Ele diz que nasceu na roça, por isso fez o curso de técnico agrícola. Mas a primeira experiência como empreendedor foi com 18 anos, quando assumiu a gestão de um posto de gasolina, no interior do Rio Grande do Sul.
Hoje o empresário Erasmo Battistella se orgulha de ser o fundador e CEO da empresa que mais produz biodiesel no Brasil, a Be8, nome adotado em 2023, marcando um novo posicionamento estratégico.
A companhia foi criada em 2005, na época chamada de BSBios, com foco absoluto na produção de biodiesel. Era o período marcado pelo “boom” do programa de biodiesel no Brasil, que recebeu incentivos do governo, especialmente para aqueles que se propusessem a usar matéria-prima da agricultura familiar para fazer o biocombustível.
Battistella diz que teve a ideia de investir no negócio ao ouvir uma conversa, “na fila do banco”, na época em que ainda administrava postos de gasolina.
“Nós começamos com 300 mil litros por dia e hoje estamos a beira de 5 milhões de litros de biodiesel por dia”, contou ele, ao participar do AgLíderes, o videocast do AgFeed.
Nas últimas décadas não foram poucas as produtoras de biodiesel que ficaram pelo caminho e acabaram saindo do negócio, sempre muito sujeito a políticas governamentais e às oscilações do mercado da soja, que se consolidou como a principal matéria-prima para o biodiesel.
O empresário gaúcho, no entanto, teve um diferencial importante nesta trajetória. Em 2010 conquistou um sócio famoso, nada menos do que a Petrobras, que chegou a deter 50% das ações da BSBios.
Em 2020, no governo Bolsonaro, Erasmo Battistella diz que a Petrobras decidiu sair do negócio, por isso ele comprou as ações que eram da estatal.
A partir daí, a empresa passou por um novo posicionamento estratégico, que incluiu o rebranding. Houve a decisão de investir em outros biocombustíveis e soluções de baixo carbono e foi adotado o nome Be8, que estaria atrelado a ideia de “ser infinito”.
O crescimento vem sendo expressivo nos últimos anos. No começo era somente a usina do município sede, em Passo Fundo (RS), depois veio o investimento em nova unidade em Marialva (PR).
A Be8 já produz biodiesel também fora do Brasil, com unidades na Suiça e no Paraguai. E a mais recente aquisição, anunciada em novembro de 2024, trouxe a expansão para os estados de Mato Grosso, Pará e Piauí, com as plantas que pertenciam à Biopar.
Erasmo Battistella revelou ao AgFeed que a receita de 2025 deve totalizar R$ 12 bilhões – o balanço detalhado ainda não foi divulgado. O valor representa um acréscimo de 64% em relação ao faturamento de 2024.
“Fechamos o ano com a maior receita bruta da história, fechamos mais uma vez na liderança de mercado e com a última compra, desta unidade em Mato Grosso, nós chegamos pela primeira vez em 20 anos como líderes em capacidade produtiva, acima de 5 milhões de litros por dia. Também batemos recorde de esmagamento no ano passado”, ressaltou.
A empresa agora prepara um novo salto, em função dos investimentos de RR 1,1 bilhão na produção de etanol de cereais. A unidade, que começa a operar em 2027 em Passo Fundo, vai usar principalmente trigo e triticale como matéria-prima.
Battistella disse esperar um crescimento de 10% na receita da empresa este ano, mas um avanço maior em 2027, já que somente o etanol deve acrescentar R$ 1,3 bilhão ao faturamento.
A meta, segundo ele, é atingir R$ 20 bilhões em 2030. O empresário mostrou otimismo com a possibilidade – ainda não confirmada – de fazer um IPO no Brasil.
Na conversa com o AgLíderes, também comentou anúncios recentes relacionados ao projeto de SAF no Paraguai e à parceria para abastecer 100% dos caminhões da fórmula Truck com seu combustível BeVant, um produto similar ao diesel verde (HVO).
Os detalhes destes e outros assuntos você confere no episódio completo do AgLíderes, disponível nas plataformas YouTube e Spotify.