto estimado de US$ 625 milhões a US$ 675 milhões relacionado às próprias ações comerciais anunciadas.
"A demanda do terceiro trimestre foi mais fraca do que esperávamos, impulsionada por condições desafiadoras de mercado e níveis elevados de produtos FMC de preço mais alto mantidos em estoque por certos clientes de canal, o que está limitando o movimento de produtos e a demanda de reposição", disse Pierre Brondeau, chairman, CEO e presidente da companhia no comunicado.
"Enfrentamos essa questão de forma incremental ao longo de vários trimestres, mas, sob as condições atuais de mercado, determinamos que ações mais abrangentes são necessárias."
O problema central, segundo a companhia, é a demanda mais lenta do que o esperado dos distribuidores nos principais mercados. Sob as condições atuais, os canais buscam operar em níveis de estoque que a empresa considera como os menores que a FMC já registrou.
Embora a empresa alegue ter feito progresso relevante na redução dos volumes de inventário em 2025, alguns produtos de preço mais alto estariam inflando o valor total do estoque mantido por parte dos clientes.
Segundo o comunicado, esses produtos entraram nos canais de distribuição sob estruturas de custo, posições de propriedade intelectual e condições competitivas diferentes.
Mas as quedas rápidas de preços de mercado, impulsionadas em parte pelo aumento da concorrência de genéricos, ampliaram a diferença entre o valor do estoque afetado e os preços atuais, travando o movimento desses produtos até o produtor.
A resposta da FMC a essa questão chega agora com medidas poucas vezes vistas. A primeira delas foi adotar ações comerciais abrangentes em seus principais mercados –Brasil, Argentina, Estados Unidos e Canadá – de forma a reduzir o preço de produtos selecionados que já estão nas mãos dos clientes de canal.
Com isso, parte do custo da correção é transferido para a própria FMC, causando os impactos previstos de até US$ 675 milhões na receita e no Ebitda.
A segunda medida é uma mudança no modelo de venda e precificação nos Estados Unidos, abandonando a estrutura histórica de preço bruto alto com descontos elevados.
Assim, a companhia pretende reduzir significativamente a diferença entre preço bruto e preço líquido, simplificando a economia para o cliente e alinhando a precificação à realidade de mercado.
"As ações que tomamos sob nossas prioridades operacionais de 2026, combinadas com essas ações comerciais críticas, devem melhorar significativamente a competitividade geral da companhia", afirmou Brondeau.
"Acreditamos que remover esse obstáculo é um passo importante para completar a transformação da companhia e posicionar a FMC para operar em todo o seu potencial em 2027, 2028 e no longo prazo."
A recuperação não chega
O comunicado revela que, apesar do otimismo demonstrado com a entrada de um novo sócio – o grupo belga Tessenderlo investiu US$ 400 milhões na compra de 20% de participação na companhia – e o lançamento de novas moléculas com potencial bilionário, a recuperação financeira ainda não é uma realidade na FMC.
Em julho passado, a companhia chegou a superar a estimativa de lucro no segundo trimestre, mas com receita recuando 17%. Na ocasião da divulgação do balanço, ela já havia reduzido o guidance para 2026, citando um ambiente macroeconômico mais desafiador.
A projeção, então, era de retomada no quarto trimestre, com receita entre US$ 1,06 bilhão e US$ 1,20 bilhão, impulsionada por vendas diretas a produtores no Brasil, novos ingredientes ativos e pedidos de distribuidores na América do Norte.
Agora, o comunicado indica que talvez demore um pouco mais. Isso deve ficar claro na conferência com analistas após a publicação do novo balanço trimestral, no final do mês. Ali, a FMC promete divulgar as expectativas preliminares para 2027 e 2028.
Resumo
- FMC reduz drasticamente a projeção de receita para o terceiro trimestre e prevê Ebitda ajustado negativo, pressionada pela demanda fraca
- Companhia anuncia cortes de preços em mercados como Brasil, Argentina e Estados Unidos para reduzir estoques e recuperar competitividade
- Medidas comerciais podem gerar impacto de até US$ 675 milhões nas contas da FMC, enquanto a recuperação financeira segue incerta