O comunicado oficial é curto e com poucos detalhes. Divulgado no início da tarde desta sexta-feira, 29 de agosto, por dois gigantes do agro, ele informa apenas que os grupos Amaggi e a Inpasa fecharam um acordo para a criação de uma joint venture, cujo objetivo é construir pelo menos três plantas para fabricação de etanol de milho no estado de Mato Grosso.

Os valores a serem investidos não foram anunciados. Cada planta, segundo a nota, terá a capacidade inicial para processar 2 milhões de toneladas por ano. A primeira será erguida em Rondonópolis.

Na sequência, devem ser contempladas com os investimentos Campo Novo dos Parecis e Querência, mas, segundo as empresas, esses locais ainda estão em estudos.

“O investimento representará mais um avanço no plano de expansão das companhias, com foco na industrialização de commodities e geração de maior valor agregado à cadeia produtiva”, diz o texto.

A parceria reúne expertises complementares. A Amaggi é uma das maiores produtoras e originadoras de grãos do País. Na safra 2023/2024, de suas lavouras saíram mais de 400 mil toneladas de milho, cerca de um terço de sua produção total – os números da safra 2024/2025 ainda não foram fechados.

Além disso, a trading da companhia da família Maggi se relaciona com mais de 5 mil produtores, o que permite que ela tenha comercializado, no ano passado, mais de 18 milhões de toneladas de commodities agrícolas.

A Inpasa, por seu lado, se diz "a maior indústria transformadora de grãos em energias limpas e renováveis da América Latina". Fundada pelo brasileiro José Edvar Lopes, iniciou suas operações no Paraguai, em 2008. Atualmente, tem duas plantas no país vizinho, além de quatro em operação no Brasil (Sinop e Nova Mutum, em Mato Grosso, Dourados, no Mato Grosso do Sul e a recém-inaugurada em Balsas, No Maranhão) e uma em construção em Sidrolândia, no Mato Grosso do Sul.

Os investimentos realizados e mesmo os cogitados nos últimos anos dão uma pista do porte do acordo. A nova usina da Inpasa em Balsas, por exemplo, tem capacidade semelhante às que as duas companhias pretendem implantar e custou R$ 2,5 bilhões.

O valor é o mesmo anunciado pelo governador de Goiás, Ronaldo Caiado, que seria investido pela companhia na construção de uma planta no município goiano de Rio Verde – investimento este ainda não confirmado pela Inpasa.

Com isso, os planos da JV partiriam de um patamar de R$ 7,5 bilhões. e elevariam para mais de R$ 30 bilhões o valor de projetos de novas unidades de produção de etanol de milho já anunciados no País.

Esta semana, um levantamento do banco Itaú BBA contabilizou 21 deles, que somariam mais de R$ 23 bilhões. O estudo do banco considera apenas os valores de despesa de capital (capex). Segundo o Itaú BBA. o capital de giro necessário para planejamento e construção das plantas envolveria mais de R$ 5 bilhões.

Sua execução elevaria a capacidade de produção brasileira do biocombustivel em quase 50%, dos atuais 8,2 bilhões de litros para 12,1 bilhões de litros.

O diretor-executivo da Biond-MT, Giuseppe Lobo, disse ao AgFeed que, geralmente, a cada 2 milhões de toneladas de milho se produz 1 bilhão de litros de etanol.

Neste cenário, as três novas usinas da JV entre Amaggi e Inpasa poderiam acrescentar mais 3 bilhões de litros de etanol de milho à produção de Mato Grosso.

Pelas últimas projeções da entidade, com base nos dados do Imea, Mato Grosso deve produzir entre 25 bilhões e 26 bilhões de litros de etanol de milho na próxima safra.

A formalização da nova empresa depende da aprovação das autoridades concorrenciais brasileiras.

Com reportagem de Alessandra Mello.

Resumo

  • Amaggi e Inpasa anunciam joint venture para três usinas de etanol de milho em Mato Grosso
  • Investimento previsto pode alcançar R$ 7,5 bilhões, com primeira unidade em Rondonópolis
  • Parceria une produção e originação de grãos da Amaggi à expertise da Inpasa em biocombustíveis