A Corteva divulgou na noite da quinta-feira, 30 de outubro, o que pode ser um dos últimos balanços completos antes da sua cisão, que vai criar duas empresas de capital aberto: de um lado, a Vylor, focada no segmento de sementes e genética; de outro, a New Corteva, companhia que herdará o portfólio de proteção de cultivos. A separação está mantida para o próximo dia 1º de outubro.

E trouxe boas e más notícias com para seus acionistas. No segundo trimestre, a companhia registrou receita líquida de US$ 6,38 bilhões (critério GAAP) e lucro operacional (Ebitda ajustado) de US$ 2,26 bilhões. O lucro por ação ajustado foi de US$ 2,30.

A má notícia é que o lucro após taxas caiu cerca de 12% no período, ficando em US$ 1,22 bilhão;

No acumulado do primeiro semestre, a receita somou US$ 11,28 bilhões, com Ebitda ajustado de US$ 3,70 bilhões e lucro por ação ajustado de US$ 3,80. Aqui, a redução no lucro após taxas foi menor, de 5%, com o indicador fechando em US$ 1,94 bilhão.

Com desempenho acima do esperado, a Corteva elevou a projeção para o ano completo de 2026, com Ebitda ajustado estimado entre US$ 4,1 bilhões e US$ 4,3 bilhões e lucro por ação ajustado entre US$ 3,60 e US$ 3,80.

Os resultados foram sustentados por duas frentes, segundo o relatório trimestral. No segmento de Sementes, a empresa conseguiu capturar valor com tecnologias de germoplasma e traits de última geração, além do crescimento em licenciamento. Na divisão de Proteção de Cultivos, a demanda por novos produtos e o foco em excelência operacional compensaram a pressão competitiva sobre preços.

As vendas orgânicas — que excluem efeitos cambiais e de portfólio — somaram US$ 6,32 bilhões no trimestre e US$ 11,05 bilhões no semestre.

No desempenho por divisão, Sementes registrou receita estável no segundo trimestre, em US$ 4,53 bilhões, mas subiu 4% no acumulado do semestre, para US$ 7,56 bilhões, com Ebitda operacional de US$ 1,97 bilhão no trimestre e US$ 3 bilhões no semestre. A margem Ebitda operacional melhorou 230 pontos-base no trimestre.

Já o segmento de Proteção de Cultivos apresentou recuo de 4% na receita no trimestre, que ficou em US$ 1,85 bilhão. Mas no semestre o resultado também foi compensado pelo bom desempenho no primeiro trimestre, e fechou com alta de 3%, em US$ 3,73 bilhões. A margem do segmento melhorou 110 pontos-base no trimestre.

O Brasil e a América Latina contribuíram de maneira decisiva, com receita de US$ 679 milhões no segundo trimestre, alta de 1% na comparação anual. No semestre, o avanço foi 6% no semestre, para US$ 1,19 bilhão. O desempenho contrasta com o observado em outras regiões: a América do Norte caiu 2% no trimestre, enquanto Ásia-Pacífico subiu 3%.

Na comparação com o trimestre anterior, a Corteva já havia apresentado resultados sólidos no primeiro trimestre, com receita de US$ 4,9 bilhões e Ebitda ajustado de US$ 1,44 bilhão. O segundo trimestre manteve a trajetória de crescimento, com a receita semestral subindo 4% ante o mesmo período de 2025. A melhora na margem EBITDA operacional de ambas as divisões indica que a empresa está conseguindo compensar a pressão de preços com ganhos de eficiência e mix de produtos de maior valor agregado.

Cisão dentro do cronograma

Juntamente com o release de resultados, a Corteva confirmou que o processo de separação da Vylor segue dentro do cronograma. Entre os marcos já alcançados estão a nomeação do conselho da nova empresa, o avanço do registro junto à SEC, equivalente americano da CVM, e a definição da estrutura de capital.

A empresa espera concluir a revisão de sua estrutura de capital no terceiro trimestre. O Investor Day da Vylor está marcado para 15 de setembro e a separação está prevista para 1º de outubro.

A companhia estima um custo anual de aproximadamente US$ 150 milhões a US$ 200 milhões com eventuais perdas de sinergias. Os valores serão alocados entre as duas empresas.

“Ao iniciarmos o segundo semestre, nosso foco permanece onde deve estar: em nossos clientes, no cumprimento das metas anuais e em garantir que a separação, em 1º de outubro, ocorra de forma pontual e tranquila”, afirmou o CEO da Corteva (e futuro CEO da Vylor), Chuck Magro, no comunicado. “Estou entusiasmado para ver o que o futuro reserva para ambas as empresas.”

Resumo

  • Corteva elevou o guidance para 2026 após um primeiro semestre acima das expectativas, com receita de US$ 11,28 bilhões e melhora das margens operacionais
  • A cisão das divisões de proteção de cultivos e sementes segue dentro do cronograma, confirmada para 1º de outubro
  • Brasil e América Latina sustentaram o crescimento, com avanço de 6% na receita semestral