O Brasil é o maior exportador de proteína animal do mundo. A MBRF, uma gigante global do setor, responde por boa parte desse patamar, somando as operações de carne bovina da Marfrig e das aves e suínos da BRF. E no segundo trimestre de 2026, mesmo tendo aumentado as vendas para o exterior, a lucratividade diminuiu.

Um dos fatores apontados pela própria MBRF é o câmbio, já que o real se valorizou em relação ao dólar na comparação com a metade de 2025. E no mercado interno, o volume de vendas teve leve queda na mesma base de comparação.

O volume vendido para o exterior chegou a 546 mil toneladas entre abril e junho deste ano, um aumento de 9,5% na comparação anual.

No mercado brasileiro, o volume é maior, de 707 mil toneladas. No entanto, esse número representa um recuo de 3% frente ao segundo trimestre de 2025.

No total, o volume teve aumento de 2% em um ano. Esse desempenho já é suficiente para que o CEO da MBRF, Miguel Gularte, demonstre otimismo com a segunda metade do ano.

“O que percebemos é que, no segundo trimestre, tivemos uma melhora constante mês a mês. Tivemos o melhor patamar de vendas do ano em junho. E a companhia performa muito bem no segundo semestre, com as festas de fim de ano”, afirmou Gularte durante coletiva de imprensa para tratar dos resultados.

No caso das exportações, o executivo está confiante, já que no decorrer do segundo trimestre, a companhia conseguiu 34 novas habilitações em países da América do Sul, Ásia e União Europeia.

As receitas da MBRF no trimestre melhoraram em relação a 2025 e chegaram a quase R$ 16 bilhões, um crescimento de 4% em relação ao mesmo período de 2025.

No entanto, os Custos dos Produtos Vendidos (CPV) da companhia cresceram, em um ano, o dobro do ritmo das receitas, somando pouco mais de R$ 12 bilhões.

A companhia explica esse aumento pelo mix de produtos, especialmente no portfólio de bovinos e maiores preços de produtos e serviços, com destaque para o diesel.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado avançou 2% em um ano, para R$ 2,5 bilhões. A margem Ebitda teve leve recuo, de 16,3% para 16%.

O lucro líquido do trimestre ficou em R$ 545 milhões entre abril e junho, número 26% menor que o verificado no mesmo período de 2025.

Dívidas e investimentos

Outro ponto importante é o nível de endividamento da MBRF. A dívida líquida da BRF mais que dobrou em um ano, passando de R$ 4,7 bilhões para R$ 9,6 bilhões.

Segundo o CFO e Vice-Presidente de Relações com Investidores, José Ignácio Rey, houve uma maior necessidade de capital de giro, sobretudo para a aquisição de gado para abate nas plantas da empresa, o que explica esse salto nas dívidas.

“Mas esse é um capital que vai voltar para a companhia já a partir do segundo semestre e vamos ter uma diminuição desse nível de endividamento”, pontuou.

Outro fator que deve contribuir para diminuir a alavancagem é o nível de investimentos. Segundo Rey, a MBRF deve fechar esse ano com R$ 5 bilhões em capex, menos que o registrado em 12 meses até o primeiro semestre deste ano, com R$ 6,2 bilhões.

Para o próximo ano, o CFO da companhia projeta investimentos na casa dos R$ 4 bilhões.

Margens melhores nos EUA

Nas operações da MBRF nos Estados Unidos, o CEO da National Beef, Tim Klein, se mostra otimista sobre a melhora das margens em carne bovina.

“A reabertura das fronteiras para comprar gado do México vai equilibrar melhor a relação entre oferta e demanda, baixando os preços do animal para abate, com efeitos significativos nas nossas margens”, afirma o executivo.

Ele ressalta inclusive a qualidade dos animais vindos do México, que trazem, segundo ele, uma perspectiva ainda melhor para as operações norte-americanas da MBRF.

Resumo

  • Exportações crescem 9,5% e sustentam alta de 2% no volume vendido pela MBRF, enquanto o mercado interno recua 3%
  • Lucro da empresa cai 26% com custos maiores, valorização do real e aumento das despesas operacionais e do capital de giro
  • MBRF projeta melhora no segundo semestre e margens mais fortes nos EUA com reabertura das importações de gado do México