Aproveitando uma trajetória de desalavancagem, a Caramuru Alimentos foi mais uma vez ao mercado de capitais. Depois de captar US$ 200 milhões (cerca de R$ 1 bi) em outubro do ano passado, a empresa reforça novamente o caixa na safra 2025/2026, com a emissão de R$ 600 milhões em debêntures.
Caso haja demanda por um lote adicional, a captação pode chegar em até R$ 750 milhões. Segundo documento arquivado na CVM, os recursos servirão para "suas atividades de produção, aquisição, comercialização, beneficiamento e industrialização de soja em grãos, milho em grãos, girassol em grãos e óleos vegetais".
O modelo da emissão é a popular "crabênture". A empresa emite a debenture em nome de uma securitizadora, que nesse caso é a Ecoagro, que por sua vez, distribui em forma de CRAs para investidores.
A remuneração das séries da emissão ainda dependem do processo de bookbuilding, mas a empresa já sinalizou as metas que pretendem atingir. Na primeira série, com vencimento em cinco anos, a remuneração será de até 109,5% do CDI.
Na segunda série, com vencimento em sete anos, a remuneração final aos investidores será o patamar do CDI em janeiro de 2031 mais 1,35% ao ano ou uma taxa pré-definida em 14,85% ao ano, o que for maior entre elas.
Na terceira e última série, que vence em 10 anos, a indexação está atrelada ao IPCA.
A remuneração desse tranche está limitada entre a soma da NTN-B (Nota do Tesouro Nacional - Série B) com vencimento em 2035 mais 1,5% ao ano ou uma taxa de 9,10% ao ano, novamente, o que for maior.
Para além de ajudar no andamento da safra e financiar a operação diária, em um movimento frequente entre gigantes do setor, a captação via crabentures pode chegar em um momento em que a situação financeira da empresa se mostra mais saudável.
No último balanço divulgado pela empresa, referente ao terceiro trimestre de 2025, a alavancagem (medida pela relação entre a dívida líquida de R$ 1,79 bilhão e o Ebitda dos últimos doze meses), estava em 1,98 vez, uma baixa de 62% em relação a um ano antes, quando estava em um patamar superior às 5 vezes.
No acumulado do ano passado até setembro, a Caramuru soma uma receita líquida de R$ 6 bilhões, 13% acima do que no mesmo período em 2024. Só no terceiro trimestre, a receita líquida atingiu R$2,28 bilhões.
Em uma entrevista recente à revista Exame, o presidente da empresa, Marcus Thieme, citou que a meta é encerrar 2025 faturando R$ 8 bilhões, o que traria uma alta de 9,6% em relação ao ano anterior.
No balanço do terceiro trimestre, a empresa atribui o crescimento da receita principalmente pela venda direta de commodities, mas também ressalta bons números na categoria "Produtos de consumo", como farelo de soja, soja em grãos e óleo de soja.
Resumo
- A Caramuru busca captar até R$ 750 milhões via debêntures estruturadas como “crabêntures”, com CRAs distribuídos pela Ecoagro e prazos que chegam a dez anos
- A emissão ocorre após uma forte desalavancagem: a relação dívida líquida/Ebitda caiu para 1,98 vez no terceiro trimestre de 2025, ante mais de 5 vezes um ano antes