Projeção confirmada: o Brasil bateu recorde de exportação de soja em 2025. Segundo dados consolidados pela Anec (Associação Nacional dos Exportadores de Cereais) divulgados em seu primeiro relatório semanal de 2026, foram vendidas 108,6 milhões de toneladas de soja ao longo do ano passado, um avanço de pouco mais de 11% frente às 97,2 milhões de toneladas embarcadas em 2024.
Deste volume, 87,1 milhões de toneladas, cerca de 80% do total, foram destinadas à China. A Anec calcula que as vendas de soja somaram US$43,5 bilhões (cerca de R$ 234 bilhões pela cotação atual) no ano passado.
Só no último mês do ano, passaram pelos portos rumo a outros destinos 2,9 milhões de toneladas. Ao considerar o farelo de soja, o milho e o trigo, foram embarcados 175,6 milhões de toneladas ao longo do ano passado, informou a Anec.
Passado o ano recorde, a associação passa a olhar para 2026 - e já de cara com duas agendas importantes que podem movimentar o mercado: o acordo entre Mercosul e União Europeia e as negociações envolvendo a compra de soja americana pela China.
O segundo movimento quase não aconteceu ao longo do ano passado por conta das tensões envolvendo os países, fator fundamental para o número recorde visto em 2025 nas vendas externas da soja nacional.
Olhando os números absolutos, 2026 já começou melhor que 2025. Considerando os cronogramas de remessas, o Brasil deve exportar 2,4 milhões de toneladas de soja, mais que o dobro das 1,1 milhão de toneladas exportadas em janeiro de 2025. Há um ano, o País lidava com uma colheita atrasada da oleaginosa, causada por um atraso no plantio que foi adiado por questões climáticas nas principais regiões produtoras.
A previsão para o resto do ano é repetir o recorde. No relatório, a Anec cita que serão exportadas 110 milhões de toneladas de soja em 2026. Esse mercado, contudo, não deve repetir os ritos vistos em 2025.
Do lado positivo, a Anec cita no relatório semanal que o acordo entre o Mercosul e a União Europeia deve ser formalizado ainda nesta semana e afirma que o aperto de mãos tende a "gerar efeitos positivos para o Brasil".
Na prática, a associação acredita que existe uma demanda por farelo de soja por parte da Europa que tem se mantido estável e pode avançar com o acordo fechado.
"Atualmente, as exportações brasileiras de soja em grão, farelo de soja e milho não enfrentam barreiras tarifárias, contudo, o acordo poderá proporcionar maior previsibilidade aos exportadores, reduzir custos e ampliar a priorização dos produtos brasileiros, reforçando a competitividade do país nesses mercados", afirma a Anec.
"Ao longo do ano, as importações do bloco europeu deverão ser reguladas, sobretudo, por fatores como preços, sazonalidade de oferta, logística e conformidade com a EUDR (lei antidesmatamento europeia), quando e se esta vier a vigorar", acrescentou no relatório.
Do lado negativo, a China deve voltar a comprar soja em volumes maiores dos Estados Unidos, o que pode frear o apetite pelo grão nacional. A Anec relembra que a China deve adquirir dos americanos aproximadamente 12 milhões de toneladas nesta temporada e cerca de 25 milhões de toneladas anuais ao longo das próximas três temporadas.
"As compras de soja norte-americana pelos chineses aumentaram e tendem a se manter até o início da janela de exportação brasileira, quando o produto nacional passa a se posicionar de forma mais competitiva", diz a Anec.
Olhando os números de 2025, percebe-se que a exportação ficou mais forte entre março e julho, numa trajetória descendente com o o pico sendo o terceiro mês do ano, com 15,7 milhões de toneladas embarcadas. É nessa época que ocorre um "entroncamento" entre todas as safras de soja do País - tanto precoces quanto tardias -, e com alto volume em mãos, as tradings começam a exportar.
Diante disso, os Estados Unidos estão aproveitando o período de entressafra brasileira para abastecer o gigante asiático com sua soja. De acordo com a Anec, isso pode trazer uma pressão sobre os prêmios de exportação no Brasil atualmente.
Apesar disso, cita que o "mercado internacional de soja permanece dinâmico e sujeito a ajustes ao longo do ano", e que uma grande disponibilidade do produto e a qualidade da soja brasileira podem ajudar o país a continuar ganhar participação frente a outros países.
"Nesse contexto, e considerando a retomada do fornecimento de soja pelos Estados Unidos ao longo desta e da próxima temporada, o Brasil deverá manter os volumes médios de exportação observados nas últimas safras, com, no mínimo, 70% desse total direcionado à China", diz a Anec.
Em termos absolutos, a associação calcula um volume de, ao menos, 77 milhões de toneladas aos chineses - 10 milhões de toneladas a menos do que o vendido em 2025. "Esse é um valor mínimo calculado com base nas médias recentes de exportação e na demanda chinesa", afirmou a associação.
Resumo
- O Brasil exportou 108,6 milhões de toneladas de soja em 2025, alta de 11% na comparação anual, com receitas de US$ 43,5 bilhões e cerca de 80% do volume destinado à China
- Janeiro de 2026 já começa mais forte, com embarques previstos de 2,4 milhões de toneladas, mais que o dobro de um ano antes, ajudados por uma colheita mais ajustada no calendário
- A Anec projeta novo recorde de 110 milhões de toneladas neste ano, mas com riscos no radar: retomada das compras chinesas nos EUA e impacto do acordo Mercosul–UE sobre previsibilidade, custos e demanda por farelo