O preço da soja pode ter recuado ao longo do ano passado, mas a Caramuru Alimentos, companhia especializada na originação e processamento de grãos, biocombustíveis e alimentos, compensou a pressão nos valores pagos com maior volume comercializado e encerrou o ano de 2025 com um resultado robusto.
O desempenho também foi sustentado pelo avanço do segmento de biocombustíveis, com altas de volume de vendas e também de preços, sob impacto positivo do aumento da mistura obrigatória de biodiesel ao diesel, que passou de 14% para 15% no ano passado.
De acordo com o documento, o lucro líquido da companhia somou R$ 570,8 milhões no ano, um crescimento de 109,8% na comparação com 2024.
A receita líquida avançou 12,2%, para R$ 8,15 bilhões, enquanto o volume de vendas cresceu 10,3%, alcançando 2,7 milhões de toneladas.
Da receita, R$ 5,23 bilhões vieram do mercado interno e R$ 3,14 bilhões vieram do mercado externo.
No balanço, a Caramuru pontuou que o principal destaque foi o segmento de biocombustíveis.
No acumulado do ano, o segmento somou receita de R$ 2,5 bilhões, alta de 18,5% frente aos R$ 2,1 bilhões registrados em 2024. Esse desempenho foi impulsionado pelo crescimento de 6,5% no volume vendido, aliado à elevação de 11,2% no preço médio de venda, sob impacto positivo das alterações na mistura de biodiesel do diesel, que subiram de 12% para 14% em 2024 e de 14% para 15% em 2025.
O segmento de commodities teve uma receita líquida de R$ 2,2 bilhões, alta de 19,7% frente aos R$ 1,9 bilhão apurados ao fim de 2024 nesse indicador. O desempenho foi sustentado, segundo a Caramuru, principalmente, pela expansão de 19,4% no volume vendido, que compensou a leve retração de 0,7% no preço médio de venda.
A divisão de commodities diferenciadas – que inclui proteína concentrada de soja, farelo de soja, glicerina e outros produtos – teve queda de 6,9% em sua receita líquida, que somou R$ 2,2 bilhões em 2024. refletindo uma combinação de queda de 3,3% em volumes vendidos e redução de 4,3% nos preços médios de vendas. A comercialização somou 768 milhões de toneladas de produtos no ano.
Por fim, o segmento de produtos de consumo - como óleos de cozinha de milho, soja e girassol - registrou alta de 35,5% em sua receita, que somou R$ 1,1 bilhão.
O desempenho foi impulsionado pelo aumento de 19,9% no volume comercializado e pela alta de 13,1% nos preços de venda. Os principais destaques foram os óleos de soja, milho e girassol, que, juntos, apresentaram alta de 37,7% no volume comercializado e expansão de 12,9% em seus preços.
A originação de grãos acompanhou esse movimento, com alta de 13,7%, totalizando 2,9 milhões de toneladas no ano. A soja, principal matéria-prima da companhia, teve avanço de 11,9%, para 2,14 milhões de toneladas.
O crescimento da receita foi puxado principalmente pelo aumento de 10,3% nos volumes de venda, que adicionou R$ 769 milhões ao faturamento, além do efeito cambial positivo com a desvalorização do real. Por outro lado, a queda nos preços de venda teve impacto negativo sobre o resultado.
O desempenho operacional da Caramuru também mostrou forte evolução ao longo de 2025. O Ebitda (sigla para lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação) ajustado somou R$ 812,5 milhões no ano passado, com alta de 94,7% em um ano. Com isso, houve expansão da margem Ebtida de 5,7% ao fim de 2024 para 10% no fechamento de 2025.
Segundo a companhia, o avanço foi impulsionado pela combinação de maior volume comercializado e melhora de preços em produtos relevantes, como biodiesel, óleos vegetais e glicerina, além de um mix mais favorável de produtos com maior margem.
Parte do crescimento do Ebitda ainda reflete efeitos não recorrentes. Em 2025, a empresa registrou impacto positivo de R$ 79,6 milhões relacionado a uma indenização de um processo arbitral. Em 2024, o indicador havia sido pressionado por eventos extraordinários.
Apesar da melhora operacional, a margem bruta apresentou recuo no ano, passando de 16,8% para 12,1%, refletindo aumento de custos ao longo da cadeia e mudanças no mix de produtos vendidos.
No lado financeiro, a companhia apresentou redução na alavancagem. A relação dívida líquida/Ebitda caiu de 2,93 vezes para 1,49 vez, sustentada pela maior geração de caixa operacional. A dívida líquida encerrou 2025 em R$ 1,2 bilhão, estável frente a 2024.
Em mensagem publicada no balanço, o CEO, Marcus Thieme, citou que a atenção da Caramuru está voltada para “investimentos estratégicos voltados à diversificação de negócios e modernização da infraestrutura logística”.
Ao longo de 2025, o Capex da Caramuru somou R$ 227 milhões. Para este ano, a projeção é de investimentos de R$ 233 milhões.
A companhia prevê a conclusão dos investimentos no Porto de Santana, no Amapá, decorrentes do processo de outorga, e demais iniciativas voltadas ao aumento da eficiência operacional do terminal. Em 2022, a Caramuru assinou contrato de arrendamento de uma área de 3,1 mil metros quadrados no Porto de Santana, com validade de 25 anos.
Outro projeto citado pela Caramuru é a construção da indústria de etanol de milho em Nova Ubiratã (MT), anunciada em 2024 e que deve ter investimentos totais de R$ 1,1 bilhão. O projeto é uma joint-venture da companhia com a Biocen.
Paralelamente, a empresa deve concluir o projeto de R$ 251 milhões do terminal logístico Via Maris, em Itaituba (PA), em parceria com a companhia gaúcha 3tentos. A unidade conta com uma estrutura para armazenagem de grãos e farelos, transbordo e carregamento de barcaças fluviais.
No documento, a Caramuru cita ainda que vai construir um novo armazém em Silvânia (GO), com capacidade de 60 mil toneladas.
No início deste mês, a empresa captou R$ 600 milhões em debêntures.
Resumo
- A Caramuru Alimentos dobrou seu lucro em 2025, que somou R$ 570 milhões e melhorou também sua rentabilidade com forte avanço do Ebitda
- Alta nos volumes vendidos e maior originação de grãos compensam queda nos preços da soja e ajudaram a elevar a receita da companhia
- Resultado também teve influência positiva do segmento de biocombustíveis com altas de vendas e preços após B15 entrar em vigor