Uma das empresas brasileiras mais tradicionais no processamento de grãos vem se preparando aos poucos para dar novos passos rumo ao crescimento.

A Caramuru Alimentos nasceu na região de Maringá (PR), na década de 1960, mas hoje está presente em pelo menos 6 estados, com forte atuação em Goiás e Mato Grosso.

O economista Marcus Thieme, com 30 anos de carreira, incluindo não apenas o agro mas também 0 mercado financeiro e uma passagem pelo Canadá, chegou a Caramuru em 2021.

Há 2 anos ele assumiu como CEO da companhia e teve como uma das missões reforçar a trajetória do grupo para, quando for interessante, partir para uma abertura de capital (IPO) na bolsa de valores.

“Eu vim realmente para ajudar a empresa a se posicionar, tentar fazer um IPO. Esse ano parece que vai ter de novo uma janela”, disse Thieme, na entrevista ao AgLíderes, o videocast do AgFeed.

Apesar de dizer que a empresa está pronta e com “a chuteira no pé”, ele deixou claro que vários fatores ainda precisam convergir para que, talvez, em 2027, a empresa avance nesta ideia.

O CEO da Caramuru revelou que o projeto de etanol de milho da empresa ainda depende de definições sobre o funding, principalmente um financiamento via BNDES, para acelerar.

A previsão é de que a planta de Nova Ubiratâ (MT) – uma parceria em que a Biocen tem 49% do controle – comece a operar daqui a 18 meses, processando 605 mil toneladas de milho.

“Lá, pelo tamanho do terreno que a gente tem, poderemos ter um projeto três vezes maior. Lógico que vamos por fases, mas podemos chegar a quase 1,8 milhão de toneladas (de milho), três vezes mais”, afirmou.

Thieme também cogita a possibilidade de duplicar o esmagamento de soja da Caramuru, o que poderia ocorrer com investimentos nas plantas de Sorriso (MT), Ipameri (GO), ou até em outro local, ele admitiu, tendo o biodiesel como um dos impulsos para o crescimento.

Sobre a receita da empresa em 2026, o CEO disse estar confiante em crescer pelo menos 3%, chegando a R$ 8,5 bilhões ou até R$ 9 bilhões, o que vai depender bastante do cronograma de adoção do B16 no País.

Embora o primeiro trimestre tenha sido mais fraco – o balanço será divulgado somente na próxima sexta-feira –, o executivo reforça um posicionamento marcante na empresa que é a diversificação.

A Caramuru esmaga soja não apenas para exportar commodities como o farelo de soja “básico”. A empresa se destaca no que chama de “commodities diferenciadas”. Além disso, produz itens para o consumidor final, como o óleo de cozinha da marca Sinhá.

A companhia produz o SPC, um produto derivado da soja de alta proteína que alcança diferenciais de preço no mercado internacional, e atua também no segmento de grãos não transgênicos. Na soja, por exemplo, ele diz que esse ano a originação da oleaginosa não transgênica será 45% maior.

Neste episódio do AgLíderes, Marcus Thieme explica como a guerra no Irã está afetando o mercado em que atua a Caramuru e conta detalhes de sua trajetória profissional, como “a maior quebra de safra” que já enfrentou na carreira.

Para saber mais sobre esses e outros temas relacionados ao futuro da empresa, como novos investimentos em logística, assista aqui o episódio na íntegra ou acesse pelas plataformas YouTube e Spotify.

Resumo

  • Em entrvista ao vdeocast AgLíderes, Marcus Thieme, CEO da Caramuru, diz que espera uma janela para IPO em 2027
  • Enquanto isso, avança em projetos estratégicos, como uma usina de etanol de milho em Nova Ubiratã (MT)
  • Diversificação segue como pilar da companhia, com expectativa de faturar até R$ 9 bilhões em 2026.