Depois de ter sido incluída no processo de recuperação judicial de sua controladora, a Fictor Alimentos vive um momento de “desmobilização” de seus ativos – e também de seus planos de se tornar uma empresa relevante no mercado de proteínas.
No início desta quinta-feira, 12 de março, a companhia comunicou ao mercado, em fato relevante, que não prosseguirá com a aquisição de uma unidade de processamento de de suínos em Betim (MG).
Fechada no final de abril de 2025 por R$ 30,9 milhões, a transação foi anunciada como a primeira de uma série que a companhia pretendia fazer no setor e que incluiria também oportunidades nos segmentos de avicultura e piscicultura.
A unidade já vinha sendo operada pela Fictor Alimentos, mas, segundo o comunicado da companhia, terá agora suas atividades encerradas.
No fato relevante, a companhia apontou que a conclusão não havia sido concluída até agora porque “a transferência da UPI Mellore permanecia condicionada ao trânsito em julgado da decisão de homologação, o qual, até a presente data, não ocorreu”.
A homologação era necessária porque a planta foi adquirida a partir de um leilão realizado dentro do processo de recuperação da Mellore Alimentos. A Fictor havia apresentado a única proposta para a compra da unidade produtiva, com habilitação para exportar para 100 países, inclusive Emirados Árabes Unidos, Catar e Hong Kong, e capacidade de produzir 1.691 toneladas por mês de produtos acabados de origem animal.
Segundo informou na ocasião, a proposta da Fictor era para a aquisição do ativo livre de passivos e já com o aval do administrador judicial, mais ainda aguardando apenas a sentença judicial da Vara Empresarial, da Fazenda Pública e Autarquias, de Registros Públicos e de Acidentes do Trabalho da Comarca de Betim, que ainda não foi expedida.
Enquanto a transferência não ocorria, a planta vinha operando com investimentos feitos pela Fictor, que envolvia parte dos valores investidos. "O juiz autorizou que a gente pudesse executar a gestão daquele ativo para que ele não depreciasse mais", explicou, em entrevista ao AgFeed em julho passado, André Vasconcellos, diretor de estratégia e relações com investidores da Fictor Alimentos.
Agora, o discurso da empresa diz que “no contexto de revisão e alinhamento de suas diretrizes e de seu plano de negócios, a companhia concluiu que a continuidade da operação vinculada à referida unidade produtiva não se mostra aderente às prioridades e ao posicionamento estratégico atualmente definidos para suas atividades”.
Segundo a Fictor, “não existem previsões contratuais ou disposições constantes do edital de participação no processo competitivo de aquisição que lhe imponham qualquer sanção pecuniária ou outra forma de penalidade em decorrência da desistência no referido processo de aquisição”.
Resumo
- Fictor Alimentos desiste da compra de uma planta de suínos em Betim (MG), adquirida em leilão da Mellore Alimentos por R$ 30,9 milhões
- A transferência da unidade dependia do trânsito em julgado da homologação do leilão, o que ainda não ocorreu
- Com a recuperação judicial da controladora, a empresa revisou o plano de expansão no mercado de proteínas