As cotações internacionais da ureia caíram 25% nas últimas seis semanas, segundo acompanhamento feito pela StoneX. Depois de atingirem um pico de quase US$ 800 por tonelada, eles recuaram, no final de maio, para o patamar de US$ 600 por tonelada.
A infalível lei da oferta e da procura explica a queda dos preços. Embora a oferta tenha ficado bem menor após o início da Guerra no Oriente Médio, que resultou na restrição de navegação no Estreito de Ormuz, a demanda por parte dos compradores está tão enfraquecida que inverteu a tendência para um viés baixista, segundo Tomás Pernías, analista de Inteligência de Mercados da StoneX.
“As negociações estão travadas”, afirmou. “Com a relação de troca nos piores níveis em muito tempo, os produtores estão adotando uma postura cautelosa e adiando as decisões de compra ao máximo possível”.
Apesar da retração, os poucos negócios realizados estão girando ainda bem acima dos valores praticados antes do conflito no Irã. Nas vésperas do início das hostilidades, a tonelda de ureia estava cotada em torno de US$ 480.
Pernías avalia que o viés de baixa tende a continuar “se não houver nenhum gatilho de demanda” nas próximas semanas. Ele lembra que nem mesmo um recente leilão realizado pela Índia para a aquisição de 1 milhão de toneladas foi suficiente para mudar o quadro.
Além da demanda fraca, pesa nesse sentido uma expectativa de que a China possa retomar as exportações de ureia, que estão suspensas, o que aumentaria a oferta – embora não existam indicações de quando ou em que volume isso seria feito.
“Os distribuidores de fertilizantes estão com dificuldades de alocar as poucas cargas que têm sido despachadas”, disse o analista.
Um possível gatilho seria o início da temporada de aquisições de nitrogenados pelos compradores brasileiros, que se inicia no segundo semestre e vai aquecendo até dezembro. “Estamos saindo da baixa temporada”, afirmou.
Como um dos maiores importadores de fertilizantes, as posições do País costumam mexer com o mercado global. Neste ano, até o momento, uma menor presença do Brasil nesse mercado ajudou a conter altas ainda maiores após a deflagração da guerra.
De janeiro a abril, as encomendas brasileiras somaram 1,4 milhão de toneladas de ureia, cerca de 20% menos do que as 1,7 milhão de toneladas adquiridas no mesmo período em 2025.
Além da ureia, a pressão baixista tem reprimido preços também nos nitratos e sulfatos, segundo a StoneX. Nos fosfatados, entretanto, os preços continuam formes, sustentados pela alta de insumos como o enxofre, que também tem como grandes fornecedores os países do Oriente Médio.
Já no potássio, outro fertilizante largamente utilizado, o impacto do conflito é menor, já que a produção é geograficamente mais diversificada. “Ainda assim, esse setor não é blindado e há efeitos como os dos preços dos fretes marítimos”, disse Pernías.
Resumo
- As cotações internacionais da ureia recuaram 25% em seis semanas, saindo de quase US$ 800 para cerca de US$ 600 por tonelada.
- Produtores, especialmente no Brasil, adiam compras diante da piora na relação de troca, reduzindo negócios e pressionando os preços
- Temporada de compras de fertilizantes no Brasil pode reacender a demanda e influenciar os preços nos próximos meses