O catarinense, filho de agricultores gaúchos, Delair Bolis é um apaixonado pelo mercado de saúde animal. Começou a carreira na Sadia, logo depois de formado como médico veterinário na Universidade de Santa Maria. Mas foi na indústria de produtos veterinários que consolidou sua trajetória, onde acumula 27 anos de experiência.
Desde 2019, é presidente da MSD Saúde Animal para o Brasil, Paraguai, Uruguai e Bolívia. A companhia é uma das gigantes globais da indústria farmacêutica, com faturamento de US$ 70 bilhões, sendo pouco mais de 10% disso vindo do negócio de saúde animal.
“Nós estamos presentes em 75 países e o Brasil é a segunda maior operação em nível mundial. No ano passado ultrapassados a cifra de R$ 2 bilhões na nossa região”, contou Bolis, ao AgLíderes, videocast do AgFeed.
Segundo o executivo, essa receita representou um aumento de 8,5% na comparação com 2024 e foi impulsionada principalmente pela avicultura, que avançou 50%.
A indústria de saúde animal enfrentou desafios importantes entre 2020 e 2023, ele lembrou, com muitas empresas registrando recuos nas vendas. Um dos motivos foi o fim da retirada da vacinação obrigatória contra a febre aftosa.
Delair Bolis diz que, na MSD, a vacina de aftosa representava 10% das vendas para o segmento de ruminantes. Houve um certo impacto na venda de outros produtos veterinários, já que o momento da vacina também era usado para aplicar outros medicamentos,
A situação, porém, já foi contornada, segundo o CEO da MSD, com um momento mais favorável para a pecuária e, principalmente, com a demanda por novos produtos nos setores de suínos e aves.
Além disso, a multinacional e o mercado como um todo foram beneficiados pelo crescimento expressivo do segmento de animais de companhia a partir da pandemia. Hoje esse setor já não cresce como antes, mas ainda assim respondeu por 20% do negócio da MSD Saúde Animal no Brasil em 2025.
Na conversa com o AgFeed, Bolis mencionou que a companhia já registrou no Brasil alta de “dois dígitos” na receita do primeiro trimestre de 2026, embora os números detalhados ainda não tenham sido divulgados globalmente. Ele diz esperar que um crescimento no mesmo patamar seja registrado em 2026 como um todo.
A MSD é resultado de um forte movimento de consolidação que houve na indústria de saúde animal, onde marcas conhecidas foram passando por fusões e aquisições. Bolis garante, no entanto, que não devem ser os M&As os maiores responsáveis pelo crescimento que está sendo previsto, mas sim os lançamento de novos produtos.
“De 2019 a 2025, se nós analisarmos, 22% do nosso crescimento veio de novos produtos, agora de 2026 a 2030, próximo de 50% do nosso crescimento virá de novos produtos, nós vamos lançar mais de 30 novos produtos no mercado brasileiro”, afirmou ele.
O executivo contou ainda que, depois da aquisição da Allflex, a companhia segue reforçando a aposta em tecnologias digitais, principalmente para animais de produção.
O pilar tecnológico já responde por 8% da receita na região liderada por Bolis. Ele acredita que há grandes oportunidades de maior adoção de tecnologias na pecuária de corte e leite, principalmente.
Neste epidósio do AgLíderes o CEO da MSD Saúde Animal falou também de outros temas como os impactos da geopolítica e da guerra do Irã nos negócios do setor. Quer saber o que ele respondeu? Clique aqui e assista o episódio na íntegra nas plataformas YouTube e Spotify.
Resumo
- Em entrevista ao videocast AgLíderes, presidente da MSD Saúde Animal no Brasil, Paraguai, Uruguai e Bolívia prevê crescimento de dois dígitos na receita em 2026
- A empresa atingiu R$ 2 bilhões de faturamento em 2025, alta de 8,5%, impulsionado pelo bom desempenho de vendas para o segmento de avicultura
- MSD projeta lançar 30 novos produtos para o mercado brasileiro nos próximos anos e mantém foco em tecnologias digitais